SAÚDE

Influenza K acende alerta para a importância da vacinação

Iniciada em 25 de março no DF, a campanha de vacinação alcançou 338 mil imunizações em grupos prioritários, que incluem idosos a partir de 60 anos, gestantes e crianças de 6 meses a 6 anos. A meta é alcançar 1,1 milhão de pessoas

Em meio à chegada da seca no Distrito Federal, infecções respiratórias alertam a saúde pública para a importância da vacinação de grupos de risco. São 2.131 casos confirmados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026 na capital, doença causada pelos vírus influenza, vírus sincicial respiratório (VSR) — que acomete principalmente os recém-nascidos —, metapneumovírus, rinovírus e covid-19, entre outros. A nova linhagem do vírus Influenza A (H3N2), conhecida como gripe K ou Influenza K, também aparece nos novos levantamentos da SRAG e foi atribuída como causa de nove óbitos desde janeiro, sendo um deles de uma adolescente e outros três de idosos. 

A imunização contra a gripe K é feita com a vacina atualizada da influenza, que teve campanha iniciada em 25 de março para grupos prioritários, que inclui gestantes, crianças entre 6 meses e 6 anos, idosos a partir dos 60 anos, pacientes com deficiências ou doenças crônicas e profissionais de determinadas áreas. Neste ano, a vacina contra a gripe protege contra três variantes do influenza. 

A SES-DF destaca que a vacinação é a principal forma de evitar casos graves, internações e mortes pelas infecções respiratórias. Até 6 de maio, 338.837 pessoas de grupos prioritários foram contempladas com a vacina em 2026, para uma meta de 1,1 milhão. A SES-DF afirmou, em nota, que o número de doses aplicadas está dentro do esperado da campanha, pela quantidade recebida pelo Ministério da Saúde, que soma 400 mil. A pasta também realiza ações nos fins de semana e os locais são disponibilizados até a véspera no site da SES-DF.

Ravella Machado, 39 anos, levou as duas filhas para se vacinarem pela primeira vez. As gêmeas Briana e Liana, de 9 meses, foram imunizadas contra a febre-amarela, como parte do calendário básico de vacinação, além da gripe no âmbito da campanha de vacinação. "Aproveitei para levá-las para tomar a vacina da gripe pela primeira vez", disse Ravella. 

Ravella conta que, mesmo antes de ter as gêmeas, já tinha o hábito de tomar a vacina contra a gripe todo ano. Agora, se vê na obrigação de levar as filhas, para garantir que estejam protegidas do vírus e tenham consciência da importância da vacinação: "Hoje, vemos muitas doenças sérias aparecendo que podem ser evitadas com a vacinação. Precisamos vacinar os bebês, para evitar a transmissão desse tipo de vírus".

A gripe K, observada pela primeira vez no Brasil em dezembro do ano passado, possui sintomas similares aos de outros vírus respiratórios e variantes do influenza. Segundo a Secretaria de Saúde, a presença do subclado K ainda não aponta para aumento na gravidade clínica dos casos de influenza, como maior número de internações, e não foi responsável por mudar o padrão sazonal da gripe.

O médico infectologista do Hospital Brasília Henrique Valle Lacerda destaca que a chamada Influenza K não é um novo tipo formal de gripe, e sim, um novo subclado da Influenza A. A diferença está em mutações que modificam o reconhecimento do vírus pelo sistema imunológico, podendo ter maior capacidade de circulação, não sendo, por si só, uma gripe necessariamente mais grave. "Significa que a vigilância epidemiológica precisa acompanhar essas mudanças para orientar vacinação, prevenção e manejo clínico", diz o médico.

Se houver sinais leves de gripe sazonal, a orientação da SES-DF é buscar uma das Unidades Básica de Saúde (UBSs). Os sintomas mais graves incluem febre, dor no corpo, tosse, dor de garganta, coriza, cefaleia e mal-estar intenso. Nessas situações, a população deve procurar uma das 13 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou os hospitais da rede pública.

Época de seca

Marlice Malheiros, 71 anos, começou a ficar mais atenta às campanhas de vacinação na época da pandemia de covid 19. Desde então, cuida mais da imunidade, tanto pela alimentação quanto nas vacinas. Desta vez, ela estava na casa do cunhado, quando ele a chamou para ir a UBS Asa Norte, para tomar a vacina de reforço da covid-19 e da gripe. "Não consegui encontrar o cartão de vacinação, mas fui do mesmo jeito", diz.

Ela observa que é essencial se imunizar no início do período de seca. "No meio do ano, quando a temperatura cai e começa a subir muita poeira, é preciso tomar cuidado com a imunidade, principalmente quem é idoso", assinala Marlice. 

O infectologista Henrique Valle Lacerda explica que o clima seco favorece as infecções respiratórias por fatores biológicos e ambientais. Nesta época, a mucosa nasal e as vias aéreas ficam ressecadas, prejudicando o mecanismo natural de limpeza das vias respiratórias e facilitando a permanência de vírus. Além disso, durante um clima frio na capital, as pessoas costumam ficar mais em ambientes fechados e com pouca ventilação, o que facilita a transmissão.

Além da gripe K, a SES alerta para a presença de outros vírus respiratórios, que, inclusive, são uma causa maior de casos de SRAG. Nessa época do ano, a bronquiolite tende a aumentar, especialmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR). A doença atinge principalmente bebês menores de seis meses, prematuros, crianças com cardiopatia, doença pulmonar crônica ou imunossupressão. Lacerda aponta que a forma mais eficaz do controle do VSR é a proteção dos grupos vulneráveis, evitando o contato de bebês pequenos com pessoas resfriadas.

A proteção também é feita pela imunização das gestantes, que, a partir das 28 semanas, devem vacinar-se contra o VSR. Bebês de até seis meses e que tenham nascido prematuros, além de crianças de até dois anos com comorbidades, podem receber a vacina do nirsevimabe.

*Estagiário sob a supervisão de Malcia Afonso

 

Mais Lidas