Por Luiz Francisco*
A funcionária de uma rede de fast-food que foi agredida com tapas por uma cliente, na Asa Norte, retomou as atividades na madrugada desta terça-feira (5/5). De acordo com a gerente do estabelecimento, Raíssa Rodrigues, a funcionária está bem e voltou ao trabalho, recebendo acompanhamento psicológico oferecido pela própria empresa.
Segundo a gerente, o suporte foi acionado imediatamente após o ocorrido, conforme protocolo interno. “Quando essas situações acontecem, a instituição pede para que a gente vá à delegacia e faça um boletim de ocorrência. Foi o que a funcionária fez”, afirmou.
O caso ocorreu em uma unidade do McDonald's da 506 Norte e teve início após um erro no preparo de um sanduíche solicitado sem cebola. A cliente, identificada como Huíla Borges Klanovichs, funcionária do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), alegou, em depoimento, possuir alergia grave ao ingrediente e retornou ao guichê para solicitar a substituição. A troca foi realizada pela equipe, mas, conforme relatos, a situação evoluiu para uma discussão verbal quando a consumidora passou a exigir um pedido formal de desculpas.
A vítima, por outro lado, conta que, após a reclamação da cliente, informou que lamentava o ocorrido e explicou que o problema havia sido resolvido com a substituição do produto. Ainda assim, a cliente teria elevado o tom de voz e, durante o desentendimento, desferido um tapa contra a atendente. Veja o momento da discussão:
A Polícia Militar (PMDF) foi acionada e, ao chegar ao local, encontrou sinais de tumulto, como objetos arremessados ao chão. As partes envolvidas foram encaminhadas à delegacia, onde prestaram depoimento. A vítima passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML) e manifestou interesse em representar criminalmente contra a autora da agressão.
A cliente afirmou que se sentiu desrespeitada durante o atendimento e negou ter iniciado a confusão de forma desproporcional, alegando que apenas aguardava a chegada da polícia após o desentendimento. Ainda assim, o caso foi registrado como lesão corporal, e as circunstâncias seguem sob apuração.
A gerente do estabelecimento destacou que, embora episódios de xingamentos e situações de assédio verbal sejam recorrentes durante o turno da madrugada, a agressão física foi considerada um fato atípico. “Isso infelizmente é comum, mas agressão foi novidade”, disse.
Repercussão
Em nota, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc/Onu), onde Huíla trabalha, informou que está ciente do caso envolvendo a servidora e que adotou providências imediatas. Segundo o posicionamento oficial, “o caso foi encaminhado ao órgão investigativo independente, o Escritório de Serviços de Supervisão Interna, responsável por apurar a conduta de funcionários da organização.
A instituição acrescentou que a colaboradora foi colocada em licença enquanto aguarda o andamento das investigações e destacou que está “à disposição para cooperar com as autoridades nacionais”. Também reforçou que mantém política de tolerância zero para episódios de violência. A entidade destacou ainda que seus quadros têm a obrigação de agir de acordo com “os valores de respeito, integridade, responsabilidade e ética que orientam o sistema das Nações Unidas”.
O McDonald’s informou que “tomou todas as providências necessárias no momento do ocorrido, acionou as autoridades e presta todo apoio a funcionária”.
*Estagiário sob supervisão de Tharsila Prates
