Incêndio

Lojistas que tiveram perda total na Feira dos Importados devem ser realocados

Um dia após o incêndio no Bloco C, feirantes usam lanternas para avaliar estragos e administração trabalha para restabelecer energia

O cenário na Feira dos Importados, nesta terça-feira (12/5), é de trabalho de rescaldo e contabilização de prejuízos. O cheiro de fumaça ainda é intenso no Bloco C, onde tapumes isolam a área das 27 lojas que sofreram perda total. Sem energia elétrica no setor atingido, comerciantes utilizam lanternas para inspecionar o interior das bancas em busca de mercadorias que possam ter resistido ao calor, que chegou a atingir 1.000°C, segundo a administração.

De acordo com o vice-presidente da feira, Absalão Calado, a prioridade no momento é a substituição de toda a fiação elétrica do setor para garantir o retorno das atividades. Embora o fogo tenha atingido o teto e as fachadas, não há risco estrutural no prédio.

"A gente lamenta muito. Estamos isolando as lojas e vamos procurar uma solução para amenizar o prejuízo de quem perdeu tudo, provavelmente realocando esses feirantes para o corredor central enquanto reconstruímos", explicou o vice-presidente. Cerca de 100 pessoas foram afetadas direta ou indiretamente pelo incidente.

Para quem teve danos parciais, o clima é de espera. A feirante Giovana Temp, 54 anos, dona de uma banca de bordados computadorizados, teve máquinas danificadas e vidros quebrados em sua loja e aguarda a liberação para retirar equipamentos de alto valor. "A perda foi parcial, mas os instrumentos são caros. Uma das máquinas está avaliada em cerca de R$ 50 mil. O técnico está vindo para vermos o que dá para recuperar", relatou a lojista, que presta serviço para outras empresas. 

Giovana também aluga um espaço para outro lojista da feira Esta banca, na qual são vendidas roupas, foi totalmente queimada. "Era um complemento do meu sustento". Ainda sobre os prejuízos, a empreendedora comentou o dano emocional causado pelo incêndio. "Não consigo dormir nem comer. Sei que vou conseguir me reestabelecer, mas o impacto de receber a notícia dessa perda é imenso. Não passa", lamenta.  

Na banca ao lado da loja de Giovana, a reportagem reencontrou o feirante Luiz Eduardo Vieira, 69, e sua esposa, Maria Anterlúcia, 63, que vendem utilidades domésticas. Na manhã de segunda (11), eles relataram ainda não saber em quais condições estavam suas mercadorias. A incerteza dava lugar à angústia. Hoje, ao abrirem o espaço, certificaram-se de que não tiveram os produtos nem a estrutura da loja atingidas. 

"Não tivemos prejuízos, mas o fogo chegou perto da sua placa, até queimou a ponta. Ficamos aliviados, mas sentimos muito pelos colegas. Vários têm essas bancas como principal sustento. Daqui para frente, vamos nos ajudando como for possível", relatou. 

Nos demais blocos da feira, o movimento de clientes e lojistas segue o fluxo normal. A perícia técnica foi realizada e o laudo oficial com as causas do incêndio deve ser divulgado em até 30 dias. Até o momento, a principal suspeita é de que um aparelho deixado ligado tenha provocado um curto-circuito durante a madrugada.

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