Um grupo suspeito de fazer anúncios falsos de veículos na internet, com valores abaixo do mercado, para atrair interessados. Segundo os investigadores, eles exigiam pagamentos antecipados via PIX para “garantir” a negociação. Somente no Distrito Federal, mais de 10 pessoas foram identificadas como vítimas entre 2024 e 2026, com prejuízo superior a R$ 60 mil.
A Polícia Civil (PCDF), com apoio do Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC) da Polícia Civil da Bahia (PCBA), realizou na manhã desta terça-feira (13/5) a Operação Marcha Ré. A ação foi conduzida por equipes da 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural) e ocorreu em Salvador (BA), com o objetivo de desarticular o esquema de estelionato virtual e lavagem de dinheiro.
Os criminosos utilizavam plataformas digitais, redes sociais e aplicativos de mensagens para dar aparência de legitimidade às negociações fraudulentas. As investigações apontam que, após o primeiro contato, os suspeitos migravam rapidamente as conversas para o WhatsApp, onde enviavam fotografias, vídeos e documentos dos supostos veículos.
Segundo apurações dos investigadores, em muitos casos, os suspeitos alegavam urgência na venda para pressionar as vítimas a realizar transferências bancárias antes mesmo de qualquer confirmação presencial do negócio.
O grupo tinha possível atuação interestadual, uma vez que foram identificadas conexões com ocorrências registradas em outros estados. As apurações também revelaram que os valores obtidos com os golpes eram rapidamente distribuídos entre diferentes contas bancárias e fintechs para dificultar o rastreamento financeiro.
A análise técnica identificou ainda a criação e exclusão sucessiva de chaves PIX em diversas instituições financeiras, uma prática considerada típica de grupos especializados em fraudes eletrônicas e ocultação patrimonial.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os policiais apreenderam dispositivos eletrônicos e documentos que serão submetidos à perícia. O material poderá auxiliar no aprofundamento das investigações e na identificação de outros possíveis envolvidos no esquema criminoso.
O investigado poderá responder, em tese, pelos crimes de estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 16 anos de prisão, além de multa, dependendo do resultado final das investigações e da individualização das condutas.
