O velório de Cláudia da Silva Nascimento, 50 anos, realizado na manhã desta segunda-feira (18/5), dois dias após a vítima ser morta a tiros pelo marido, Josimar da Costa, 55 anos. Segundo relatos da família, o homem era agressivo tanto com desconhecidos quanto com a vítima. O casal estava junto há 11 anos e vivia uma relação conturbada, com episódios de violência doméstica.
No Cemitério Campo da Esperança, o clima era de descontentamento e luto pela mulher, mãe de uma jovem de 20 anos. Segundo Stephannie Roberta Ferreira, 32, sobrinha da vítima, uma das possíveis motivações do crime teria sido as crises de ciúmes e possessividade que Josimar demonstrava nutrir pela esposa. "Ele sempre tentou restringi-la. Evitava que a própria família tivesse acesso à minha tia. Se ela cumprimentasse alguém na rua, era certo que haveria briga em casa", compartilhou a familiar.
Ainda de acordo com a sobrinha, os episódios de agressão à vítima eram recorrentes dentro do relacionamento. "Ele tinha um longo histórico. Houve várias situações de violência", compartilhou. Além da esposa, o homem chegava a dar tapas em desconhecidos em bares, por motivações banais, sendo conhecido por ser uma pessoa difícil.
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Apesar das diversas tentativas de intervenção da família, Cláudia vivia um ciclo de violência comum entre as vítimas de feminicídio. Logo após as crises intensas, vinham tentativas de ruptura do relacionamento. "Ela tentava se desvincular dele, morar com outros parentes, até mesmo comigo", explicou a sobrinha.
Entretanto, o agressor logo a procurava, demonstrando arrependimento. "Para conseguir reatar a relação, ele mudava de uma maneira fenomenal", descreveu Stephannie.
Em entrevista ao Correio, a familiar descreveu que o militar da reserva já havia perdido a posse de arma anteriormente, por um episódio de disparo em via pública. Entretanto, ele obteve o restabelecimento da autorização após sessões de psicoterapia. "Ele era um homem violento. Era claro que ele não deveria ter o aval para porte de arma", lamentou a jovem.
Entenda o caso
O casal foi encontrado sem sinais compatíveis com a vida na manhã do último sábado (16/5), em São Sebastião. No Condomínio Mansões Parque Brasília, o Corpo de Bombeiros do DF encontrou a vítima morta após três disparos de arma de fogo. Josimar cometeu suicídio logo depois de matar a esposa, sendo encontrado pela corporação com marcas de tiro na cabeça.
Cláudia é a sétima vítima de feminicídio no DF somente neste ano.
Saiba onde e como pedir ajuda
Veja abaixo como e onde pedir ajuda no Distrito Federal em caso de violência doméstica
- Ligue 190: Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Uma viatura é enviada imediatamente até o local. Serviço disponível 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.
- Ligue 197: Polícia Civil do DF (PCDF). E-mail: [denuncia197@pcdf.df.gov.br (mailto:denuncia197@pcdf.df.gov.br). WhatsApp: (61) 98626-1197. Site: [https://www.pcdf.df.gov.br/servicos/197/violencia-contra-mulher](https://www.pcdf.df.gov.br/servicos/197/violencia-contra-mulher)
- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, canal da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres. O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes, além de reclamações, sugestões e elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento. A denúncia pode ser feita de forma anônima, 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.
- Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam): funcionamento 24 horas por dia, todos os dias.
