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Brasília é a capital mais segura do país, diz Secretário de Segurança

Secretário de Segurança Pública do DF citou, entre as ações, o impacto da mudança no horário de funcionamento das distribuidoras de bebidas e as novas diretrizes para abordagens policiais a pessoas em situação de rua

Em entrevista ao CB.Poder — parceria entre Correio e TV Brasília — nesta quarta-feira (20/5), o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Alexandre Patury, celebrou o fato de Brasília liderar a lista do Ministério da Justiça (MJSP) como a cidade mais segura do país em relação a crimes letais. Às jornalistas Mariana Niederauer e Mila Ferreira, o secretário atribuiu o resultado positivo à integração entre as forças de segurança e ao uso intensivo de tecnologia. 

Entre esses destaques, o chefe da pasta citou o impacto da mudança no horário de funcionamento das distribuidoras de bebidas e as novas diretrizes para abordagens policiais a pessoas em situação de rua na redução dos índices de criminalidade. Além disso, Patury anunciou que o programa DF 360 prevê a expansão do monitoramento da capital para até 10 mil câmeras conectadas até o fim deste ano. "A Secretaria de Segurança Pública faz parte apenas de uma engrenagem", afirmou.

Segundo ele, o bom desempenho na segurança é fruto da atuação conjunta da Polícia Militar (PMDF), da Polícia Civil (PCDF), do Corpo de Bombeiros (CBMDF), do Departamento de Trânsito (Detran-DF), da Defesa Civil, da Polícia Penal e dos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs). "Esse é o segredo do sucesso. É operação todos os dias, com integração, tecnologia e participação da população."

Monitoramento

Um dos principais projetos citados pelo secretário foi o DF 360, sistema de monitoramento que integra câmeras públicas e privadas em uma única plataforma com recursos de inteligência artificial e reconhecimento facial. Patury informou que o sistema já reúne 2.043 câmeras e deve alcançar 10 mil até o fim de 2026, podendo chegar a 20 mil em um cenário mais otimista.

"Nós vamos fazer um verdadeiro cercamento virtual do Distrito Federal. Quando um crime acontece, o sistema localiza automaticamente as câmeras mais próximas e rastreia o trajeto do suspeito. Com isso, tenho certeza de que a criminalidade vai cair ainda mais."

O secretário fez um apelo para que moradores, comerciantes e empresas de segurança privada compartilhem suas imagens com o governo. "Segurança pública é dever do Estado, mas responsabilidade de todos", reforçou. Segundo ele, apenas câmeras voltadas para áreas externas podem ser integradas ao sistema, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.

"Tudo é rastreável. O acesso é feito com Gov.br, vinculado ao CPF do usuário, e somente órgãos autorizados, como polícia, Ministério Público e Judiciário, podem utilizar essas imagens", pontuou. 

Gestão de dados

Alexandre Patury também destacou os efeitos da portaria que restringiu o funcionamento de distribuidoras de bebidas entre meia-noite e 6h. A medida foi adotada após estudos estatísticos identificarem forte correlação entre esses estabelecimentos e ocorrências criminais.

"Após a implementação da portaria, houve redução de 70% dos homicídios e praticamente de todos os crimes relacionados àquelas áreas", afirmou. "Há um trabalho de gestão e análise de dados por trás dessa decisão."

Outra iniciativa apontada pelo secretário como decisiva foi a portaria que orienta policiais a abordarem pessoas em situação de rua quando houver fundada suspeita de porte de facas ou outros objetos que possam representar risco.

Patury destacou que a medida "fala o óbvio", ao reforçar procedimentos já previstos na legislação, e relatou que, apenas na primeira semana de vigência, 53 facas foram apreendidas no Setor Comercial Sul. "Depois dessa portaria, praticamente não houve mais mortes no Plano Piloto envolvendo moradores em situação de rua. Estamos aqui para protegê-los, porque muitos acabam sendo as principais vítimas", acrescentou. 

Violência doméstica

Ao comentar os casos de feminicídio, o secretário classificou o tema como uma de suas maiores preocupações e citou o programa Viva Flor como uma das principais ferramentas de proteção às mulheres. "Mais de 3 mil mulheres passaram pelo programa e nunca perdemos nenhuma", declarou.

Para o secretário, o enfrentamento à violência doméstica exige atuação integrada entre segurança pública, saúde, assistência social e políticas voltadas às mulheres.

No encerramento da entrevista, Patury disse que a meta do governo é manter o DF na liderança nacional em segurança pública. "Falei para a governadora Celina Leão que vamos nos agarrar a essa primeira posição", declarou. "Nos ajudem, porque vamos fazer de Brasília o melhor lugar do país para viver."

Veja a entrevista na íntegra: 

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