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Comércio prevê alta de até 9,7% nas vendas de TVs para a Copa do Mundo

Levantamento do Sindivarejista mostra que crescimento é maior do que o registrado na última Copa. Maioria dos lojistas também está mais confiante no desempenho das vendas antes e durante o Mundial de futebol

A menos de três semanas da Copa do Mundo, quem não quer renovar a sala de casa, com televisores novinhos? O comércio está otimista. Um levantamento do Sindivarejista estima aumento de, ao menos, 8,4% na venda de TVs, podendo chegar a 9,7%. O valor é maior do que o registrado na Copa de 2022 (6,2%).

De acordo com a pesquisa, os preços dos aparelhos variam de R$ 1.109 a R$ 17.099. Uma sondagem recente realizada pelo Instituto Fecomércio-DF aponta que 85% dos lojistas estão mais confiantes no desempenho das vendas nesta edição do torneio em comparação com grandes eventos esportivos anteriores, como as Olimpíadas e a Copa do Mundo de 2022.

Publicado nessa segunda-feira (25/5), o levantamento — que ouviu proprietários e gerentes de 211 empresas entre os dias 12 e 16 de maio — revela que a expectativa de faturamento é positiva para a grande maioria: enquanto 43% dos entrevistados esperam um crescimento entre 10% e 20% nas vendas, outros 34,6% projetam uma alta superior a 20%. No topo dos segmentos com maior potencial, o setor de eletrônicos aparece como uma das principais forças econômicas, superado apenas pelo mercado de bebidas.

Para atrair o torcedor disposto a investir em uma tela nova, 78% dos comerciantes do DF pretendem adotar estratégias de vendas específicas para a Copa, e 55,83% desse total já iniciaram as ações voltadas para o período. Entre as principais apostas das lojas estão a oferta de promoções especiais, a decoração temática dos estabelecimentos e a criação de kits ou combos de produtos.

O esforço do varejo faz sentido quando observado o comportamento do bolso do brasiliense: de acordo com a pesquisa, o ticket médio estimado para o segmento de eletrônicos e eletrodomésticos chega a R$ 1.990 por cliente, figurando como o segundo maior gasto projetado para o período, atrás apenas das agências de viagens.

A gerente da unidade de uma grande rede de varejo, Diana Machado, conta que a expectativa da loja é aumentar em cerca de 40% a procura por TVs em todos os tamanhos em relação a outras épocas do ano. Nas telas maiores, de 65 até 98 polegadas, a demanda mais que dobra antes e durante o campeonato. "O público busca uma experiência mais imersiva", explica.  

Marcelo Jaguar, 47 anos, é um dos clientes animados para assistir à Seleção brasileira na nova televisão. Ele foi com a esposa e os filhos comprar um aparelho de 32 polegadas para o quarto, aproveitando as ofertas especiais da Copa. O casal tem cinco filhos, todos fãs de futebol. Cada um torce para um time diferente, mas no dia de estreia dos brasileiros, 13 de junho, todos vão se reunir para torcer juntos. "Vamos fazer pipoca, pedir uma pizza e deitar na cama todos juntos para assistir ao primeiro jogo. Independentemente se o Brasil for bem ou mal, o importante é torcer a favor", conta.

A estudante Giovana Botelho, 19, foi às compras com a família atrás de uma televisão de 32 polegadas. Ela mora com o pai, avó e a tia, e conta que a expectativa é reunir parentes e amigos para assistir ao primeiro jogo do Brasil. "Já estamos organizando o churrasco. Quem sabe dessa vez o hexa vem", diz.

Davi Pereira CB/DA Press -
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Fotos: Davi Pereira CB/DA Press -
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Aposta na tecnologia

A grande aposta tecnológica dos fabricantes para fisgar o cliente disposto a gastar mais em 2026 é a consolidação dos novos processadores. "A inteligência artificial já é uma realidade no nosso dia a dia. Nos televisores, ela basicamente consegue ajustar de forma automática a imagem e o som em tempo real, otimizar o consumo de energia e aprender os hábitos do usuário, como o nível de brilho ideal e a adaptação acústica do ambiente. Isso entrega muito mais eficiência", explica Walter Flores, especialista em tecnologia e CEO da Flit.

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Segundo Flores, o avanço desses recursos resolve problemas práticos que antes incomodavam quem assistia a transmissões esportivas. "São imagens otimizadas de acordo com a preferência do usuário e com o sinal recebido. Daqui para frente, o consumidor nem vai mais perguntar se o produto tem IA, porque isso será algo esperado, assim como hoje esperamos que uma TV tenha internet. Quando a tecnologia resolve problemas reais na sala de casa, ela vira um fator decisivo de escolha", aponta.

O gerente de operações da unidade de uma rede de supermercados, José Alves Fagundes, nota que um dos diferenciais mais procurados pelo público é a vantagem tecnológica. A TV com inteligência artificial, por exemplo, atrai clientes devido a sua praticidade. "Muita gente vem à procura dessas ferramentas que facilitam a vida, como o comando de voz", detalha.

Planejamento

Se a tecnologia atrai, a facilidade do crédito pode se tornar uma armadilha caso não haja planejamento. Diante do orçamento familiar apertado, o parcelamento longo costuma ser a saída mais utilizada para viabilizar a compra, mas economistas alertam para o risco do consumo puramente emocional. Newton Marques, economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), explica que a empolgação com o Mundial costuma nublar o julgamento financeiro.

Para evitar que a festa do futebol se transforme em inadimplência no segundo semestre, Marques sugere um teste prático antes de passar o cartão de crédito. "A recomendação é usar a regra dos três 'sim'. O consumidor deve se perguntar: 'Eu realmente estou precisando desse produto agora? Se sim, ele cabe no planejamento financeiro do meu dinheiro ao longo dos próximos meses? Se sim, tem que ser exatamente neste momento ou dá para esperar um pouco mais? Caso a resposta for não para qualquer uma delas, recue", orienta.

O professor reforça que a melhor alternativa é sempre o pagamento à vista, mas, caso a opção seja o carnê ou o cartão, o cuidado deve ser redobrado. "Se for parcelar, o consumidor deve fugir dos juros embutidos e ter a certeza de que terá o dinheiro para pagar a fatura no vencimento. Rolar a dívida no rotativo do cartão é o pior cenário possível para o orçamento familiar", alerta.

*Colaborou Manuela Sá, estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates

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