
Foragido desde abril de 2025, Matheus Fernandes Macedo, integrante do Comboio do Cão (CDC) e acusado do duplo homicídio que tirou a vida de Thais Cristinnie Lopes, 24 anos, e Walisson Matheus Fagundes, 27, morreu em um confronto com policiais militares em Buritinópolis, em Goiás, na madrugada desta quinta-feira (4/6).
O paradeiro do faccionado era incerto desde o dia em que os corpos de Thaís e Walisson foram encontrados dentro de uma Hilux, na Ponte Alta Norte do Gama, em 21 de abril do ano passado (leia O caso).
À época da operação de buscas por Matheus, principal suspeito das mortes, policiais encontraram uma caminhonete usada por ele para a fuga, uma Hilux branca. O veículo estava escondido em uma casa de Águas Lindas, residência onde Matheus também permaneceu escondido por alguns dias.
Nesta madrugada, uma operação conjunta entre policiais militares do DF e de Goiás identificou e localizou o faccionado no município goiano. Segundo as corporações, Matheus resistiu e trocou tiros com as equipes. Ele foi baleado e morreu. Além do veículo usado por ele, uma Hilux, foram apreendidos duas armas de fogo e uma moto.
O caso
Thais e Wallisson foram mortos a tiros durante um confronto entre Matheus (namorado de Thais) e dois outros homens identificados como Vinícius Rocha Umbelino e Antônio Marcos Sampaio Dias. A briga ocorreu na madrugada de segunda-feira e começou no bar Kariok, na M Norte, em Taguatinga. No estabelecimento, Matheus, Vinícius e Antônio protagonizaram uma discussão e chegaram a se agredir.
Vinícius e Antônio deixaram o bar em um Palio branco e seguiram para um outro evento em Ceilândia, na QNN 6/8. Decidido a se vingar, Matheus saiu do local em uma Hilux prata junto à Thais e Wallisson para ir ao encontro de Vinícius. Na entrequadra, os dois trocaram tiros, que acertaram Thais e Wallisson. Os jovens morreram na hora e Vinícius e Antônio foram baleados. Eles foram socorridos e levados ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC), onde estão sob escolta policial e tiveram as prisões decretadas pela Justiça.
Após esse episódio, inicia-se o plano de fuga de Matheus. Depois de dirigir por mais de 20 minutos até a Ponte Alta Norte do Gama, o criminoso abandona a Hilux, entra no segundo veículo e segue para destino incerto, a princípio para Águas Lindas.
Antecedentes
O Correio apurou que Matheus é investigado em uma série de ocorrências. Entre elas, a execução de Mateus Mamedes, 27, morto a tiros em 18 de março do ano passado na QNM 8 de Ceilândia. Mamede pretendia entrar para o ramo musical. No Instagram, acumulava mais de cinco mil seguidores e chegou a gravar vídeos com alguns MC’s.
Na ocasião, Mamedes estava em frente ao bar quando os autores o surpreenderam a tiros. Uma testemunha contou, em depoimento à Polícia Civil (PCDF), que estava no balcão do estabelecimento quando ouviu os disparos. Por ser militar da reserva, sacou a arma e disparou contra o grupo de, ao menos, quatro pessoas.
Os criminosos teriam revidado os tiros. O militar se abrigou atrás de um veículo e não foi atingido. Mateus morreu na hora e o grupo fugiu em um carro. A reportagem descobriu que o acusado Matheus teria discutido com a vítima momentos antes do crime e voltado para executá-lo na companhia de outros homens, incluindo Washington Castro Souza — já preso pela polícia.
Circula no meio algumas mensagens de desabafo de conhecidos de Matheus. Uma delas, que o criminoso teria sido o responsável de denunciar à polícia o paradeiro de Washington para se “safar” do homicídio. Os relatos apontam ainda para o envolvimento do suspeito em outros dois assassinatos do Setor O.
Em um suposto áudio gravado por um rival de Matheus e enviado a ele logo após o duplo homicídio dos jovens, o homem, que se intitula faccionado do Comboio do Cão, o ameaça. “Tu matou meu soldado agora. Tu arrumou um problema para a tua vida cabulosa. Tu pode se enfiar no buraco. Eu vou encher sua cara de bala. Tu não respeitou o crime, agora quero ver se você é bandido mesmo. Eu vou estourar você e quem tiver nesse problema aí. Tu matou meu soldado”, declara. O áudio também é analisado pela polícia.

Cidades DF
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