Cultura

Ofício de raizeiros e raizeiras é reconhecido como patrimônio cultural

As técnicas praticadas pelos raizeiros denotam forte valorização da medicina tradicional e popular, cujas origens existem desde antes do período colonial brasileiro

Os raizeiros são responsáveis pela preparação de remédios naturais e detêm saberes tradicionais sobre o Cerrado -  (crédito: Gov/Divulgação)
Os raizeiros são responsáveis pela preparação de remédios naturais e detêm saberes tradicionais sobre o Cerrado - (crédito: Gov/Divulgação)

O manejo ancestral de plantas e a preservação de conhecimentos transmitidos pela oralidade no ofício de raizeiros e raizeiras foram reconhecidos como Patrimônio Cultural do Brasil. O dossiê elaborado pela conselheira e quilombola Vercilene Francisco Dias foi analisado por especialistas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que compreenderam os saberes dos raizeiros como práticas que expressam a identidade, o cotidiano e a memória desse grupo, constituindo um bem social de relevante valor histórico.

Nessa quinta-feira (11/6), o dossiê foi apresentado e discutido pelo colegiado, composto por representantes do governo e especialistas da área de patrimônio cultural. O documento reúne relatos de raizeiros e raizeiras que atuam em todas as etapas do processo, desde a preparação dos remédios caseiros até a transmissão dos conhecimentos tradicionais. Elas se enquadram nos critérios de boas práticas, abrangendo desde a coleta das plantas até a chegada dos produtos ao consumidor final.

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A matéria-prima é colhida, exclusivamente, em matas e quintais, passando posteriormente por processos de lavagem, fracionamento, secagem e armazenamento. No parecer técnico sobre o processo de registro do Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado, destaca-se que esses profissionais se preocupam não apenas com a higiene física, mas também com a dimensão espiritual dos insumos, dos instrumentos e dos ambientes onde os remédios são preparados.

O presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, destacou a importância dos povos e comunidades tradicionais para a preservação do patrimônio cultural brasileiro. Segundo ele, esses grupos atuam como guardiões da memória e dos bens culturais protegidos e valorizados pela instituição há quase 90 anos. Além disso, mantêm vivos conhecimentos transmitidos por meio da oralidade e da vivência cotidiana de seus integrantes.

 

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postado em 12/06/2026 14:32
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