
Há 15 anos, Abel Paiva, 38 anos, travava uma batalha contra a dependência química. Entre internações e passagens pelo sistema prisional, buscava o recomeço. Na última segunda-feira, saiu da casa de recuperação Base Missionária Restauração, em Planaltina de Goiás, para acertar detalhes da contratação de um emprego na prefeitura. Na madrugada, foi assassinado a facadas em uma parada de ônibus.
Abel ganhou a liberdade há cerca de um mês, mediante uso da tornozeleira eletrônica. Nesse tempo, visitou a clínica e participava das programações da casa: clube de leitura, cultos, devocionais, entre outros.
Como o novo emprego exigia a prestação do serviço aos sábados, Abel precisou solicitar à Justiça a liberação. Saiu cedo da clínica e deveria retornar às 12h, o que não ocorreu. Às 22h, os funcionários da casa de recuperação e os familiares de Abel começaram a se preocupar com a demora.
A notícia trágica só chegou pela manhã, às 5h. A mãe de Abel avisou às equipes da clínica que o filho havia sido assassinado próximo a uma parada de ônibus, a cerca de 30 minutos da clínica. O caso é investigado pelo Grupo de Investigação de Homicídios de Planaltina (GIH), que apura a autoria e a motivação do crime.
Base Missionária
Fundada em 1998, a Base Missionária Restauração atende, de forma gratuita e voluntária, 25 pessoas. A capacidade é para 30. Segundo o presidente da casa, Rafael Gonçalves, cerca de 80% dos pacientes são pessoas em situação de rua e com dependência química.
O processo de recuperação dura um ano. Depois de três meses, os acolhidos podem participar de saídas terapêuticas. Aos seis meses, conquistam o direito de trabalhar e visitar familiares. Ao final do tratamento, recebem alta, abrindo vagas para novos internos.

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