
Por Manuela Sá*
Após a publicação da primeira rodada da pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política, que avalia a intenção de voto dos eleitores brasilienses, Alexandre Garcia, diretor do instituto responsável pela sondagem, analisou os dados, ontem, em entrevista ao CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Aos jornalistas Ana Maria Campos e Carlos Alexandre de Souza, Garcia disse que é provável um segundo turno com a governadora Celina Leão (PP) na disputa para o Palácio do Buriti. Para o Senado, candidatos pouco conhecidos e com pouca rejeição têm chances de crescer durante a campanha.
O que significam os números que foram apresentados em relação à disputa ao governo do Distrito Federal?
O resultado trouxe algumas surpresas. Temos Celina Leão largando na frente e José Roberto Arruda (PSD) bem posicionado em segundo lugar. Para Leandro Grass (PT), tínhamos expectativas de que ele viesse um pouco melhor, mas ele está antes dos dois dígitos. São resultados interessantes para uma primeira rodada da nossa pesquisa.
Celina aparece em primeiro lugar apesar de uma rejeição alta. Inclusive, rejeição é um problema de todos os candidatos. É isso?
Normalmente os candidatos têm alta rejeição, mas não a achei alta assim. Temos alguns personagens que estão com um cenário de rejeição mais alto. Para o Senado, Ibaneis Rocha (MDB) parte de uma rejeição alta (54,6%), mas os candidatos estão todos posicionados entre 30% e 40%. Achei relativamente baixa para uma largada.
Mesmo o Arruda, que veio do desgaste da Operação Caixa de Pandora e que está há 16 anos fora da política, não teve uma rejeição tão alta como a de Ibaneis. Como o senhor avalia isso?
Esse efeito das questões que envolvem o Arruda já se dispersou entre os eleitores. A questão hoje é muito mais se ele vai ou não poder concorrer. Para o eleitor, especialmente o insatisfeito com a situação atual, Arruda volta a ser uma possibilidade.
Se a eleição fosse hoje, a pesquisa nos mostra que teríamos um segundo turno entre Celina e Arruda. Considera que ainda é cedo para falar que o cenário está consolidado?
Ainda é cedo, especialmente por causa das incertezas em torno da candidatura de Arruda. Parece claro que a gente deve ter um segundo turno. Resta saber quem vai ser o segundo nessa posição. Celina, muito provavelmente, vai seguir. As decisões em torno da candidatura de Arruda vão definir o rumo dessa segunda posição ou a intensidade com que Celina pode fechar o primeiro turno. Se Arruda permanecer no pleito e for, de fato, candidato, os dois muito provavelmente devem disputar essa vaga.
Pela pesquisa, o eleitor está conectado com as eleições?
Ainda não. Para governador, em função de ser um cargo executivo e estar presente no dia a dia das pessoas, elas estão mais envolvidas. Para outros cargos, ainda tem muita coisa para acontecer, especialmente deputado distrital e federal. É muito cedo ainda. O percentual de pessoas que não sabem avaliar qual é o seu candidato é muito grande. Chega a mais de 70% para o cargo de deputado.
Esse número que foi apresentado de brancos e nulos, de 16,7%, está dentro do esperado?
É dentro do esperado para a distância que a gente está da eleição. Acho até que deveria ter vindo um pouco maior. O debate muito intenso fez com que as pessoas se posicionassem mais cedo. Esses percentuais tendem a diminuir próximo do pleito.
Como o senhor avalia o cenário para o Senado?
Primeiro, a gente precisa definir quem, de fato, vai ser candidato nas próximas eleições. Michelle Bolsonaro (PL) sai muito bem nessa largada. Se mantiver essa candidatura, ela tem grandes chances de ser eleita. A segunda vaga fica na disputa dos outros participantes ao pleito. Leila do Vôlei (PDT) está muito bem posicionada. Eu, que não tinha ainda uma percepção em torno dela, fiquei bastante impressionado com a performance. Mas a gente tem alguns candidatos que não performaram muito bem que têm chances de crescer nessa campanha, porque têm baixa rejeição e são desconhecidos do eleitor. Então, à medida que forem se tornando mais conhecidos, têm grandes chances de performar bem.
A rejeição alta do ex-governador Ibaneis Rocha inviabiliza uma eleição para o Senado?
É difícil dizer, porque depende da composição de quem serão os reais candidatos naquele momento. Tudo pode acontecer.
Assista à entrevista
*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira
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