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Justiça interroga técnicos de enfermagem acusados de matar pacientes

Audiência de instrução e julgamento marca a reta final da produção de provas no Tribunal do Júri de Taguatinga. Réus prestam depoimento por último

O Tribunal do Júri de Taguatinga realiza, a partir das 9h desta segunda-feira (8/6), uma etapa decisiva no processo contra os três técnicos de enfermagem acusados de matar três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta. A sessão prevê a oitiva de nove testemunhas e o interrogatório dos réus Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa, 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22.

Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), os acusados devem prestar depoimento por último e não há previsão de horário para o encerramento dos trabalhos. Esta segunda-feira representa o último dia desta etapa processual.

Será preciso aguardar a conclusão dos trabalhos de hoje para avaliar a necessidade de agendamento de novas oitivas, e ainda não há uma data prevista para a prolação da sentença, conforme o TJDFT. O processo analisa a conduta dos profissionais, que teriam agido sob a justificativa de que as vítimas "davam muito trabalho". Os crimes ocorreram em dezembro de 2025 e vitimaram Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, João Clemente, 63, e Marcos Moreira, 33.

Rito legal

A audiência de instrução e julgamento é a fase do processo penal em que o juiz reúne as provas orais necessárias para fundamentar sua decisão. Durante esse ato, são ouvidas as pessoas indicadas pela acusação (Ministério Público) e pela defesa, além dos peritos, se houver necessidade.

A ordem de depoimentos segue um rito legal rígido: primeiro falam as vítimas (quando sobreviventes), depois as testemunhas de acusação, seguidas pelas testemunhas de defesa e, somente ao final, os réus são interrogados, garantindo o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório após tomarem conhecimento de tudo o que foi dito contra eles.

Após o encerramento definitivo desta fase de instrução, o processo penal avança para a etapa das alegações finais, momento em que o Ministério Público e os advogados de defesa apresentam seus últimos argumentos escritos ou orais com base nas provas produzidas.

Em seguida, por se tratar de um crime doloso contra a vida, o juiz plantonista emitirá uma sentença de pronúncia ou impronúncia. Caso sejam pronunciados, o magistrado determinará que os técnicos de enfermagem enfrentem o julgamento popular perante o Tribunal do Júri, onde jurados civis decidirão pela condenação ou absolvição dos envolvidos.

Relembre o caso

A investigação que chocou o DF teve início na véspera do Natal de 2025, após a Comissão de Óbitos do Hospital Anchieta identificar inconsistências e indícios de homicídio nos leitos da UTI. Auditorias internas cruzaram prontuários médicos e registros de câmeras de segurança, flagrando movimentações suspeitas do trio. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), deflagrou a operação que resultou na prisão temporária dos suspeitos em janeiro deste ano.

Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as substâncias letais sem prescrição. Inicialmente, ele negou os fatos, mas confessou a conduta após ser confrontado com os vídeos que o mostravam utilizando o computador médico para obter acesso ao sistema e aplicando os fármacos. À época, os delegados do caso destacaram a frieza dos investigados diante das imagens.

Marcela alegou que sabia do potencial letal da substância, mas justificou ter sentido medo de intervir. Já Amanda, filmada vigiando a porta do leito durante as aplicações de Marcos, optou por permanecer em silêncio durante os interrogatórios policiais.

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