
O lançamento do Projeto Orfeu pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), nesta quinta-feira (2/7), marca o início de uma força-tarefa voltada para solucionar casos históricos de desaparecimentos e reanalisar dados biométricos de cadáveres não identificados nos últimos 30 anos. A delegada Karen Lankamer, da Divisão Integrada de Atendimento à Mulher (DIAM) e ponto focal da iniciativa, destacou o papel social da ação durante a solenidade no Instituto de Identificação.
"Entrei na segurança pública como papiloscopista e aprendi que a impressão digital traz toda uma história", pontuou a delegada. "O Projeto Orfeu demonstra que a missão da Polícia Civil não é só uma investigação criminal, mas principalmente devolver identidade, história e humanidade para as famílias. A maior dor nem sempre é a perda, mas muitas vezes é a ausência de uma notícia."
A reanálise do acervo é viabilizada pelo cruzamento de biometrias antigas com sistemas tecnológicos modernos e integrados a bancos de dados locais e federais. O diretor do Departamento de Polícia Técnica (DPT), Raimundo Cleverland, enfatizou que o avanço tecnológico atua diretamente na esfera humanitária.
"O comprometimento dessa equipe é que vai permitir, juntamente com o eixo da tecnologia, desmobilizar esse momento de sofrimento e de angústia infinita das famílias", apontou Cleverland. Ele explicou que, embora o desejo seja dar notícias diferentes, o processo permite "promover o encerramento de um momento de luto".
Representando a Delegacia-Geral, a chefe de gabinete Viviane Bonato relembrou um caso marcante de 2007 para ilustrar o impacto psicológico da falta de respostas. "Enquanto a gente não tem essa formalidade, parece que vivemos aquela dor diariamente, nunca termina", relatou, destacando que, das 409 ocorrências mapeadas, 118 identidades já foram recuperadas.
"Espero que agora, com essa ação, a gente localize, inclusive mulheres desaparecidas, vítimas de feminicídio. Foram casos antigos, mas certamente vão estar dentro desses 30 anos a serem monitorados", completou Viviane.
O encerramento desses ciclos conta com uma rede que envolve outras estruturas de governo e registradores do DF. O secretário-executivo de Relações Institucionais, Mauro Oliveira, representando a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), ressaltou os altos índices de resolução de desaparecidos na capital e o peso emocional de contatar as famílias.
Em suporte logístico e de localização, o secretário de Justiça e Cidadania (Sejus), Jaime Santana de Sousa, colocou a Subsecretaria de Assuntos Funerários e Cemiteriais à disposição para ajudar a mapear os sepultamentos.
Na ponta final do atendimento, a Associação dos Notários e Registradores do DF (Anoreg-DF) atuará na regularização documental de forma gratuita. O presidente da entidade, Allan Nunes Guerra, informou que os 14 cartórios civis locais farão buscas e retificações de certidões diretamente com a Corregedoria, sem necessidade de vias judiciais. "Reconhecemos nesse programa um projeto de paz social e de conforto às famílias", ressaltou Guerra.

Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF