
O impacto de altas temperaturas no desempenho dos jogadores da Copa do Mundo foi o tema do CB.Saúde — parceria entre Correio e TV Brasília. O cirurgião vascular formado na Universidade Federal do Pará (UFPA) Herik Oliveira ressaltou a importância da pausa para a hidratação, que é crucial para evitar desgaste e lesões. Às jornalistas Carmen Souza e Sibele Negromonte, o especialista da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) também comentou sobre a relação entre a idade dos atletas e seus desempenhos e saúdes musculares.
Quais os fatores que mais contribuem para lesões nos jogos desta Copa do Mundo?
Muitos jogadores estão no final da temporada europeia, e isso gera uma sobrecarga no desgaste físico. Outra questão é a condição climática. São altas temperaturas, com alta umidade e isso pode causar algumas condições, como estresse térmico, que aumenta a temperatura central do atleta, fazendo com que ele não transpire da forma adequada e gerando, também, uma sobrecarga no sistema cardiovascular. Essa demanda a mais pode ocasionar fadiga mais precoce e quadro de desidratação, que favorece cãibra e lesões musculares.
Uma polêmica recente do campeonato da Fifa é a pausa da hidratação. Ela é essencial para a preservação do jogador?
Ter essa pausa é fundamental em cada tempo. Beber bastante água, fazer a reposição de sais minerais com bebidas isotônicas e fazer o resfriamento do atleta, com toalhas molhadas na face e no pescoço, assim como utilizar coletes de gelo para o corpo, ajuda a diminuir a temperatura central do jogador. Também é necessário fazer o processo que chamamos de aclimatação, ou seja, chegar alguns dias antes para deixar o corpo do atleta se adaptar ao clima da região. O período ideal para esse processo é de sete dias.
A duração longa dos jogos, especialmente com prorrogação e pênaltis, gera uma sobrecarga nos corpos dos jogadores?
Isso tem um efeito em relação a aumentar a possibilidade de lesões, porque o atleta está em um alto rendimento, fazendo um exercício de alta intensidade, em condições climáticas adversas e exposto a muito contato durante o jogo. Quanto mais tempo exposto a essa condição, o quadro de desidratação aumenta e, consequentemente, aumenta o risco de problemas musculares.
No caso dos torcedores, além dos cuidados com a temperatura, quais outros cuidados?
Muitos turistas vão encarar longos voos na volta para a casa. Há estudos que falam que, a partir de seis horas de qualquer viagem, aumenta-se o risco de doenças vasculares como trombose venosa. O uso de meia elástica, prescrita pelo médico, pode ser utilizada na viagem para reduzir esse risco. Outra recomendação, se possível, sempre levantar e andar e fazer movimentos de flexão e extensão dos pés e tornozelos para ativar a bomba muscular dos pés e, principalmente, a bomba muscular da panturrilha, que é conhecida como nosso segundo coração.
Pensando na Copa do Mundo feminina, que acontece em 2027 no Brasil, existe alguma diferença entre mulheres e homens em relação a complicações vasculares?
Devido a condições hormonais, as mulheres estão mais suscetíveis a algumas doenças vasculares, como varizes e o lipedema. É muito mais comum varizes em mulheres do que em homens. Sobre o lipedema, apenas 1% dos homens é atingido. Essa gordura acumulada pelo lipedema é uma inflamação crônica, nem sempre ela é eliminada com dieta e exercício físico. Ela também vem acompanhada de dores, inchaço, aumenta a sensibilidade ao toque e há a presença de equimose e manchas no rosto de forma espontânea.
A descoberta tardia prejudica o tratamento?
O diagnóstico precoce ajuda muito no resultado, entretanto, mesmo com o diagnóstico tardio, há tratamento, apesar de não ter uma cura. Na maioria dos casos, é necessário cirurgia para que o paciente consiga manter um tratamento clínico. É uma cirurgia relativamente simples. É importante mencionar que o médico não consegue tratar o lipedema sozinho, é necessário de um nutricionista para fazer uma dieta específica, um profissional de educação física para orientar sobre o tipo de exercício que precisa ser feito, que geralmente são de baixo impacto como yoga, pilates, musculação e atividades aquáticas.
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