Entrevista | HERIK OLIVEIRA | cirurgião vascular

Alta temperatura na Copa traz riscos e desgaste para atletas

Ao CB.Saúde, o angiologista explicou que os jogadores precisam da pausa da hidratação para evitar desgastes na Copa do Mundo. Além disso, ele também fala dos cuidados que torcedores devem ter para evitar desidratação e doenças vasculares

Segundo o cirurgião vascular Herik Oliveira, os jogadores precisam da pausa da hidratação para evitar desgastes durante a partida
 -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Segundo o cirurgião vascular Herik Oliveira, os jogadores precisam da pausa da hidratação para evitar desgastes durante a partida - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O impacto de altas temperaturas no desempenho dos jogadores da Copa do Mundo foi o tema do CB.Saúde — parceria entre Correio e TV Brasília. O cirurgião vascular formado na Universidade Federal do Pará (UFPA) Herik Oliveira ressaltou a importância da pausa para a hidratação, que é crucial para evitar desgaste e lesões. Às jornalistas Carmen Souza e Sibele Negromonte, o especialista da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) também comentou sobre a relação entre a idade dos atletas e seus desempenhos e saúdes musculares.

Quais os fatores que mais contribuem para lesões nos jogos desta Copa do Mundo?

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Muitos jogadores estão no final da temporada europeia, e isso gera uma sobrecarga no desgaste físico. Outra questão é a condição climática. São altas temperaturas, com alta umidade e isso pode causar algumas condições, como estresse térmico, que aumenta a temperatura central do atleta, fazendo com que ele não transpire da forma adequada e gerando, também, uma sobrecarga no sistema cardiovascular. Essa demanda a mais pode ocasionar fadiga mais precoce e quadro de desidratação, que favorece cãibra e lesões musculares.

 

Uma polêmica recente do campeonato da Fifa é a pausa da hidratação. Ela é essencial para a preservação do jogador?

Ter essa pausa é fundamental em cada tempo. Beber bastante água, fazer a reposição de sais minerais com bebidas isotônicas e fazer o resfriamento do atleta, com toalhas molhadas na face e no pescoço, assim como utilizar coletes de gelo para o corpo, ajuda a diminuir a temperatura central do jogador. Também é necessário fazer o processo que chamamos de aclimatação, ou seja, chegar alguns dias antes para deixar o corpo do atleta se adaptar ao clima da região. O período ideal para esse processo é de sete dias. 

 

A duração longa dos jogos, especialmente com prorrogação e pênaltis, gera uma sobrecarga nos corpos dos jogadores?

Isso tem um efeito em relação a aumentar a possibilidade de lesões, porque o atleta está em um alto rendimento, fazendo um exercício de alta intensidade, em condições climáticas adversas e exposto a muito contato durante o jogo. Quanto mais tempo exposto a essa condição, o quadro de desidratação aumenta e, consequentemente, aumenta o risco de problemas musculares. 

 

No caso dos torcedores, além dos cuidados com a temperatura, quais outros cuidados?

Muitos turistas vão encarar longos voos na volta para a casa. Há estudos que falam que, a partir de seis horas de qualquer viagem, aumenta-se o risco de doenças vasculares como trombose venosa. O uso de meia elástica, prescrita pelo médico, pode ser utilizada na viagem para reduzir esse risco. Outra recomendação, se possível, sempre levantar e andar e fazer movimentos de flexão e extensão dos pés e tornozelos para ativar a bomba muscular dos pés e, principalmente, a bomba muscular da panturrilha, que é conhecida como nosso segundo coração. 

 

Pensando na Copa do Mundo feminina, que acontece em 2027 no Brasil, existe alguma diferença entre mulheres e homens em relação a complicações vasculares?

Devido a condições hormonais, as mulheres estão mais suscetíveis a algumas doenças vasculares, como varizes e o lipedema. É muito mais comum varizes em mulheres do que em homens. Sobre o lipedema, apenas 1% dos homens é atingido. Essa gordura acumulada pelo lipedema é uma inflamação crônica, nem sempre ela é eliminada com dieta e exercício físico. Ela também vem acompanhada de dores, inchaço, aumenta a sensibilidade ao toque e há a presença de equimose e manchas no rosto de forma espontânea. 

 

A descoberta tardia prejudica o tratamento?

O diagnóstico precoce ajuda muito no resultado, entretanto, mesmo com o diagnóstico tardio, há tratamento, apesar de não ter uma cura. Na maioria dos casos, é necessário cirurgia para que o paciente consiga manter um tratamento clínico. É uma cirurgia relativamente simples. É importante mencionar que o médico não consegue tratar o lipedema sozinho, é necessário de um nutricionista para fazer uma dieta específica, um profissional de educação física  para orientar sobre o tipo de exercício que precisa ser feito, que geralmente são de baixo impacto como yoga, pilates, musculação e atividades aquáticas.

Confira o CB.Saúde na íntegra:

 

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postado em 03/07/2026 01:00
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