OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

Especialistas analisam queda de 63% no valor das ações do BRB

Quase oito meses após o escândalo envolvendo o Banco Master, papéis do Banco de Brasília acumulam desvalorização. Em 17 de novembro de 2025, um dia antes da primeira fase da Operação Compliance Zero, os papéis do banco eram negociados a R$ 8,15. Atualmente, segundo a cotação do próprio BRB, cada ação vale R$ 3,02

Papéis eram negociados a R$ 8,15 em novembro e, agora, valem R$ 3,02 -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
Papéis eram negociados a R$ 8,15 em novembro e, agora, valem R$ 3,02 - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Perto de completar oito meses do escândalo envolvendo operações com o Banco Master, as ações do Banco de Brasília (BRB) acumulam queda de 62,94% desde o início das investigações. Em 17 de novembro de 2025, um dia antes da primeira fase da Operação Compliance Zero, os papéis do banco eram negociados a R$ 8,15. Atualmente, segundo a cotação do próprio BRB, cada ação vale R$ 3,02.

A forte desvalorização reflete diretamente a crise de confiança do mercado após o chamado "Caso Master", avalia Renan Silva, professor de economia do Ibmec Brasília. "Esse movimento do mercado sinaliza um elevado nível de incerteza e desconfiança dos investidores quanto à solvência e à capacidade de recuperação da instituição", afirma. Segundo ele, a falta de transparência financeira agravou o cenário: "A queda acentuada indica que o mercado está tateando no escuro", diz.

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Para tentar reverter o quadro, o banco tem adotado medidas voltadas à melhoria da liquidez e ao fortalecimento da governança, embora o processo seja considerado complexo. "A nova gestão promoveu a venda de cerca de R$ 5 bilhões em carteiras de crédito e realizou negociações de ativos com garantia do Tesouro", explica o especialista. Ele ressalta que, no médio prazo, a recuperação depende de medidas estruturais: "A execução de um plano de capitalização robusto e a conclusão das auditorias financeiras são passos essenciais para 'virar a página'", assinala, ponderando que o sucesso dessas iniciativas está condicionado à aprovação interna e à superação de questionamentos judiciais.

Outro ponto crítico é a ausência das demonstrações financeiras desde junho de 2025, considerada pelo economista como um fator decisivo para a instabilidade. "Sem balanços auditados, o que classifico como gravíssimo, investidores não possuem referência para avaliar a saúde financeira do banco", analisa. Ele alerta que o atraso pode gerar sanções: "O banco enfrenta a possibilidade de multas que podem atingir R$ 3 milhões devido ao descumprimento dos prazos estabelecidos pela CVM e pelo Banco Central".

Economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo explica que o preço das ações reflete a expectativa do mercado em relação ao valor e à capacidade de recuperação da instituição. "As ações costumam ser negociadas acima do valor patrimonial da empresa. Mas, no caso do BRB, como os balanços não foram publicados, o mercado fica tateando no escuro. As ações refletem essa crise, e a tendência é de que ainda sofram novas quedas enquanto esse cenário persistir", afirma.

Na avaliação de Bergo, o processo ainda é cercado de incertezas e a recuperação da confiança dependerá principalmente das decisões do controlador do banco, o Governo do Distrito Federal (GDF).

Caso Master

Em março de 2025, o GDF anunciou a intenção de comprar parte do Banco Master por R$ 2 bilhões. A operação foi rejeitada pelo Banco Central seis meses depois. Em novembro, a Polícia Federal realizou a Operação Compliance Zero para investigar a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro do Master ao BRB. No mesmo dia, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo. Em abril deste ano, foi preso preventivamente. O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, também foi preso, e a instituição foi liquidada pelo Banco Central.

As operações investigadas comprometeram os índices de capital do BRB, levando o banco a apresentar um plano de capitalização ao Banco Central. Para viabilizar a recuperação da instituição, o GDF firmou um acordo homologado pelo STF, que autoriza a contratação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao FGC, com garantia de um consórcio de bancos e contragarantia de recursos dos fundos de participação. Apesar de já ter sido aprovada pela Câmara Legislativa (CLDF), a operação ainda depende da aprovação das instâncias internas do FGC.

Procurado, até o fechamento desta edição, o BRB não comentou a queda nas ações e o atraso nos balanços.

 

Débito automático

O BRB divulgou ontem que os clientes podem solicitar o cancelamento de débito automático vinculado a contratos de crédito. A medida ocorreu após determinação da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). De acordo com mensagem postada no site do BRB, para cancelar ou reativar o débito automático, os clientes devem entrar em contato com o SAC da instituição. O caso teve início em maio, após representação da Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF), que apontou relatos de consumidores impedidos de cancelar o débito automático. Com base na apuração, a Senacon determinou que o BRB divulgasse esse direito e adequasse seus procedimentos internos.

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postado em 07/07/2026 05:00
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