
A pré-candidata ao Senado Leila Barros (PDT) analisou o cenário político no período pré-eleitoral de 2026. Durante o programa — parceria entre Correio e TV Brasília — da última terça-feira (7/7), ela detalhou os planos para a campanha. Sobre a chapa, afirmou que não está definida. Às jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, Leila ressaltou as prioridades da campanha, como proteção às mulheres e a continuidade de propostas ligadas à Lei Anti-stalking. Além disso, a pré-candidata comentou sobre o escândalo do Banco Master e sobre o trabalho de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Congresso e da candidatura de Michelle Bolsonaro (PL) ao Senado.
Quais são as prioridades da sua pré-candidatura?
O ponto central sempre foi e é defender os interesses do Distrito Federal, mantendo o diálogo não apenas com o campo progressista, mas também com outros campos. Independentemente do partido, fui eleita para defender o DF, e é isso que vou fazer. Além disso, continuarei propondo leis e fiscalizando o Estado, além de trazer recursos para o DF. Eu foquei em cuidar das pessoas e vou continuar com isso, assim como continuar com a pauta feminina, que também gosto muito. Entre as coisas que a gente fez, trouxemos diversos projetos em esporte, hip-hop, movimento junino e oferecer ao cidadão lazer, esporte, além de trazer dignidade para a agricultura familiar, que põe comida em nossas mesas.
Muito tem se falado sobre sua chapa, entre Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB). Há alguma definição?
O PDT está no processo de tratativas. Temos conversado muito com a chapa do Grass e do Cappelli, mas temos uma expectativa muito grande de organizar isso. O objetivo é construir uma frente ampla no DF. Existe, também, um componente nacional que tem que ser levado em consideração. Essas tratativas com os dois partidos (PT e PSB), têm conseguido se alinhar em outros estados e caminhar juntos. A minha expectativa é de que isso aconteça aqui (no DF) também. O sabemos é que muitas vezes isso é decidido nos 45 do segundo tempo.
Um dos seus projetos aprovados mais comentados é a Lei Anti-stalking. Como foi o processo para a aprovação dessa lei?
Foi um processo muito importante, porque foi fruto de uma denúncia numa matéria da Rede Globo, sobre uma repórter que estava sendo perseguida durante cinco anos. Depois que apresentamos o projeto, vieram vários outros depoimentos nesse mesmo sentido. Aí, começamos a entender que para o feminicídio acontecer, ele passa por outros processos antes, inclusive o stalking. Tenho muito orgulho desse projeto.
Qual vai ser a força dessa campanha para o Senado?
A verdade vai ser a principal força para essas eleições. O eleitor está cansado de mentiras, de falsas promessas, cansado de candidato se eleger e sumir durante quatro ou oito anos, no caso do Senado. Então, eu acho que o que vai prevalecer é, de fato, a busca dessa verdade, do trabalho desempenhado pelo parlamentar, do que ele realmente fez pela cidade, pela sua região administrativa. No meu mandato, eu busco muito não entrar em um clima de "Fla-Flu", de nós contra eles. Procuro manter uma conduta de diálogo.
A senhora acredita que depois da eliminação do Brasil na Copa, as pessoas vão começar a observar mais a política?
Eu tenho essa expectativa. Muitas pessoas têm me perguntado em relação aos resultados de pesquisas, e eu falo que estou focada nas pessoas, nas figuras que estão comigo nesse plano. Estou centrada em mostrar para as pessoas, para Brasília, o trabalho que a gente desenvolveu nestes últimos anos, que foi muito positivo. O brasiliense, quando realmente quer informação verdadeira, ele pode buscar todas essas informações dentro das minhas redes sociais.
Após a polêmica envolvendo a briga entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, a senhora acha que ela vai manter os planos de concorrer?
Tirando essa briga do âmbito doméstico, acredito que ela manterá a candidatura. Eu acho que ela é um nome forte no campo da direita. Houve essa briga, o campo dela não está feliz com esse desentendimento. Tem um interesse muito grande da atual governadora (Celina Leão) e de outras figuras em torno de Michelle para o Senado. Nas pesquisas, ela também tem figurado bem. Apesar disso, não tenho essa expectativa pela desistência dela, eu foco no meu trabalho.
A senhora que convive mais com o Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, qual é a avaliação que faz da atuação do mandato dele?
O dia a dia na Casa é muito dinâmico, ele e eu também temos que ser muito dinâmicos. São várias comissões e nem todas as que o Flávio atua, eu atuo. Ele tem uma atuação que a gente não vê em todas as comissões, não vê aquela participação efetiva. Por ser presidente da Comissão de Segurança Pública, ele é mais atuante naquela área, cada parlamentar defende muito as suas pautas. Não nos cruzamos muito no dia a dia, mas se ele se candidatou à Presidência, é porque avalia que tem condições para esse cargo e que sua atuação seja satisfatória. Acho importante, assim como o eleitor do DF, que o eleitor do Rio de Janeiro, procure saber o que o candidato está fazendo, não só para o Flávio, mas para todos os parlamentares, inclusive para a nossa bancada.
O PDT, partido ao qual a senhora faz parte, vai apoiar a reeleição do presidente Lula?
O partido está sinalizando em nível nacional o apoio ao presidente Lula. Nos próximos dias, acredito que daqui a 15 dias, vai ter uma convenção. Mas esse apoio está sendo construído nos estados, existe a parceria e a tendência que o PDT esteja com o presidente Lula.
Durante as eleições não tem como escolher adversários, sendo que um aliado pode se tornar seu adversário. No seu caso, a Erika Kokay (PT) que é do seu campo político. Como é que vocês estão trabalhando nisso?
Acho que é algo muito importante que temos trabalhado. O governo federal reconhece a senadora Leila. Eu tenho trabalhado muito a comunicação, tenho reforçado para as bases do campo o meu trabalho e a importância do diálogo. Desse jeito que tenho ganhado espaço e respeito.
Sempre que falamos de política no DF, também falamos de Fundo Constitucional (FCDF). A senhora acredita que esse tema volte a ser pauta?
Estou há sete anos no Senado. Por pelo menos cinco, vivemos esse debate. É um assunto que sempre volta. É uma tarefa obrigatória que todos têm, independentemente do lado político. Isso é importante reforçar. Em propostas para alterar o Fundo Constitucional, não só eu trabalhei, todos do nosso campo e do outro lado também trabalharam. O FCDF sempre vai ser desafiador e, independentemente da bancada, é um compromisso fundamental, porque é esse Fundo que paga as nossas contas, que cuida da saúde, educação e paga as nossas forças de segurança. Mais do que nunca, a defesa do Fundo será importante nesse momento. É com observado como está sendo tratada a questão das contas públicas, mas também do empréstimo de R$ 6,6 bilhões que foi feito (para socorrer o BRB), em que não há transparência.
Outro ponto que terá um grande impacto nessas eleições é o STF. Campos mais à direita querem senadores que possam promover um impeachment aos ministros da instituição. A senhora acredita que isso vai entrar em pauta nessa eleição?
Eu não tenho a menor dúvida. Sou contra qualquer tipo de abuso de poder. Se o abuso do STF for constatado, não vou me omitir de vir para esse fronte e dar as minhas posições. A função de um parlamentar é o debate. Sabemos que houve alguns abusos. Por exemplo, no caso da dosimetria. Votei contra, mas não por orientação, votei por entender que não teve o devido debate. Era muito claro a tentativa de absolver um grupo, não era uma lei ampla.
Assista a entrevista completa:

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