
Manuela Sá*
A menos de 90 dias do primeiro turno das eleições, o aumento de denúncias de assédio eleitoral chama a atenção. Nesta quarta-feira (15/07), em entrevista ao CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — Gláucio Araújo de Oliveira, procurador-geral do Trabalho, disse que o Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou 74 denúncias de assédio eleitoral neste ano. Em 2022, até o fim do primeiro turno, foram registradas 54.
Aos jornalistas Adriana Bernardes e Ronayre Nunes, Oliveira disse que a tendência é de que haja intensificação no assédio por parte de empresários e de gestores públicos para captar votos, uma vez que brasileiros estão saindo do ritmo de Copa e, agora, vão entrar no período eleitoral. Para ajudar na identificação desse crime, o procurador detalhou como ele ocorre, tanto na iniciativa privada quanto na administração pública. De modo geral, a pessoa em cargo de poder demonstra preferência por determinado candidato e exige, sob pena de retaliação, que os funcionários votem nele.
No setor privado, empregadores e superiores hierárquicos ameaçam trabalhadores com demissão, redução salarial e fechamento de unidades. Eles também podem fazer reuniões sobre o assunto, distribuir camisetas e receber visitas de candidatos. Já na administração pública, o servidor pode receber ameaças de ser removido do cargo comissionado, ser realocado ou ser convocado a reuniões para ser convencido em quem votar. Essas são algumas das formas de pressionar os trabalhadores, segundo o procurador.
De acordo com Oliveira, o MPT, hoje, tem atuação pedagógica e preventiva para evitar esse tipo de situação. “Estamos assinando um acordo de cooperação técnica com o Tribunal Superior do Trabalho e com o Tribunal Superior Eleitoral para fazer campanhas nos meios de comunicação e nas redes sociais para a sociedade ter noção do que se trata o assédio eleitoral e poder denunciar”, disse. Para fazer a denúncia, que pode ser anônima, o trabalhador deve acessar o site mpt.mp.br e seguir o passo a passo.
Assista à íntegra do programa:
*Estagiária sob supervisão de Eduardo Pinho
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