
O incidente envolvendo o ataque de uma cadela a uma criança e o uso de arma de fogo provocou intenso debate nas redes sociais. De um lado, internautas defenderam a reação do pai, que atirou no animal para contê-lo. De outro, houve quem condenasse a conduta e cobrasse responsabilização. Apesar da divergência, um ponto reuniu ampla concordância: o dever dos tutores em educar e adestrar os cães para evitar situações como essa.
O caso ocorreu na sexta-feira passadano Condomínio Summer Ville, em Vicente Pires, e continua em investigação por parte da Polícia Civil. Com base nas imagens e no relato das testemunhas, a cadela da raça American Bully aproveitou a abertura do portão para a entrada de um visitante e fugiu de uma das casas do condomínio. O tutor, Rogério Marques Fortaleza, 47, e outro homem correram atrás do animal na tentativa de segurá-lo.
A mesma câmera mostra a entrada do cachorro na casa vizinha. À polícia, o pai da criança, Marlon Joaquim Melo, contou que o filho sofreu diversas mordidas nas pernas, nos pés e nas orelhas. Um dos tutores consegue avançar contra o cachorro e segurá-lo. Ele leva a cadela no colo para outra residência, mas o animal foge e entra novamente na casa da criança. O pai busca a arma de fogo em casa e atira uma vez contra a cadela, que morreu.
O Correio conversou com Bruno Tiemann, veterinário comportamental e adestrador de animais, para entender como agir em situações complexas como essas e as principais orientações válidas aos tutores antes mesmo de adotar um animal.
O American Bully é uma raça criada a partir da mistura de outras raças, principalmente o American Pit Bull Terrier e o American Staffordshire Terrier, cruzados com tipos de bulldog. Cães dessa espécie, afirma o especialista, cresceram de forma desordenada e são, em sua maioria, de natureza tranquila e carinhosa.
No entanto, é importante observar que, mesmo com o temperamento inclinado à calmaria, fatores da criação e da genética influenciam diretamente no comportamento, alerta o veterinário. "Com essa explosão de American Bully, muitos criadores não têm o jeito adequado de cuidado. Precisa escolher e avaliar a boa procedência, o temperamento dos pais do cachorro e alinhar isso à criação."
Cuidados
A criação desprovida de limites impacta em um instinto problemático. Nesses casos, desde filhote o tutor deve ensinar ao cão as restrições e inseri-lo em um ambiente sociável saudável. "Raça não define se o cachorro vai ser sensível ou não. Podemos ter até mesmo um shih tzu valente, a depender dos métodos de criação", ressalta Tiemann.
O especialista explica que o ideal, nesses casos, é que o tutor tenha sempre em mãos algum guia de condução. No universo pet, os guias incluem coleiras, fitas, cordas ou cabos utilizados pelo tutor para controlar e direcionar o cachorro durante os passeios. "A guia é muito importante para evitar acidentes. Saber controlar o ambiente da casa é essencial. "Cachorro quando fica muito estressado com outros cães e não tem treino, ele não te escuta, ou ele quer fugir. Alguns, podem ir para cima para afastar daquilo."
Algumas ações são simples e podem ser ensinadas facilmente aos cachorros. No caso de animais que gostam de fugir e ir para a rua, a indicação é ensiná-lo a não ter acesso ao portão e só sair mediante uma instrução específica. "Os donos podem treinar uma voz de comando para que o cachorro obedeça quando chamarem", avalia.

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