ELEIÇÕES 2026

Leila lidera, mas disputa ao Senado no DF segue acirrada

Candidatos avaliam desempenho após levantamento do Correio/OPINIÃO. Especialistas destacam o alto número de indecisos, a importância da comunicação nas campanhas e que os eleitores devem decidir os nomes mais perto do pleito

Leila do Vôlei (PDT) está em primeiro, com 46,9% da preferência -  (crédito: Roque de Sá/Agência Senado)
Leila do Vôlei (PDT) está em primeiro, com 46,9% da preferência - (crédito: Roque de Sá/Agência Senado)

Os resultados da segunda rodada da pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política para o Senado e a Câmara dos Deputados demonstraram uma movimentação na disputa eleitoral no DF. Candidatos citados no levantamento comemoraram o desempenho, projetaram os próximos passos da campanha e avaliaram o cenário desenhado pelo eleitorado a pouco menos de dois meses das eleições de 2026.

A disputa pelas duas cadeiras no Senado tem ficado cada vez mais acirrada, segundo apontam os números. A senadora Leila do Vôlei (PDT), que busca a reeleição, subiu para o primeiro lugar em relação à primeira rodada da pesquisa, saltando de 30,2% para 46,9% de intenções de voto. Em segundo lugar, Michelle Bolsonaro (PL), que demorou a decidir se concorreria ao cargo, também registrou aumento nas intenções de voto entre as duas pesquisas, saindo de 38,8% para 42%. Logo atrás, Érika Kokay (PT) se manteve na terceira posição, mas saltou de 25% para 29,4% das intenções de voto.

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A atual deputada federal e candidata ao Senado Bia Kicis (PL) apareceu em quarto lugar no levantamento e saltou de 14,4% para 22,6% nas intenções de voto entre a primeira e a segunda rodadas da pesquisa. Em quinto lugar, Sebastião Coelho (Novo), que na primeira rodada apareceu com 6% das intenções de votos, agora está com 12,4%. 

Ao Correio, Leila do Vôlei afirmou que o resultado da pesquisa reflete, em sua avaliação, o reconhecimento da população do Distrito Federal ao trabalho desenvolvido ao longo do mandato. "Os números mostram dois cenários importantes. O primeiro é o reconhecimento dos brasilienses ao trabalho que realizamos ao longo do mandato, ouvindo a população para definir prioridades e transformando essas demandas em investimentos para a saúde, os projetos sociais, a cultura, o esporte e a agricultura familiar", afirmou.

Para a parlamentar, o levantamento também indica que a disputa pelo Senado deverá ser acirrada. "Vamos continuar percorrendo o Distrito Federal de ponta a ponta, conversando com as pessoas, mostrando com transparência o trabalho que realizamos ao longo desses quase oito anos e apresentando propostas para melhorar a vida da população e construir um DF mais justo, desenvolvido e com mais oportunidades para todos", ressaltou.

Sebastião Coelho afirmou ter recebido com satisfação o resultado da pesquisa. Confiante no desempenho durante a campanha, que começa em 16 de agosto, Sebastião Coelho disse acreditar que o cenário eleitoral ainda pode mudar. "O processo está apenas começando. Estou muito confiante de que tudo correrá bem para o benefício da população de Brasília e do Brasil. Eu fui servidor público por mais de 30 anos como juiz desembargador, e o meu lema é servir", ressaltou.

Em segundo lugar na pesquisa, Erika Kokay afirmou que quando a campanha começar de fato, a partir de 16 de agosto, o objetivo é ir para as ruas apresentar a diferença entre os projetos da legenda e da oposição. "O nosso, que luta pelo fim da escala 6x1, pelo Pé-de-Meia e pela valorização salarial; e o deles, que sempre priorizou as elites e os donos do dinheiro", destacou. Procurados, os demais candidatos não responderam até o fechamento desta edição. 

Panorama

Cientista político pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em democracia participativa, Rócio Barreto avaliou que a disputa pelo Senado no Distrito Federal está, neste momento, organizada em três grandes campos políticos: o centro, representado por Leila do Vôlei (PDT); a direita, por Michelle Bolsonaro (PL); e a esquerda, por Erika Kokay (PT). Segundo ele, a liderança de Leila na pesquisa não significa apenas uma vantagem numérica, mas reflete a capacidade da senadora de atrair eleitores de diferentes espectros ideológicos. "Leila Barros amplia seu campo político e atrai votos de diferentes segmentos. Ela pode receber o voto de um eleitor da Michelle e também de um eleitor da Erika Kokay. É um eleitorado menos ideológico, que se identifica tanto com a Leila do esporte quanto com a senadora que apresentou propostas voltadas às mulheres", explicou.

Apesar da vantagem de Leila, Barreto destacou que a disputa permanece aberta. Para ele, o elevado percentual de eleitores que ainda não consolidaram o voto indica que o cenário pode sofrer alterações ao longo da campanha. "A pesquisa mostra que a eleição está em uma fase decisiva, mas ainda há muito espaço para mudança. Há um movimento de crescimento de Leila, mas também um momento de turbulência dentro do campo bolsonarista. Isso permite uma leitura mais ampla do que simplesmente dizer que ela assumiu a liderança", afirmou.

Segundo o especialista, a eleição para o Senado possui uma dinâmica própria por contar com duas vagas em disputa, o que amplia as possibilidades de mudança ao longo da campanha. "Michelle tem uma base eleitoral muito fiel e pode recuperar espaço. Erika Kokay também não pode ser descartada em nenhum momento. Além disso, debates, entrevistas e o início oficial da campanha tendem a alterar o comportamento do eleitor. Ainda existe muito voto disponível e isso pode mudar completamente esse quadro", destacou.

Para Barreto, a manutenção ou o crescimento de uma candidatura dependerá principalmente da capacidade de comunicação ao longo dos próximos meses. "Uma estratégia de comunicação bem organizada, capaz de divulgar as ações do mandato, apresentar propostas de forma clara e ampliar a presença da candidata em diferentes regiões do Distrito Federal, pode ser determinante. A disputa continua aberta e quem conseguir comunicar melhor seus resultados e propostas terá vantagem na reta final da campanha", destacou.

  • Michelle Bolsonaro (PL) tem 42% das intenções de voto ao Senado
    Michelle Bolsonaro (PL) tem 42% das intenções de voto ao Senado Foto: Partido Liberal / PL Mulher
  • A disputa pelas duas cadeiras no Senado tem ficado cada vez mais acirrada, segundo apontam os números.
    A disputa pelas duas cadeiras no Senado tem ficado cada vez mais acirrada, segundo apontam os números. Foto: Partido Liberal / PL Mulher e Roque de Sá/Agência Senado
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postado em 06/08/2026 05:10
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