ELEIÇÕES 2026

"A educação do Distrito Federal precisa mudar e melhorar", diz Cappelli

O candidato ao Governo do Distrito Federal Ricardo Cappelli (PSB) citou a experiência que teve no Maranhão, onde conseguiu elevar a remuneração dos professores para uma das maiores do país. "A gente provou que é possível fazer", alegou

"Precisa mudar e melhorar a educação do Distrito Federal", diz Cappelli - (crédito: Ed Alves/CB/DA Press)
Ricardo Cappelli (PSB), candidato ao Governo do Distrito Federal, criticou a atual gestão da educação do DF, prometeu elevar os salários dos professores da rede pública do DF ao maior patamar entre os estados brasileiros e realizar novos concursos para reduzir a dependência de profissionais temporários. Durante sabatina promovida pelo Correio Braziliense, nesta terça-feira (11/8), o candidato afirmou que a atual estrutura da educação compromete a continuidade do ensino e criticou os resultados do Distrito Federal no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Para Cappelli, a atual situação da rede pública de educação do DF exige uma mudança estrutural na política educacional. “Esse é o tratamento que a gente quer dar para as crianças especiais na educação do Distrito Federal? Está tudo errado. Precisa mudar e melhorar a educação do Distrito Federal”, ressaltou.
Cappelli comparou os orçamentos do Maranhão e do Distrito Federal para defender a viabilidade da proposta. Segundo ele, o Maranhão tem orçamento de R$ 38 bilhões para uma população de aproximadamente 7 milhões de habitantes, enquanto o DF conta com R$ 74 bilhões para cerca de 3 milhões de moradores.
O candidato citou a experiência que teve no Maranhão, onde trabalhou durante oito anos com o então governador Flávio Dino, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal. Segundo Cappelli, durante o período, o estado conseguiu elevar a remuneração dos professores para uma das maiores do país. “Não é que seja promessa. A gente já provou que é possível fazer”, afirmou.
Cappelli, no entanto, não apresentou um valor específico para o salário que pretende estabelecer no Distrito Federal. Ele explicou que a implementação seria gradual ao longo de quatro anos. “Eu não sei te dizer qual vai ser o valor, porque os valores vão sendo reajustados nos outros estados ao longo dos outros anos. Agora, é possível fazer isso ao longo dos quatro anos”, disse.
Para o candidato, a valorização salarial deve ser acompanhada da ampliação do quadro efetivo da Secretaria de Educação. “Dois terços dos professores, dos profissionais que atuam na rede de educação hoje, são temporários. O professor temporário faz tudo o que pode, mas começa um ano em uma escola e, no meio do ano, muda de escola. Tem professor que passa por duas, três escolas no mesmo ano”, declarou.
Segundo Cappelli, a situação prejudica a continuidade pedagógica e o acompanhamento dos estudantes. “Como é que a gente consegue ter uma educação de qualidade se, ao longo do ano, numa mesma escola, a gente vai trocando o professor a cada semestre? Não é possível. Não tem um processo de continuidade na formação. Ele não consegue acompanhar os alunos”, afirmou.
O candidato criticou o desempenho do Distrito Federal no ensino médio. Na última semana, foi divulgado que o DF ocupou a última posição do país no Ideb nessa etapa de ensino. “Nós chegamos à marca de ser, no ensino médio, o último lugar no Ideb do Brasil. No que diz respeito à qualidade da educação no ensino médio, chegamos ao 27º lugar”, disse.
Como resposta ao cenário, Cappelli afirmou que pretende zerar a fila de candidatos aprovados em concursos públicos da educação e realizar novas seleções para ampliar o quadro efetivo. “Não só zerar a fila, precisa fazer mais concursos, porque o temporário tem que ser complemento da rede. O temporário virou a regra na rede”, declarou.
Além dos professores, o candidato defendeu a valorização de outros profissionais da educação, incluindo monitores que acompanham estudantes com deficiência. “Tem os monitores que estão atendendo as crianças especiais. Ano que vem faz 10 anos que não tem concurso para monitor. Eles estão sendo cuidados na sala de aula por educadores sociais voluntários, ganhando R$ 80 por dia, de forma precarizada”, afirmou.

Sabatina

A entrevista faz parte da série de sabatinas promovida pelo Correio com os 11 postulantes ao GDF: Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Elisson Ferreira (Agir), Expedito Mendonça (PCO), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli (PSB), Rico Pinheiro (PRTB), Robson Raymundo (PSTU) e Samara Mineiro (UP).
Cada candidato responde a perguntas da bancada de jornalistas do Correio por uma hora, apresentando propostas para temas prioritários como saúde, educação e segurança. O evento segue ao vivo até as 18h no canal do Correio no YouTube.

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postado em 11/08/2026 17:53
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