
O candidato ao Governo do Distrito Federal Ricardo Cappelli (PSB) afirmou que pretende iniciar as ações de governo imediatamente após uma eventual vitória nas eleições e prometeu criar um programa para zerar as filas da saúde pública. Durante sabatina promovida pelo Correio Braziliense, nesta terça-feira (11/8), o candidato classificou a situação da saúde no DF como “calamitosa” e disse que mais de 30 mil pessoas aguardam por cirurgias.
“Eu não vou esperar o dia 6 de janeiro para começar a trabalhar. Eu vou começar a trabalhar no dia seguinte”, afirmou. Segundo Cappelli, a prioridade será enfrentar problemas considerados urgentes, especialmente nas áreas de saúde e saneamento básico.
O candidato afirmou ter visitado unidades de saúde e cidades do DF durante o último um ano e meio e relatou situações que, segundo ele, demonstram a precariedade do atendimento. “Eu estou há um ano e meio morando nas cidades, dormindo na casa das pessoas, visitando as UPAs. O que eu estou vendo? Tem gente morrendo todo dia na fila da saúde”, declarou.
Segundo Cappelli, além das mais de 30 mil pessoas que aguardam cirurgias, há mais de 1 milhão de consultas e exames pendentes. “Vocês já imaginaram uma fila, um milhão de pessoas, consultas e exames?”, questionou.
Para lidar com a questão, Cappelli anunciou a criação de um programa na área. “Eu vou lançar o programa Fila Zero, para zerar a fila da saúde no Distrito Federal”, afirmou.
O candidato defendeu a participação dos órgãos de controle na elaboração das medidas. Para ele, a situação exige decisões rápidas e redução de entraves burocráticos. “É preciso ter coragem e senso de urgência. Coragem para pular a burocracia, para poder resolver os problemas gerais”, declarou.
O candidato criticou a execução do orçamento da saúde no Distrito Federal. De acordo com ele, a área conta com aproximadamente R$ 13 bilhões previstos para este ano, o equivalente a mais de R$ 1 bilhão por mês. “Quando eu falo para a população que o orçamento é de mais de um bilhão por mês, as pessoas me perguntam: cadê o dinheiro da saúde?”, afirmou.
Durante a sabatina, Cappelli citou episódios que teria presenciado em unidades de atendimento. Segundo o candidato, em uma UPA de Paranoá, uma mulher com um corte no braço teria deixado a unidade sem receber sutura por falta de material. Em outro caso, no Hospital Regional de Taguatinga, uma paciente com o tornozelo inchado teria sido dispensada na triagem sob a justificativa de que a unidade estaria atendendo apenas casos de fratura exposta. “Precisa ter senso de urgência. Eu não sei como é que uma pessoa vai dormir sabendo que, sob sua responsabilidade, tem 30 mil pessoas numa fila aguardando uma cirurgia”, disse.
Como parte da estratégia, Cappelli afirmou que pretende reunir representantes dos três poderes e órgãos de controle logo no início de uma eventual gestão. “Eu vou chamar o presidente do Tribunal de Justiça, o presidente do Tribunal de Contas e o chefe do Ministério Público. Para que a gente, junto com os outros poderes, encontre arranjos institucionais para enfrentar a urgência”, afirmou.
Sabatina
A entrevista faz parte da série de sabatinas promovida pelo Correio com os 11 postulantes ao GDF: Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Elisson Ferreira (Agir), Expedito Mendonça (PCO), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli (PSB), Rico Pinheiro (PRTB), Robson Raymundo (PSTU) e Samara Mineiro (UP).
Cada candidato responde a perguntas da bancada de jornalistas doCorreiopor uma hora, apresentando propostas para temas prioritários como saúde, educação e segurança. O evento segue ao vivo até as 18h nocanal do Correio no YouTube.

Cidades DF
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