
Candidato ao Governo do Distrito Federal pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Ricardo Cappelli apresentou, ontem, durante sabatina do Correio, propostas para áreas consideradas estratégicas para a próxima gestão, como saúde, educação, segurança pública, economia e mobilidade urbana. Entre as principais promessas, estão zerar a fila de exames e cirurgias, estabelecer o maior salário do país para professores da rede pública, ampliar o metrô e o transporte expresso, e recompor o efetivo da Polícia Militar. "É preciso ter um choque de ordem na gestão do Distrito Federal", defendeu.
Leia a cobertura completa da sabatina
- Celina Leão: "Resolver problemas com responsabilidade"
- José Roberto Arruda (PSD): "Volto para resgatar Brasília"
- Samara Mineiro (UP): educação é uma das prioridades
- Leandro Grass (PT): "Desataremos o nó do Centrad"
- Robson Raymundo (PSTU): conselho gestor para orçamento
- Elisson Ferreira (Agir): governança com transparência
- Paula Belmonte (PSDB): "Por um governo participativo"
- Expedito Mendonça (PCO): estatizações e ruptura com o sistema
- Rico Pinheiro (PRTB): "O transporte público precisa de solução"
- Kiko Caputo (Novo): "Privatização não é um tabu"
O candidato parabenizou o Correio pela realização da sabatina e destacou o convite feito a todos os candidatos, independentemente da posição nas pesquisas eleitorais. "É uma sabatina muito importante para a gente e para a população, dar oportunidade à população de conhecer todos os candidatos, suas ideias, propostas, o que cada um se propõe nesse processo eleitoral. Essa é a beleza da democracia", declarou.
Na avaliação de Cappelli, a principal preocupação do eleitor durante a campanha não está necessariamente nas disputas ideológicas entre os concorrentes, mas na capacidade de os futuros governantes resolverem problemas que afetam diretamente a população. "O eleitor quer saber se: tem médico na UPA? Tem remédio na farmácia da UBS? O ônibus vai passar no horário? Essas são as questões centrais que a população espera respostas e que vamos apresentar durante o processo eleitoral", destacou.
Prioridades
Entre as propostas apresentadas como prioridade pelo candidato, Cappelli afirmou que, na saúde, pretende reduzir as filas para exames e cirurgias e ampliar o saneamento básico nas comunidades mais carentes. Segundo o candidato, mais de 30 mil pessoas aguardam cirurgias e mais de 1 milhão esperam consultas e exames. "Eu vou lançar o programa Fila Zero, para zerar a fila da saúde no Distrito Federal", afirmou. Já no saneamento básico, Cappelli citou a comunidade Santa Luzia, na Estrutural, onde, segundo ele, vivem cerca de 20 mil pessoas. "Lá, vi crianças morando e brincando com esgoto a céu aberto", lembrou.
Para o transporte público, Cappelli apontou o tempo de deslocamento como o principal problema e apresentou o programa "No Máximo Uma Hora", que estabelece como meta limitar a uma hora o trajeto entre casa e trabalho. "A gente não tem distâncias no DF que justifiquem uma pessoa passar duas horas, duas horas e meia para chegar ao trabalho", ponderou.
O candidato do PSB defendeu, para reduzir o tempo das viagens, a ampliação de ônibus expressos, BRTs e faixas exclusivas, além da reorganização das linhas alimentadoras. Ele também defendeu a retomada da expansão do metrô para regiões, como Gama, Santa Maria e Asa Norte, além de, na tentativa de melhorar a remuneração de motoristas de aplicativo, a criação de um aplicativo próprio do DF, administrado pela cooperativas de motoristas, com apoio do governo na divulgação.
Ricardo Cappelli prometeu valorizar os professores da rede pública "com o maior salário do Brasil". Ele defendeu a realização de novos concursos públicos e criticou o uso excessivo de contratos temporários. "Precisa fazer mais concursos, porque o temporário virou regra e tem que ser complemento da rede", declarou.
Cappelli afirmou que pretende criar uma secretaria especial de regularização fundiária e lançar o programa "A Casa é sua" para ampliar a emissão de escrituras no DF. Segundo ele, mais de 30% dos imóveis da capital não têm escritura. "Eu vou regularizar e dar a escritura para todo mundo pelo menor valor legal possível. É um real? Então vai ser um real", afirmou. Ele defendeu ainda a reformulação de órgãos ligados à política habitacional e disse que a Terracap deve voltar a atuar como instrumento de planejamento urbano.
Segurança inteligente
Na segurança pública, Cappelli defendeu o uso de planejamento e inteligência para prevenir feminicídios. "A cada 15 dias, está morrendo uma mulher no Distrito Federal, vítima de feminicídio. Com planejamento e inteligência, conseguimos impedir que chegue à letalidade", afirmou.
O candidato defendeu o fortalecimento da inteligência cibernética, a integração com o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e a recomposição do efetivo da Polícia Militar. "A população cresceu, e a Polícia Militar, que já chegou a ter 17 mil, 18 mil homens, está com pouco mais de 11 mil homens e mulheres. Precisa voltar a crescer", afirmou.
A população em situação de rua foi citada entre as prioridades. Embora reconheça que a questão não seja originalmente de segurança pública, Cappelli defendeu uma abordagem multidisciplinar, com profissionais de assistência social, psicologia e saúde mental. "Não adianta dar só comida e banho. Precisamos ter equipe multidisciplinar para entender por que o cidadão está na rua. É problema de saúde mental? É dependência química? É falta de casa? Tem que compreender e atuar para tirar a pessoa da rua", disse.
O real foco do BRB
Sobre a atual situação do Banco de Brasília (BRB), Ricardo Cappelli afirmou que, se eleito, não permitirá que a população do DF arque com os prejuízos relacionados ao escândalo envolvendo a instituição e o Banco Master. Na avaliação do candidato, uma eventual recuperação do banco dependeria de mudanças no foco de atuação do BRB. "O BRB tem que concentrar suas atividades no Distrito Federal, e ele tem que ter como foco o financiamento do desenvolvimento da nossa cidade, principalmente olhando para os pequenos, médios e microempreendedores", afirmou, finalizando que pretende recorrer ao STF, caso eleito, seja firmado um acordo que transfira para a população os custos relacionados ao caso BRB-Master.
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