
Paula Belmonte, candidata ao Governo do Distrito Federal (GDF) pelo PSDB, destacou a saúde como uma de suas prioridades durante sabatina, do Podcast do Correio. Às jornalistas Ana Maria Campos e Denise Rothenburg, a deputada distrital detalhou que deseja focar na contratação de novos servidores para a área, aumentar a quantidade de hospitais e dar mais atenção à saúde primária. A candidata falou sobre sua trajetória e interesse pela política. Em um eventual governo, ela pretende instalar um gabinete da transparência, digitalizar processos e ter menos secretarias.
O que a senhora destaca em seu plano de governo?
Estou no PSDB. Temos metas que queremos mostrar para as pessoas para que elas possam fiscalizar, acompanhar e ver que houve diferença. Nosso primeiro compromisso é ter um governo honesto. Ter transparência com digitalização de processos. Vamos também cuidar da saúde no DF que tem que ser feita com seres humanos. Precisamos contratar enfermeiros e médicos. Conheço todos os hospitais, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Brasília. É muito triste ver a superlotação nos corredores desses locais. Paga-se muito caro para um atendimento primário. A pessoa entra em uma UPA e não tem um acompanhamento. Ela tem que ficar de jejum por dois dias aguardando a anestesia. Vamos tratar a saúde com responsabilidade. Vamos ampliar os hospitais.
E qual seria a solução para esse atendimento?
Acredito muito em hospitais regionais e de retaguarda. Outra questão importante é a atenção primária. Isso será uma pauta de governo para desafogar a saúde secundária. A saúde da família é essencial para que as pessoas não precisem ir para o hospital. Acreditamos na prevenção e em cuidar da pessoa perto de sua casa. É importante cuidarmos dos nossos idosos antes que eles tenham problemas cardíacos. Para nossas crianças, precisamos de um acompanhamento da saúde precoce. Muitas, por exemplo, são neurodivergentes. Elas precisam ter acesso ao laudo precoce para que possam se desenvolver. Vamos levar essa saúde para dentro das escolas. Queremos um governo humano. É importante termos estrutura de concreto? Com certeza. Mas a estrutura só faz sentido quando há ser humano. Fui à Associação de Mães, Pais, Amigos e Reabilitadores Excepcionais (Ampare). Ela tem 54 anos atendendo crianças com deficiência de todas as situações, tanto de falta de preservação cognitiva quanto de deficiência física. Ali, você encontra mulheres e mães completamente abandonadas. A Ampare tinha capacidade para atender 120 pessoas. Hoje, ela atende menos de 90, porque o governo não abre mais vagas. Não víamos crianças com deficiência, porque elas estavam presas dentro de casa. Hoje, elas continuam assim por falta de atendimento.
Por que decidiu se candidatar ao Governo do Distrito Federal, sendo que a senhora vem em uma trajetória parlamentar?
Não dependo da política para sobreviver. Estou aqui para transformar. Tive a oportunidade de morar fora do Brasil e vivenciar um país que funciona, que tem saúde, escola e transporte públicos de qualidade. Acredito que Brasília tem que ser referência. A gente precisa ter essa boa nova, com gestão, com honestidade e com humanidade. A política não faz sentido se ela não dá dignidade humana. Precisamos mostrar que o Estado existe para deixar a gente viver. A vida é uma dor, mas a gente precisa que o Estado nos ampare para não termos tanta dor.
Conte um pouco de sua trajetória de vida.
Meu nome é Paula Moreno Paro. Belmonte veio depois que me casei. Nasci em São Paulo em 1973 e nós viemos para o DF em julho de 1975. Vim com meu pai, meu irmão e minha mãe, que estava grávida de minha irmã. Viemos com uma expectativa muito grande. Quando meus pais vieram, eles foram os primeiros da família a sair de São Paulo. Lembro da motivação de morar na capital federal. Aqui fui criada e sou fruto de escola pública. Comecei a trabalhar aos 16 anos de idade em uma loja no Conjunto Nacional. Também fiz escotismo. Por esse motivo, vivenciei Brasília de acampamento, da cachoeira e da liberdade. Saía andando da 119 Norte até o Vale do Amanhecer com mais dois amigos. Vivenciei essa Brasília que acho ser possível restaurar. Meu pai veio com a esperança de trazer uma boa nova. Muitos daqui têm esse desejo em comum. Isso que queremos marcar em nosso governo: Brasília pode ser referência pública.
De onde surgiu sua vontade de ser política?
Com 22 anos, fui mãe de Júlia. Não fui mãe solteira, porque o pai dela é muito presente. Mas tive uma filha em um namoro. Na sequência, conheci meu marido. Tivemos cinco filhos juntos. Sou administradora de empresas e meu marido é advogado. Eu tinha preconceito com política. Por isso, me identifico com muitas pessoas que têm essa mesma implicância, mas venho chamando atenção que se a gente não se colocar para entender como funciona a política, vamos continuar sendo dominados por quem gosta. Meu quarto filho se chama Arthur. Eu o perdi com menos de 2 anos de idade em um acidente dentro da minha casa. Aquilo mudou totalmente a minha vida. Nesse momento, surgiu uma mãe que perdeu um filho, mas tinha outros. Eu não podia parar, precisava reagir. Começamos a fazer um trabalho social em Brasília com o futebol, mostrando que o esporte pode mudar vidas. Assim surgiu o instituto que atende em nome do meu filho Arthur Moreno Paro Belmonte (AMPB). Ele atua em Sol Nascente e na Vila Planalto. São 300 crianças atendidas. Foi assim que, em 2018, recebi o convite para entrar na política. Fui eleita, e fiz um trabalho como deputada federal do qual me honro. Conseguimos em quatro anos, ter mais de 10 leis aprovadas e sancionadas pelo presidente da república. Sempre trabalhamos com essa pauta da primeira infância e da defesa da educação.
Como a senhora se identifica ideologicamente?
Sou uma pessoa tradicional. Sou uma mulher que tem seis filhos, casada, cristã e devota de Nossa Senhora. Mas eu respeito as pessoas, especialmente a liberdade delas. Então, cada um tem a sua liberdade para pensar de forma diferente de mim. Não tem problema. Mas que a gente possa convergir. Trabalhei muito dessa forma na CLDF e posso mostrar isso no meu mandato. Não sou base, nunca tive nenhum cargo do governo, e também não sou oposição. Sou vice-presidente na CLDF, fui procuradora especial da mulher, e fui presidente da Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle e de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Eu era independente. Esse foi um caminho que eu percorri mostrando que a convergência tem que ser maior do que a divergência. Também sou muito preocupada com o social. Não adianta a gente achar que o nosso país capitalista não vai conseguir alcançar esse desenvolvimento que a gente tanto sonha se não olharmos para as pessoas. Estou em um partido social-democrata no qual acredito de verdade. Acredito que a social-democracia faz a diferença.
Quem a senhora chamaria para trabalhar em seu governo?
Temos nosso vice, o juiz Everardo Ribeiro (PSDB), que vai ser responsável pelo gabinete da transparência que vamos fazer. Vamos trazer a tecnologia, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, a Polícia Civil do DF e a Controladoria-Geral do DF juntos para que possamos trazer a transparência. Para as secretarias, vamos procurar os melhores do Brasil. Brasília tem pessoas muito boas também. Vamos diminuir o número de secretarias. Hoje, temos 33 pastas. Acredito que a gente consiga baixar esse número para 50%, até menos que isso. Teremos secretários e secretarias fortes que tenham um porquê. Sei que vivemos em um ambiente político, mas precisamos fazer com que a política não seja partidária. A partir do momento em que eu tomar posse, vamos fazer um governo para todos.
O que é possível fazer na largada de um eventual mandato?
A largada é o gabinete da transparência. Vamos fazer com que ele aconteça no primeiro dia. Vamos fazer a digitalização. Nas secretarias, uma das dificuldades que tivemos é a digitalização de processos. Uma planilha de excel faz o controle de determinadas situações na Secretaria de Saúde, por exemplo. Estamos em 2026, na capital do Brasil. Não tem condição de não termos um prontuário único. Temos a maior renda per capita do país e não temos qualidade na saúde.
Assista ao podcast
*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

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