
A mobilização em homenagem ao Dia Nacional do Ciclista tomou as ruas do Plano Piloto, na noite dessa quarta-feira (19/8), com uma bicicletada promovida em conjunto pela ONG Rodas da Paz e pelo coletivo Bicicletada DF. O ato marcou os 20 anos do atropelamento do biólogo Pedro Davison, morto em 2006, no Eixão Sul, por um motorista alcoolizado e em alta velocidade.
A concentração foi no Museu Nacional da República, de onde os ciclistas seguiram pela L2 Norte, fizeram uma parada na Ghost Bike de Raul Aragão, passaram pelas quadras 408 e 410 Norte e encerraram a caminhada na Universidade de Brasília (UnB), com a exibição de curtas do projeto Cine Pipoca no Rolê, na Praça Chico Mendes.
Pouco antes da mobilização, a ativista Luiza Davison, filha de Pedro, conversou com o Correio. Além do marco dos 20 anos da perda do pai, a data coincidiu com o aniversário de 28 anos da jovem, que tinha 8 anos no dia do atropelamento. "É uma data bastante emblemática na minha vida. Mas, como sempre falo, isso transformou o luto em luta. Para mim, faz muito sentido que o meu aniversário seja marcado por esse movimento que me é tão caro", contou.
Luiza destacou a importância de levar a cobrança por segurança viária para o debate público, especialmente no contexto das políticas urbanas. "A discussão se torna ainda mais importante por estarmos em período eleitoral. Quem são os políticos que vão se engajar com essa pauta que exige cidades mais seguras e humanas?", questionou a ativista.
Doações
As celebrações em homenagem ao Dia Nacional do Ciclista começaram cedo, com a doação de 14 bicicletas para a Casa da Criança Batuíra, destinada ao acolhimento de crianças e adolescentes em vulnerabilidade. Por meio do projeto social Doe Bicicleta, a ONG Rodas da Paz recebeu bikes usadas, realizou todos os reparos necessários e as entregou para instituições de acolhimento.
O coordenador-geral do Rodas da Paz, Raphael Barros, contou que o projeto de entrega das bicicletas existe há 23 anos e já entregou mais de 5 mil bikes para diferentes projetos do DF. "O lazer é pedagógico, pois permite que a pessoa tenha contato com outras experiências e enriqueça a vida", explicou.
Uma das crianças da Casa da Criança Batuíra, na unidade de Ceilândia Norte, encantou-se com uma bicicleta preta. Aos 9 anos, a menina sabe andar de bicicleta sem rodinhas e contou que aprendeu com a ajuda de uma amiga. Segundo ela, o início do aprendizado foi difícil. Ela caía e se machucava enquanto tentava manter o equilíbrio. Até que, em uma das tentativas, uma colega a segurou enquanto pedalava.
"Ela me soltou, e eu nem reparei. Continuei sozinha, fui até o fim e voltei", celebrou. Estudando no terceiro ano do ensino fundamental, a garota também contou que pratica ginástica e balé. A bicicleta, agora, se junta a outras atividades físicas que são parte da rotina da criança.
Aos 6 anos, uma menina de pouco mais de 1,30 m acompanhava de perto os modelos de bikes disponíveis com o olhar de que já havia escolhido sua preferida. "Assim que os tios deixarem, eu vou andar naquela", disse, apontando para uma bicicleta rosa e roxa, sem rodinhas. No mesmo grupo de crianças, um garoto de 7 anos elegeu um modelo preto e vermelho como seu favorito. "Ela (a bike) é do Homem-Aranha, e vai ser minha", festejou.
E as ciclovias?
O Distrito Federal conta atualmente com 745 quilômetros de malha cicloviária. Por meio do programa Vai de Bike, o GDF planeja adicionar cerca de 300 quilômetros à rede, com a meta de ultrapassar mil quilômetros nos próximos anos. Ainda neste ano, a previsão é entregar cerca de 90 quilômetros de trechos inéditos.

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