
A psiquiatra e professora da Universidade de Brasília (UnB) Helena Moura participou da edição desta quinta-feira (20/8), do CB.Saúde — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, para falar sobre esquizofrenia, condição que atinge cerca de 24 milhões de pessoas no mundo (1 em cada 300 indivíduos), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A especialista explicou às jornalistas Sibele Negromonte e Paloma Oliveto que o transtorno psicótico da esquizofrenia pode ocorrer, inclusive, entre jovens de 15 a 20 anos. Segundo a convidada, no caso das mulheres, também pode surgir entre 45 e 50 anos, devido às mudanças hormonais no corpo feminino.
A professora avaliou que há uma diferença no momento em que os primeiros sinais do transtorno aparecem. "No caso dos homens, pode surgir mais cedo, entre 15 e 20 anos. As mulheres podem passar por duas fases de pico na vida: uma ao final da adolescência e outra entre 45 e 50 anos de idade, momento de mudanças hormonais por conta da menopausa. Esse fator deixam-nas mais pré-dispostas a sintomas psicóticos", afirmou.
Durante a entrevista, Helena Moura detalhou que a esquizofrenia pode ser caracterizada pelos sintomas psicóticos, em que as pessoas não conseguem distinguir o que é fantasia e o que é real. "É um transtorno raro, mas o tipo de comprometimento que ele traz é extremamente significativo", declarou. Ela ainda informou que sintomas psicóticos não são exclusivos do quadro. "Eles podem ocorrer induzidos por substâncias como cocaína, maconha, álcool em excesso, transtorno bipolar e psicose puerperal", disse.
A especialista pontuou que um dos sinais podem ser identificados quando as pessoas deixam de realizar ações consideradas comuns no dia a dia. "Como ver um filme, se divertir e conversar com outras pessoas. A pessoa entra em um quadro que chamamos de avolição, com a perda do interesse nas coisas, isolamento e queda no rendimento escolar", destacou Helena Moura.
De acordo com a psiquiatra, após o quadro inicial, a condição mental coloca as pessoas em situações violentas. "Às vezes essas alucinações xingam, falam coisas ruins para a pessoa, dão ordens de bater ou se bater, e isso causa um intenso sofrimento. As pessoas começam a agir de forma imprevisível e por isso precisam de tratamento. Não há questionamento se existe ou não a esquizofrenia e se deve ou não medicá-la. Isso é inquestionável no mundo científico", acrescentou.
Confira a entrevista completa abaixo.

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