INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

Justiça mantém prisão de técnicos de enfermagem por mortes em UTI

Decisão reafirma prisão preventiva de investigados por mortes ocorridas no Hospital Anchieta, em Taguatinga

Réus permanecem presos enquanto a ação penal sobre as mortes de pacientes segue em tramitação na Justiça -  (crédito:  Reprodução/Redes sociais)
Réus permanecem presos enquanto a ação penal sobre as mortes de pacientes segue em tramitação na Justiça - (crédito: Reprodução/Redes sociais)

A Justiça do Distrito Federal decidiu manter a prisão preventiva de três técnicos de enfermagem acusados de participação nas mortes de pacientes internados em uma unidade hospitalar particular de Taguatinga. A decisão foi publicada na última quinta-feira (20/8). Os investigados estão presos desde janeiro e respondem a um processo criminal que apura a ocorrência de homicídios e tentativas de homicídio dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta.

A decisão em desfavor de Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos; Amanda Rodrigues de Sousa, 28; e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, foi tomada durante a revisão periódica da prisão preventiva, procedimento previsto na legislação brasileira para verificar se permanecem válidos os fundamentos que justificaram a medida cautelar. Na avaliação do Judiciário, não houve mudanças no andamento do processo ou surgimento de fatos novos capazes de alterar o entendimento adotado anteriormente.

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Investigação

O episódio veio à tona no início deste ano após uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal apontar suspeitas sobre uma sequência de mortes registradas na UTI da unidade de saúde. O caso chamou a atenção das autoridades depois que o próprio hospital identificou semelhanças entre os óbitos e comunicou os fatos aos órgãos responsáveis.

A partir da denúncia, a polícia iniciou uma apuração que resultou na deflagração da Operação Anúbis. Durante as investigações, foram reunidos elementos que levaram à prisão dos profissionais de enfermagem e à abertura de um inquérito para esclarecer as circunstâncias das mortes.

Segundo a polícia, pacientes internados teriam recebido substâncias ou doses de medicamentos incompatíveis com os tratamentos prescritos, provocando agravamento do quadro clínico e, em alguns casos, a morte. As acusações envolvem as mortes de Marcos Moreira, de 33 anos, João Clemente Pereira, de 63 anos, e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos.

Homicídios e tentativas de homicídio

Em março, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apresentou denúncia criminal contra os três profissionais. Com o recebimento da acusação pela Justiça, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva passaram à condição de réus.

A denúncia atribui aos acusados participação em mortes de pacientes internados na unidade hospitalar, além de episódios classificados como tentativas de homicídio. As investigações também buscaram reconstruir a dinâmica dos fatos ocorridos dentro da UTI e identificar a atuação de cada um dos envolvidos.

Ao longo dos últimos meses, o caso avançou para a fase de instrução processual, etapa em que são ouvidas testemunhas e analisadas provas reunidas pela acusação e pela defesa.

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A manutenção da prisão preventiva não representa condenação. O mérito da ação penal ainda será analisado pela Justiça ao término da instrução processual, quando todas as provas forem avaliadas.

A defesa de um dos réus contestou o entendimento da Justiça. Segundo o advogado Liomar Torres, o juiz pode decretar ou revogar prisões cautelares conforme entender oportuno e conveniente. "Não muda nada no andamento do processo e, na minha avaliação, é uma decisão que será oportunamente combatida", afirmou. 

Enquanto o processo segue em tramitação, os três réus permanecem custodiados e à disposição do Judiciário. A expectativa é de que novas etapas processuais sejam realizadas nos próximos meses antes da definição sobre a eventual responsabilização criminal dos acusados.



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postado em 25/08/2026 20:42
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