A situação financeira e os desdobramentos das apurações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) deram o tom da troca de questionamentos entre Leandro Grass (PT) e José Roberto Arruda (PSD) no debate da Band. Enquanto o candidato petista adotou uma postura de forte cobrança à atual gestão e cobrou responsabilização sobre o déficit estimado na instituição, o ex-governador defendeu saídas institucionais, contenção imediata de despesas no banco e a articulação de apoio junto ao governo federal para mitigar os impactos das perdas.
Ao direcionar sua pergunta, Grass iniciou o embate classificando os problemas na instituição financeira como um dos maiores escândalos do país e questionando diretamente a autoria das decisões que levaram ao rombo no banco. "Arruda, o governo Ibaneis, Celina, causou no BRB o rombo estimado entre 8 e 13 bilhões de reais. Essa negociata com o Master é o maior escândalo de corrupção da história do Brasil. O ex-presidente do BRB está preso, o Ibaneis fugiu do governo, a vice disse que não tem nada a ver com a história. Quem são os responsáveis pelo rombo do BRB, Arruda?"
Na resposta, Arruda concordou com a gravidade do cenário, mas criticou a demora na tomada de medidas administrativas urgentes para estancar as despesas da instituição. "O BRB está se perdendo muito tempo. Era preciso desde logo, desde que o escândalo estourou, que o novo presidente do BRB, indicado pelo Ibaneis, pelo menos, tivesse sido trocado. Não foi. Segundo, que as 19 agências fora do Brasil já tivessem sido fechadas e os patrocínios para times de futebol, carro de Fórmula 1, sala VIP de bacana, tivessem acabado. Infelizmente, nada disso foi feito. Eu estou muito preocupado de estar empurrando o BRB com a barriga para deixar quebrar depois da eleição."
Na réplica, Grass voltou a criticar o desvio de finalidade na atuação do banco público e prometeu devassa nas contas do BRB em caso de vitória nas urnas. "Mais ainda, quando o Ibaneis começou a fazer leilão de gado com o patrocínio do BRB, a gente já denunciava isso. O BRB começou a entrar em um monte de negócio que não tinha nada a ver com o seu papel. Qual é o papel do BRB? Apoiar a cidade, apoiar o pequeno produtor, apoiar o empreendedor. O que que virou o BRB? Virou escândalo, escândalo de corrupção. E aí é muito interessante, porque na hora que a bomba estoura, ninguém tem nada a ver com isso, todo mundo se esconde. Aí vão lá negociar o acordo sem publicar balanço do banco, sem publicar auditoria do banco e deixando os empregados do BRB numa ansiedade que a gente nunca viu. Ou seja, não tem como acreditar no que eles dizem se não tem transparência e credibilidade, Arruda. É por isso que a primeira medida que a gente vai tomar quando começar a governar Brasília é abrir a caixa do BRB. O que que tem lá dentro? Quem é que mexeu? Pra onde que foram os bilhões? Pra onde foram os bilhões? Está na conta de alguém, está no paraíso fiscal, está debaixo do colchão de alguém, virou caixa dois de campanha, tem que responder. Enquanto não tiver transparência, não tem solução para o BRB."
Buscando uma convergência entre as candidaturas da oposição, Arruda sugeriu uma ação conjunta de todos os postulantes pela divulgação imediata dos dados financeiros reais. "Pergunta de quanto é o furo, talvez nós todos aqui, seis candidatos, podemos ter um ponto de consenso: nós todos assinarmos um manifesto pedindo ao presidente do BRB 'por favor, publique o balanço pra gente saber realmente o tamanho desse buraco', e aí a solução que tenta encontrar."
No desdobramento de sua intervenção, Grass alertou para as consequências do reequilíbrio fiscal sobre os servidores e a população do Distrito Federal. "Em Brasília, o povo do Distrito Federal paga a conta. Pagar a conta com menos médicos, menos enfermeiros, com menos professores. O servidor vai pagar essa conta que a Celina tá querendo fazer o povo pagar. O servidor não vai ter aumento, porque o DF vai entrar num esquema, que é um esquema de arrocho fiscal. Já tão devendo. Caixa aí tá no vermelho em cinco bi. E ainda querem impor ao povo o sofrimento, porque roubaram o Banco de Brasília. E o pior de tudo isso?"
Concluindo o confronto, Arruda apelou aos candidatos alinhados ao Palácio do Planalto para buscarem auxílio financeiro federal com o objetivo de socorrer o banco. "E se pudesse hoje, pediria principalmente ao Leandro e ao Cappelli, que têm boas relações com o Presidente da República, que nos ajudasse a trazer o FCO, que hoje é aplicado no Banco do Brasil, são 15 bilhões de reais a serem aplicados do BRB, isso daria um movimento grande e poderia alavancar a [solução]."
