A mobilidade urbana e o gargalo no transporte público do Distrito Federal deram a tom do embate propositivo entre o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e o candidato Kiko Caputo (Novo). Em um debate marcado por propostas de infraestrutura, os postulantes trocaram dados sobre o crescimento da frota de veículos na capital e defenderam projetos de ampliação da malha sobre trilhos, novas artérias viárias e sistemas de integração com os municípios do Entorno.
Ao abrir a rodada de perguntas, Arruda ressaltou o déficit estrutural enfrentado pelos motoristas e passageiros que circulam diariamente pelo DF, resgatando realizações de sua gestão passada para questionar o adversário sobre soluções viáveis. "O último metrô foi feito no meu governo, o metrô de Ceilândia. 16 anos se passaram, não se fez mais nenhuma linha de metrô. A última obra importante do sistema viário foi a EPTG, feita no meu governo, também não se fez mais nada. Quais as providências que os seus estudos de plano de governo indicam para melhorar o transporte, a mobilidade do Distrito Federal?"
Em sua resposta, Kiko Caputo direcionou críticas à "gestão Ibaneis-Celina", apontando desperdício de recursos públicos em obras viárias de pouco impacto no fluxo de veículos e detalhando a criação de novas Estradas Parque e conexões sobre trilhos. "Nesse desgoverno Ibaneis-Celina, a política de mobilidade também foi deixada de lado, não tem rumo. A gente pretende, nos próximos quatro anos, apostar em transporte de trilhos, não só trazendo o trem de Luziânia até a rodoferroviária, como aumentando o metrô para atingir o Sol Nascente e o Pôr do Sol, e também até o final da Samambaia. Mas nós precisamos fazer mais. Nós precisamos fazer uma coisa que não é feita desde a década de 70, que foi quando foi construída a última grande artéria viária aqui no Distrito Federal pelo governo militar, que foi a Estrutural."
Na réplica, Arruda complementou a discussão detalhando sua proposta de expansão do metrô e da malha viária, citando eixos estratégicos para o atendimento das regiões administrativas e a ligação com o Entorno Sul e Norte. "Gama, Santa Maria, saindo para Novo Gama, Valparaíso Ocidental, Jardim Ingá e posteriormente indo até Luziânia. A segunda, pegar um metrô no centro de Ceilândia, levar ao Setor O, Condomínio Privê, descer para o Sol Nascente até Águas Lindas. A terceira, que eu tinha deixado pronta e contratada e não fizeram, VLT do aeroporto pelas duas W3. E por última, Quarta Ponte, aí uma diferença do seu plano de governo, que eu imagino no Lago Sul, na altura da 28, subindo. Tomando a direita, um BRT para Jardim Botânico, Mangueiral e São Sebastião; à esquerda, Paranoá, Itapoã, Sobradinho dos Melos, Sobradinho e Planaltina. Essas são as quatro linhas de metrô que a gente quer construir. O que existe de metrô em Brasília, a primeira parte eu fiz como secretário de obras do Roriz, do Plano Piloto até Taguatinga e Samambaia; a segunda parte como governador. Agora eu quero fazer essas quatro."
Na tréplica, Caputo reforçou que a expansão sobre trilhos exigirá aportes expressivos na modernização dos sistemas já existentes para garantir eficiência operacional ao passageiro. "Para funcionar com um pouquinho de eficiência, a gente vai ter que investir mais de R$ 1,2 bilhão para atualizar os seus sistemas de bilhetagem, de sinalização, de energia. Mas a gente também, além de restabelecer o bom funcionamento do metrô"
Antes da conclusão do tempo no bloco, Arruda complementou defendendo o resgate de projetos viários de grande porte e a criação de um anel viário para aliviar o tráfego de cargas no centro da capital. "Construído o metrô, eu desejo construir a Interbairros, um projeto do Jaime Lerner, contratado no meu governo, que vai passar ali onde é a linha de transmissão entre Águas Claras e Arniqueiras, vindo de Samambaia, Católica, separa Águas Claras e Arniqueiras, Guará, Plano Piloto. E uma outra que me parece absolutamente fundamental é o anel rodoviário, dividido em quatro trechos para tirar os caminhões que vão para diversas regiões do Brasil do centro de Brasília. Se Brasília quer ter planejamento de mobilidade, precisa fazer essas obras estruturantes. O que o governo Ibaneis-Celina fez até agora foi viaduto, que é a menor distância entre dois engarrafamentos."
