O brasiliense tem sentido o calor escaldante e deve se preparar para dias ainda mais quentes na capital. Ontem, a máxima foi de 29ºC, com umidade de apenas 25%. A partir desta sexta (14/8), as temperaturas devem subir, e as máximas podem chegar a 31°C e 32°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O cenário ocorre em meio à baixa umidade do ar, que permanece em níveis de aviso laranja para perigo potencial no DF e em outras áreas do Centro-Oeste. Apesar da elevação, o quadro ainda não reúne os critérios necessários para caracterizar uma onda de calor na capital, segundo o instituto.
Em Brasília, a média das temperaturas máximas em agosto é de 28°C, e as máximas previstas para os próximos dias ficarão entre 3°C e 4°C acima do comum. Segundo a meteorologista do Inmet, Ana Wilke, para que seja configurada uma onda de calor, seria necessário que os termômetros chegassem a 33°C e permanecessem nesse patamar, ou pelo menos 5°C acima da média, durante cinco dias consecutivos.
Razão
A elevação das temperaturas no DF e em outras áreas do Centro-Oeste está relacionada a uma combinação de fatores atmosféricos. Um deles é a atuação de um sistema de alta pressão que permanece sobre a região há vários dias. Esse sistema dificulta a chegada de massas de ar frio e de sistemas que poderiam trazer chuva para o Centro-Oeste. "Quando a gente configura isso, os sistemas do Sul não conseguem chegar", explicou.
O calor, entretanto, será mais intenso em outras áreas do Centro-Oeste. Enquanto Brasília deve permanecer na faixa dos 30°C, regiões mais a oeste, especialmente próximas às divisas com Mato Grosso do Sul e em áreas de Goiás, podem registrar temperaturas muito mais elevadas. A previsão para alguns pontos do Centro-Oeste aponta marcas próximas dos 40°C.
Em Goiânia, por exemplo, a média das máximas para agosto é de aproximadamente 30°C. Os termômetros podem chegar a cerca de 34°C nos próximos dias e, pontualmente, superar em mais de 5°C a média. Em Cuiabá, a média das máximas de agosto é ainda mais alta, em torno de 33°C. Mesmo com a elevação prevista, as temperaturas devem ficar aproximadamente 3°C acima do padrão, sem indicação, neste momento, de uma sequência suficiente para caracterizar uma onda de calor.
A diferença entre as temperaturas previstas para Brasília e as registradas em áreas mais a oeste da região central do Brasil está relacionada, entre outros fatores, à localização e à topografia. Segundo a meteorologista, essas áreas tendem a apresentar temperaturas mais elevadas, enquanto a capital, localizada mais ao centro da região, deve experimentar um calor menos extremo.
Veranico
Embora o país tenha diferentes regiões enfrentando períodos de calor acima do habitual, a nomenclatura utilizada para definir esse cenário não é a mesma em todo o território brasileiro. Em regiões como no Sul, por exemplo, um efeito chamado de veranico está em plena atuação. O fenômeno representa uma interrupção temporária do padrão de chuva, acompanhada por temperaturas mais elevadas que o habitual. "São dias quentes e secos no meio do inverno frio e chuvoso", explicou a meteorologista.
No norte do Rio Grande do Sul e em áreas do Paraná, as temperaturas podem subir significativamente em relação à média. "Lá os números vão ficar em torno de 34°C de máxima, enquanto a máxima média para esse período deve ser em torno de 21°C a 22°C na região. Então, com certeza, vai configurar (a onda de calor)", disse Ana.
Além dos termômetros mais altos, os brasilienses precisam lidar com outro fator que pode tornar os próximos dias ainda mais desconfortáveis, que é a baixa umidade relativa do ar cada vez mais baixa. O DF já registrou índices inferiores a 20%, cenário que levou o Inmet a manter alerta laranja para baixa umidade. A condição é resultado da combinação entre a ausência de chuva, o tempo aberto e a permanência do sistema de alta pressão.
A baixa umidade também interfere na percepção que as pessoas têm do calor. Embora a sensação térmica seja calculada a partir da relação entre temperatura e umidade, o tempo extremamente seco produz desconforto e pode fazer com que a população perceba as condições atmosféricas de maneira ainda mais desagradável.
