Apontada como a principal supeita de aplicar golpes de loja falsa de celular, Micaelli Araújo, de 22 anos, estudante de Direito e estagiária em um escritório, se intitulava nas redes sociais como “doutora Micaelli” e publicava conteúdos relacionados à área jurídica.
Por trás da imagem de acadêmica e criadora de conteúdo, porém, a jovem é investigada pela Polícia Civil (PCDF). Ela e o companheiro foram presos preventivamente durante a Operação Reflexo, deflagrada nesta sexta-feira (14/8).
Nas redes sociais, a jovem construía uma imagem ligada ao universo jurídico. Em uma das publicações, se apresentava como acadêmica de Direito e dizia compartilhar conteúdos, experiências e informações sobre direitos. Em uma das postagens ela diz: "Me chamo Micaelli Araújo, acadêmica de Direito, atualmente no 7º semestre, apaixonada pela advocacia e por tudo o que ela representa: justiça, voz e transformação", comunicou.
Golpe
De acordo com a investigação da 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), que ocorreu em São Paulo e contou com apoio operacional da Polícia Civil de São Paulo (PCSP), a dupla criava perfis falsos que reproduziam a identidade visual de uma loja verdadeira especializada em venda de celulares. Os suspeitos faziam o anúncio dos aparelhos e conduziam as negociações pelas redes sociais. Após o pagamento, os celulares não eram entregues.
Com objetivo de tornar o golpe mais convincente, os investigados montaram uma “loja cenográfica” em um cômodo do imóvel onde viviam. O espaço era organizado para parecer um estabelecimento comercial e utilizado na produção de fotos e vídeos de celulares, caixas, embalagens e outros materiais. Esse conteúdo era enviado às vítimas durante as negociações para aumentar a aparência de legitimidade da falsa loja.
A Justiça determinou a prisão preventiva de ambos, além do cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão e do bloqueio cautelar de até R$ 20 mil em ativos financeiros. A jovem não tinha registros criminais anteriores identificados. O companheiro responde um processo por estelionato no Rio Grande do Sul, também relacionado a uma falsa loja virtual.
Segundo a PCDF, a investigação identificou ocorrências relacionadas aos golpes no Distrito Federal e registros semelhantes em outros estados. Os dois responderão, em tese, por estelionato mediante fraude eletrônica, previsto no artigo 171, § 2º-A, do Código Penal, com pena de quatro a oito anos de reclusão, além de multa*, para cada crime reconhecido. A definição da pena final dependerá do número de crimes e da forma de concurso eventualmente reconhecida pela Justiça.
A investigação continua com a análise pericial dos dispositivos apreendidos. A Polícia Civil também busca reunir novos elementos sobre a atuação do casal e identificar outras possíveis vítimas do esquema.
