Um homem de 41 anos foi preso preventivamente por proferir ataques racistas, misóginos e xenofóbicos na internet. As declarações discriminatórias eram voltadas a nordestinos, negros, mulheres, mato-grossenses e mineiros e ocorreram, inclusive, nos comentários de uma postagem feita na página oficial da polícia. O investigado foi localizado em sua residência, em Ceilândia, em cumprimento a mandados judiciais expedidos pela 2ª Vara Criminal de Santa Maria.
As investigações do caso foram conduzidas pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), no âmbito da Operação Vox Odii ("A Voz do Ódio").
O homem já havia sido indiciado em junho por postagens ofensivas feitas em 8 de março — Dia Internacional da Mulher — no perfil oficial da corporação, atacando uma policial por sua cor e incitando o ódio de gênero. Mesmo sob investigação, o suspeito continuou a publicar vídeos com declarações de cunho discriminatório ao longo do mês de julho.
No imóvel do acusado, os policiais apreenderam o aparelho celular utilizado nas gravações e identificaram a parede de fundo usada nos vídeos. No local, ao lado de dois crucifixos, havia frases de ódio escritas à mão, com dizeres como: "Todo ódio que houver no meu coração é pouco".
A delegada-chefe da Decrin, Ângela Maria dos Santos, destacou que a sensação de impunidade e de anonimato nas redes não impede a responsabilização legal. "A internet é um falso escudo para a prática criminosa", reforçou a titular.
O investigado responderá em continuidade delitiva por apologia ao crime e por praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional cometidos por meio de redes sociais (Artigo 20, § 2º da Lei nº 7.716/1989). Somadas, as penas para os delitos cometidos pelo suspeito podem ultrapassar 10 anos de reclusão.
