
Dois irmãos atuavam de forma coordenada para aplicar golpes em moradores do Distrito Federal com foco em pessoas idosas e com limitações de mobilidade. Ambos fingiam ser técnicos que realizavam serviços de manutenção em portões e, sem informar valores prévios, iniciavam os reparos e impunham cobranças abusivas de até R$ 8 mil. Um homem foi preso na manhã desta quinta-feira (20/8) e o irmão segue foragido. Confira o vídeo:
O esquema funcionava a partir da afixação de panfletos e adesivos de propaganda em portões residenciais. Quando a vítima entrava em contato para solicitar apenas um orçamento, os suspeitos compareciam uniformizados e equipados com ferramentas, dando início imediato ao desmonte do equipamento ou ao suposto reparo, antes mesmo de informar o valor do serviço. Com o trabalho em andamento ou concluído, os falsos técnicos impunham valores abusivos, criando uma situação de fato consumado que constrangia os moradores a realizarem pagamentos em espécie, Pix ou cartão.
A dinâmica fraudulenta foi desarticulada por policiais da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia) durante a Operação Serviço Forçado. As equipes cumpriram mandados de busca e apreensão e prenderam preventivamente um jovem de 20 anos em Ceilândia. O irmão dele, de 28 anos, não foi localizado nos endereços e é considerado foragido pela Justiça.
Estelionato reiterado
As investigações começaram após o relato de uma idosa de 76 anos, moradora de Ceilândia, que tentou solicitar um orçamento para arrumar o portão de casa. Sem autorização prévia, os homens começaram a manutenção e exigiram um valor entre R$ 3.720 e R$ 3.900 pelo trabalho. Sem ter a quantia solicitada, a moradora acabou entregando R$ 2,9 mil em dinheiro — todo o montante que possuía guardado na residência no momento.
A apuração revelou outros tipos de fraude aplicados pelos investigados, como a alteração abusiva do preço negociado e cobranças em duplicidade com máquinas de cartão. Em um dos casos identificados, uma vítima acreditava estar efetuando uma transação de R$ 800 e teve R$ 8 mil debitados da conta.
Em outra ocorrência, após a alegação de que a primeira tentativa havia falhado, o cliente passou a máquina novamente e sofreu um prejuízo duplicado de R$ 2,2 mil. Um dos investigados costumava se apresentar com o nome falso de "Lucas".
Ao todo, os policiais mapearam cinco números de telefone vinculados aos suspeitos e associaram os terminais a 26 ocorrências registradas na Polícia Civil desde 2025. Apenas em episódios apurados em 2026, o prejuízo financeiro acumulado pelas vítimas ultrapassa R$ 30 mil.
O jovem de 20 anos detido era o responsável por figurar como beneficiário dos pagamentos via Pix e das maquininhas de cartão. A dupla responderá por estelionato reiterado, crime com pena prevista de um a cinco anos de reclusão, agravada em um terço por ser cometido contra vulneráveis e idosos.
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