
Líderes do movimento Levante Mulheres Vivas dos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Pernambuco, Sergipe e Rio de Janeiro ocupam, desde a manhã desta terça-feira (30/6), o Anexo II da Câmara dos Deputados, em Brasília, em ato para pressionar parlamentares pela votação do PL 896/23, que criminaliza a misoginia. O grupo conversou lideranças de partidos como o PSD, União Brasil e PSOL. O Projeto já foi aprovado no Senado por unanimidade, em março deste ano, e pode ser votado pela Câmara nesta terça, 30.
Para o Levante, as redes sociais são prioridade. Rachel Ripani, cofundadora do movimento, diz que entende que tem "um funil de ódio que é servido para os nossos adolescentes via algoritmo". "Isso é muito perigoso para a segurança dos meninos e meninas."
O PL visa fortalecer o combate a expressões de ódio, desprezo e discriminação contra mulheres, abrangendo agressões em contextos simbólicos, políticos e virtuais. A proposta, de iniciativa da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), modifica a Lei do Racismo e o Código Penal para instituir sanções a comportamentos motivados por misoginia. O texto estabelece pena de dois a cinco anos de detenção, além de multa, para delitos cometidos em virtude da condição feminina.
Luta
Para Sandra Munhoz, liderança do Levante na Bahia, tornar a misoginia crime também simboliza muito para as mulheres negras. "Quem está na ponta somos nós, mulheres pretas e pardas. Esse PL nos dá mais uma proteção." Em levantamento divulgado em março pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o feminicídio atinge majoritariamente mulheres adultas, sobretudo negras.
O Levante Mulheres Vivas é um movimento suprapartidário voluntário que surgiu em dezembro de 2025 a partir de uma chamada de Rachel para levar mulheres e aliados na luta por direitos às ruas para exigir que o feminicídio se tornasse emergência nacional. "A gente entende que mulheres, enquanto grupo, não são protegidas. Conseguimos criminalizar o racismo, a xenofobia, a intolerância religiosa, a homofobia e a transfobia. Quando tentamos criminalizar a misoginia, encontramos entraves", afirma Rachel.
*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates

Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF