Brasília está recebendo dois grandes eventos, no segundo semestre de 2026, focados no apoio, desenvolvimento e capacitação da produção rural e dos produtores do Distrito Federal (DF). Em entrevista ao CB.Agro — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília —, Carlos Cardoso, gerente de negócios em rede do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-DF), e Eduardo Schulter, superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Distrito Federal (Senar-DF) falou aos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Samanta Sallum sobre o potencial do agronegócio local.
Com entrada gratuita, o Expoabra está acontecendo desde esta sexta-feira (28/8), na Granja do Torto, promovendo torneios, feiras, exposições e palestras que focam na capacitação de produtores e trabalhadores rurais. De acordo com Eduardo Schulter, o evento trabalhará com diferentes segmentações, desde avicultura à bovinocultura. "O evento ocorre por 17 dias, no parque que tem 77 hectares. Acontecem provas, eventos, leilões, tudo ao mesmo tempo", descreve o superintendente. Na feira, os produtores estarão expondo seus produtos, à exemplo de queijos, vinhos e café.
O evento Alimenta 2026 está programado para 5, 6 e 7 de novembro, também com entrada franca. O espaço que estará recebendo a programação é o Pavilhão do Parque da Cidade, em um encontro que contará com um laboratório de política pública voltado para debater, discutir e encaminhar propostas de incentivo ao setor para o próximo governo. Segundo Carlos Cardoso, a programação do evento oferecerá muito conteúdo e oficinas-show com chefs de cozinha locais e de fora de Brasília. "Os produtores interessados em participar como expositores já podem acessar o edital de cadastramento disponível no site alimentasebrai.com.br", destaca o gerente de negócios.
Dificuldades do setor
Durante a entrevista, os convidados ainda apontaram que, embora haja um grande mercado consumidor em Brasília, o principal gargalo ainda é a aproximação entre o produtor e o consumidor final. Segundo Schulter, para mitigar isso, destacam-se as feiras, as ações de capacitação e o turismo rural, que já conta com pelo menos 12 propriedades mapeadas associadas a rotas turísticas, como a Rota do Queijo, o roteiro das vinícolas e o Qualipag na produção de morango.
Outro ponto central é o estímulo ao consumo local por meio de iniciativas como o programa "Compra do Pequeno" do Sebrae, que gera um círculo virtuoso ao reter recursos na região, gerar empregos e fortalecer a economia de forma sustentável. De acordo com Cardoso, o DF já se destaca na exportação de produtos de valor agregado, como mel, geleia de mirtilo, vinhos e cachaças premiadas nacionalmente, como a da Fercal. "Cerca de 70% das exportações do DF pe a avicultura, entre todas as exportações locais. É uma das mais tecnológicas do Brasil. Atende inclusive o mercado árabe", adiciona.
Por fim, os entrevistados ressaltam o foco em capacitação, assistência técnica e inserção digital dos produtores para aumentar a produtividade e facilitar o acesso a novas tecnologias, maquinários e crédito.
