O candidato ao governo do Distrito Federal Kiko Caputo (Novo) prometeu investir R$ 1,2 bilhão no metrô para recuperar sistemas considerados defasados e ampliar a eficiência do transporte sobre trilhos. A proposta foi apresentada nesta segunda-feira (31/8), durante sabatina na Rádio BandNews Brasília. O candidato também defendeu a expansão do metrô até regiões como Samambaia, Sol Nascente e Pôr do Sol, a implantação do BRT na região Norte e a criação de quatro novas estradas parque para desafogar o trânsito.
Segundo Caputo, o metrô passa por um processo de sucateamento e precisa receber investimentos principalmente nos sistemas de energia e bilhetagem. Para ele, a melhoria do transporte público deve ser combinada com a abertura de novas vias para reduzir os congestionamentos no Distrito Federal. “Tem muita coisa para ser feita e não há uma saída mágica. É uma conjugação de vários esforços”, afirmou.
Na avaliação do candidato, o transporte sobre trilhos deve ser uma das prioridades de um eventual governo. Ele afirmou que pretende levar o metrô até o fim de Samambaia e ampliar o atendimento para as regiões do Sol Nascente e Pôr do Sol, em Ceilândia. Caputo também defendeu a retomada do projeto de transporte ferroviário entre Luziânia (GO) e Brasília, com chegada à Rodoferroviária, e a implantação de um BRT para atender a população da saída Norte do Distrito Federal.
Para complementar as medidas, o candidato propôs a construção de quatro estradas parque. Uma delas ligaria Planaltina a áreas como Arapoanga, Vale do Amanhecer, Itapoã e Paranoá. A proposta inclui ainda uma segunda ponte para o Lago Norte, que segundo Caputo, permitiria a ligação dessa nova via com a região da Universidade de Brasília (UnB) e a L4. “Quem mora no Paranoá, Itapoã, vai acessar o Plano em 20 minutos”, afirmou.
As outras três estradas parque citadas pelo candidato atenderiam as regiões de Brazlândia, Águas Claras e Recanto das Emas. Para Águas Claras e Guará, Caputo defendeu a atualização do projeto dos interbairros para criar uma alternativa de ligação com o Plano Piloto.
A Estrada Parque do Encanto seria construída a partir do Recanto das Emas, passando pelo Riacho Fundo e chegando ao Plano Piloto. Para Brazlândia, a proposta prevê uma ligação alternativa ao trânsito da Estrutural “Queremos que o pai de Ceilândia tenha o mesmo direito do pai do Plano Piloto de jantar com a sua família todos os dias”, declarou.
Segurança
Na segurança pública, Caputo defendeu o aumento da presença do Estado nas ruas. Segundo ele, a sensação de insegurança está diretamente relacionada à ausência de agentes públicos em determinadas regiões. O candidato também relacionou a situação da população em situação de rua a falhas em diferentes políticas públicas. Para ele, o problema não deve ser tratado apenas pela área de segurança. “O Estado está ausente, por isso a sensação de insegurança”, disse.
Caputo citou questões relacionadas à assistência social, saúde mental, dependência de drogas, habitação e emprego. Segundo ele, diferentes perfis de pessoas em situação de rua demandam respostas distintas do poder público. “Morador de rua é, vamos dizer assim, a face visível da falência total da política pública de habitação, de assistência social, de desenvolvimento econômico, de saúde e de segurança pública”, afirmou.
Na avaliação do candidato, a falta de integração entre as áreas do governo dificulta a solução do problema. Ele voltou a criticar o que considera uma divisão política das secretarias e afirmou que órgãos públicos deveriam compartilhar informações para formular políticas integradas. “Essa política pode funcionar muito bem para os políticos e para os partidos, mas não funciona para a população”.
Privatizações
Questionado sobre a política de privatizações defendida pelo Novo em âmbito nacional, Caputo afirmou que não considera a privatização um tabu. Segundo ele, a decisão deve levar em conta a qualidade e o custo do serviço oferecido à população. “Privatização para mim não é tabu. Tabu para mim é não darmos serviço público de excelência para o cidadão”, afirmou.
Apesar da posição favorável à possibilidade de concessões e privatizações, o candidato disse que pretende manter o metrô sob controle público. Na avaliação dele, a Companhia do Metropolitano do DF precisa ser recuperada antes de qualquer discussão sobre transferência para a iniciativa privada.
Caputo também defendeu a concessão de parques públicos. Citou como exemplo o Parque da Cidade, que segundo ele, poderia ter mais restaurantes, bares e outras atividades para ampliar o uso do espaço. “Quem sabe não podemos pensar numa privatização do parque para colocar coisas legais ali, equilibrar um pouco mais o parque”, disse.
Na saúde, entretanto, o candidato afirmou não defender a privatização. Sobre o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF), Caputo disse que pretende manter o modelo, mas fazer uma reformulação na gestão. Segundo ele, o instituto teria sido “desvirtuado” e deveria passar por um “choque de honestidade”. O candidato também criticou a situação da saúde pública e afirmou que o acesso a médicos e procedimentos estaria cada vez mais condicionado à capacidade financeira dos moradores.
Cultura
Durante a sabatina, Caputo também apresentou uma proposta específica para a área cultural. Questionado sobre o financiamento público das artes e o Fundo de Apoio à Cultura (FAC), o candidato afirmou que pretende aumentar o percentual destinado à política cultural.
Atualmente, a legislação distrital prevê o repasse de 0,3% da receita corrente líquida ao Fundo de Apoio à Cultura. Caputo afirmou que, caso seja eleito, pretende elevar esse percentual para 0,5% ao fim dos quatro primeiros anos de governo. “Para mim, o artista não é um trabalhador, o artista é a solução”, declarou.
O candidato defendeu o fortalecimento da chamada economia criativa como estratégia para diversificar a economia do Distrito Federal. Segundo ele, o setor cultural não deve ser tratado como despesa, mas como investimento. “Reconhecemos a cultura não como um gasto, mas como um investimento. E a gente quer levar a cultura para todas as RAs do Distrito Federal”, afirmou.
