
Um grupo suspeito de furtar cartões bancários e aplicar golpes religiosos foi preso. Os criminosos abordavam, principalmente, pessoas idosas ou em situação de vulnerabilidade, prometiam melhorar a chamada “saúde financeira” durante falsas rezas e rituais de bênção. Segundo as investigações, os criminosos fizeram quatro vítimas no Distrito Federal e R$ 50 mil em prejuízos. A quantia ainda pode aumentar com a identificação de novas vítimas.
Os indivíduos foram presos no fim da tarde desta segunda-feira (31/8), durante a Operação Keep The Faith, da Polícia Civil (PCDF), deflagrada pela 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá). Os três foram localizados em um churrasquinho no Setor M Norte, em Taguatinga, onde, segundo a investigação, aparentemente eles comemoravam as ações realizadas durante o dia.
A investigação aponta que os suspeitos formavam um esquema criminoso itinerante. Há registros de crimes no DF, Minas Gerias, São Paulo e Bahia, estado de origem dos investigados. A mobilidade, segundo a polícia, era utilizada para dificultar a identificação dos envolvidos e a ligação entre os diferentes crimes. Para percorrer diferentes estados e dificultar o rastreamento dos deslocamentos, o grupo utilizava um veículo alugado.
Modus Operandi
A abordagem dos criminosos começava nas proximidades de agências bancárias. Um dos integrantes do grupo se aproximava da vítima e oferecia supostos produtos, medicamentos ou “elixires” relacionados à saúde. Durante a venda, o suspeito buscava informações pessoais, familiares e financeiras, com o intuito de construir uma relação de confiança. Em seguida, dizia conhecer um suposto “curandeiro”, que seria capaz de fazer orações e trabalhos espirituais, inclusive para melhorar a situação financeira.
Após ser convencida pela atuação, a vítima era levada até outro integrante da quadrilha, que simulava rezas e rituais para “abençoar” o cartão bancário. Durante esse ato, o cartão verdadeiro era retirado e substituído por outro sem valor, colocado em um envelope ou invólucro. Os suspeitos orientavam a vítima a manter o objeto fechado por cerca de sete dias para que a suposta oração produzisse efeito.
Enquanto a pessoa aguardava o resultado do ritual, os criminosos utilizavam o cartão verdadeiro. De acordo com a investigação, eram realizadas compras e saques antes mesmo de a vítima perceber que havia sido enganada.
Fiança
Após as prisões, foi determinada uma fiança de R$ 30 mil para cada um dos três autuados. Durante os procedimentos na delegacia, um advogado constituído compareceu à unidade policial para tentar providenciar o pagamento. Para liberar os três, seria necessário desembolsar R$ 90 mil.
De acordo com a PCDF, as circunstâncias financeiras verificadas após as prisões também serão analisadas pela investigação, assim como a estrutura utilizada pelo grupo para manter os deslocamentos entre diferentes estados. A polícia pretende verificar ainda se outras pessoas participavam do esquema.
Os três investigados devem responder, inicialmente, por associação criminosa e múltiplos furtos mediante fraude, sem prejuízo de outras responsabilizações que possam surgir durante o avanço das investigações.
A corporação alerta que outras pessoas podem ter sido vítimas do grupo sem ainda relacionar os crimes à atuação dos suspeitos. A corporação pede que pessoas que reconheçam os investigados ou tenham passado por situações semelhantes procurem a delegacia mais próxima.

Cidades DF
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