
O oncologista clínico do Hospital Brasília Gustavo Fernandes, vice-presidente de oncologia da Rede Américas, foi o convidado desta quinta-feira (3/9) do CB.Saúde, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Às jornalistas Sibele Negromonte e Mila Ferreira, ele detalhou um estudo recente que investigou a relação entre medicamentos GLP-1, as famosas “canetas emagrecedoras”, com a redução no desenvolvimento de tumores relacionados à obesidade.
Segundo o especialista, o estudo de dois anos, intitulado GLP-1 receptor agonist use and cancer risk in obese nondiabetic adults, publicado na revista científica Annals of Oncology, analisou o uso desses medicamentos em pacientes com obesidade — mas sem hipertensão ou diabetes — e o associou a uma queda na frequência de casos de desenvolvimento de 13 tipos de câncer, além de perda de peso maior do que pacientes obesos que não utilizaram os remédios.
O especialista ressata que os dados são chamam a atenção pelo tamanho da diferença entre cada grupo estudado. No entanto, os fármacos e pesquisas são recentes. “Considero como um dado provavelmente verdadeiro, embora ainda precise de confirmações”, afirma Fernandes. Para ele, faltam informações sobre o uso a longo prazo dessas drogas.
Os principais cânceres relacionados à obesidade são, como apontado pelo oncologista, o câncer de pâncreas, de intestino grosso, próstata, mama e endométrio, comum na resistência e níveis altos de insulina. "São tumores que, aparentemente, têm o risco reduzido pelo uso das canetas, claramente pela redução da obesidade”, explica ele, enfatizando que não se sabe, ainda, se a baixa incidência surge a partir da redução no acúmulo de gordura, de insulina ou de ambas.
Prevenção
O câncer no aparelho digestivo, como no intestino grosso, aparece, aproximadamente, em uma a cada 30 pessoas no Brasil. Fernandes adverte que o rastreio, a partir da colonoscopia, é efetivo. Para o câncer de fígado, doenças infecciosas virais como hepatite B e hepatite C podem ser fatores de desenvolvimento do tumor. A boa notícia é que existem vacinas para essas doenças. O especialista também alerta para a importância da redução na ingestão de álcool e a redução da obesidade.
O oncologista aponta hábitos que “empurram a incidência para cima”, sendo eles o tabagismo, alimentação inadequada, microbiota alterada e a idade avançada que a população tem atingido, porém, celebra avanços no tratamento de câncer no Brasil.
Assista à íntegra da entrevista:
*Estagiária sob a supervisão de Eduardo Pinho

Cidades DF
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