Eleições 2026

Zema e Caputo criticam gestão do DF em lançamento de carta a cristãos

Chapa acena ao eleitorado conservador com pautas morais e mira supostos desmandos e escândalos no GDF

O evento contou com a participação de candidatos locais e nacionais do Novo -  (crédito: Peter Neylon/Divulgação)
O evento contou com a participação de candidatos locais e nacionais do Novo - (crédito: Peter Neylon/Divulgação)

Em um movimento para se aproximar do eleitorado conservador e religioso, candidatos do Partido Novo apresentaram em Brasília a “Carta de Princípios ao Segmento Cristão”. O evento foi promovido pela chapa à presidência da República pelo partido, composta pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e pelo senador Eduardo Girão, e teve a participação do candidato ao governo do Distrito Federal Kiko Caputo (Novo).

Em troca de afagos, Zema cumprimentou Caputo pelo desempenho em um debate local realizado na véspera do encontro. Modesto com o resultado, Caputo justificou um desgaste físico: "Eu não estava nos meus melhores dias. Acho que eu errei na agenda. Comecei uma agenda muito cedo, muito cansativa, aí ontem acho que eu estava com a energia um pouco mais baixa, mas deu para passar o recado".

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A conversa logo caminhou para a tática de confronto contra os adversários. Ao notar a ausência de Celina Leão (PP) no debate, Zema pontuou: "Eu vi que faltou uma pessoa". Caputo aproveitou a deixa para elevar a temperatura do discurso contra a gestão distrital. "Acho que ela tem fugido do debate. Está com medo, porque a gente vai revelando uma série de desmanches nesse governo, o pior que já tivemos no DF."

A cúpula do Novo mirou nas polêmicas e investigações referentes ao Banco de Brasília (BRB). Demonstrando alinhamento na retórica anticorrupção, Zema provocou: "O que teve aí no BRB é um exemplo disso. Quantos bilhões?". Caputo respondeu estimando cifras vultosas que, segundo ele, seriam suficientes para transformar a realidade da capital. "Ninguém sabe, mas muito mais do que R$ 20 bilhões. Resolvia todos os problemas do DF. E resolvia um pouco dos problemas do Brasil".

A carta

O partido lançou uma carta que dedica atenção expressa à proteção da vida e aos modelos de família e ensino. O documento reafirma a defesa da "vida desde a concepção até a morte" e manifesta oposição a "qualquer tentativa de ampliação das hipóteses de aborto atualmente permitidas".

No âmbito educacional, ressalta a responsabilidade dos pais na formação moral e religiosa dos filhos e manifesta apoio a modelos como o homeschooling (ensino domiciliar) e as escolas cívico-militares, criticando o que define como "doutrinação ou coerção ideológica" nas salas de aula.

Em relação às políticas de drogas, a chapa Zema-Girão é contrária à descriminalização ou flexibilização da maconha para uso recreativo. O texto enfatiza que "o uso medicinal de substâncias como o canabidiol (CBD) não pode ser usado como pretexto para a liberação irresponsável das drogas" e ressalta que mudanças na legislação sobre o tema devem ser prerrogativa do Congresso Nacional, e não do Poder Judiciário. Dispositivos como os cigarros eletrônicos (vapes) também são alvo de propostas de combate ao comércio clandestino e proteção à juventude.

Outro aspecto da carta é em relação ao sistema de justiça. O item 12 prevê a "defesa das liberdades civis fundamentais frente aos arbítrios da Suprema Corte e de qualquer instituição do sistema de justiça". No trecho, a chapa promete uma postura firme para conter o que chama de mitigação das liberdades civis, com destaque para as liberdades de imprensa, expressão, pensamento e associação partidária.

Na área de segurança pública, o plano defende o endurecimento do combate ao crime organizado, facções e milícias, aliando a proteção às vítimas à oferta de caminhos de reabilitação e assistência espiritual para os que desejarem abandonar o crime e a dependência química.

Outras agendas

Mais cedo, Caputo participou de sabatina realizada pelo Jornal de Brasília, onde apresentou suas propostas para a recuperação das contas públicas e a melhoria dos serviços essenciais no DF. Entre as medidas defendidas pelo candidato, destaca-se a reformulação no preenchimento dos cargos de direção da administração pública distrital, com foco na ocupação prioritária por servidores de carreira.

Segundo o candidato, a máquina pública enfrenta problemas operacionais decorrentes da distribuição indevida de funções comissionadas. Para o candidato, é necessário interromper a prática que descreveu como “loteamento político” e devolver o comando das diretrizes técnicas aos funcionários concursados.

"A prática é acabar com a corrupção e fazer os servidores públicos gerirem a máquina pública, porque a política que está sendo praticada aqui no Distrito Federal está sendo feita em detrimento e prejuízo da população", declarou.

O candidato reforçou a tese ao citar o volume de cargos comissionados na estrutura do Executivo local. "Eles têm que ocupar os cargos de direção do Distrito Federal. São 21.603 cargos que são distribuídos de forma irresponsável para cabos eleitorais. Por isso que a máquina pública está emperrada", afirmou.

Além da reformulação administrativa, Caputo criticou a quantidade atual de pastas no Governo do Distrito Federal. Para o postulante do Novo, a estrutura com 33 secretarias é “disfuncional” e gera sobreposição de gastos sem a devida entrega de resultados para a população.  

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postado em 09/09/2026 18:13
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