
Onze pessoas foram presas e uma mulher está foragida por integrar um grupo criminoso suspeito de praticar agiotagem e extorsão. Maria Luiza da Silva Araujo Lopes era responsável por captar clientes para a organização criminosa e, segundo a investigação, participava das cobranças e extorsões contra vítimas endividadas. Em um dos áudios enviados à filha de um comerciante que tirou a própria vida em meio às dívidas, Maria Luiza fez ameaças de morte e afirmou que iria "encher a cara de balas". O comerciante morreu em 21 de março de 2025, dentro da própria banca, na Feira dos Goianos, em Taguatinga.
Inicialmente, o comerciante havia contraído um empréstimo de R$ 4 mil com o grupo. Com a incidência dos juros, as cobranças chegaram a R$ 100 a R$ 200 por dia. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), os agiotas cobravam juros superiores a 20% ao mês e pressionavam as vítimas a quitar as dívidas por meio de ameaças de morte e perseguições.
Em uma tentativa de contato com a filha do comerciante, Maria Luiza afirmou que estava esperando a mulher na porta da residência da família. "Hoje eu não consegui entrar aí. Mas vou ficar te esperando aqui fora, uma hora você vai ter que sair", disse a suspeita. A família deixou o imóvel por medo das ameaças.
A ação foi deflagrada nesta quinta-feira (10/9) pela PCDF, por meio da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri) e da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS), durante a operação Iustitia Victis. Ao todo, foram expedidas 47 ordens judiciais: 12 de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e 17 de bloqueio de ativos financeiros. Uma das prisões não foi cumprida porque Maria Luiza não foi localizada. As buscas ocorreram em Palmas e Araguaína, no Tocantins, e em Formoso, Goiânia e Senador Canedo, em Goiás.
A investigação identificou dois núcleos distintos e independentes de agiotas. O primeiro, formado por colombianos, foi alvo da primeira fase da operação, deflagrada em 2025. Já a ação desta quinta-feira teve como alvo o grupo formado por brasileiros, que, segundo a PCDF, atuava no Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins com empréstimos a juros abusivos e cobranças diárias.
A análise financeira apontou que as contas investigadas receberam R$ 10.178.544,79 em créditos entre 1º de janeiro e 29 de agosto de 2025. Ao todo, os bloqueios determinados pela Justiça alcançam esse mesmo valor.

Cidades DF
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