
A permanência ou não de José Roberto Arruda (PSD) na corrida ao Governo do Distrito Federal muda o cenário da disputa eleitoral. A análise é do diretor de negócios do Opinião — Inteligência Política, Carlos André Machado. Segundo ele, sem Arruda, Celina Leão (PP) tem chance de vencer no primeiro turno. Mas, se Arruda permanecer na disputa, os demais perdem votos para ele, podendo haver segundo turno com o próprio Arruda, que vem perdendo terreno, ou com Leandro Grass (PT), que avançou. O especialista esteve, nesta quarta-feira (23/9), no CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, para comentar a quarta rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política.
Em uma participação por videoconferência, o CEO do Instituto, Alexandre Garcia, falou às jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos sobre as eleições para o Senado. "A primeira vaga está bem encaminhada para Michelle Bolsonaro. Ela está à frente dos demais desde as rodadas anteriores", disse. "O que observamos é um embolamento, com Leila do Vôlei (PDT) perdendo força e Bia Kicis (PL) ultrapassando Érika Kokay (PT), empatando tecnicamente com Leila", completou. Ele acrescentou que a candidata petista também vem perdendo força e a do PL está avançando para mais perto de Leila na disputa para a segunda vaga.
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O que é possível dizer do crescimento de Grass, que agora aparece tecnicamente empatado com Arruda?
Na consulta espontânea, Grass já passou Arruda. Ele cresceu seis pontos percentuais. Isso o consolidou em segundo lugar na espontânea. Ao mesmo tempo, a quantidade de eleitores indecisos passou de 39% para 32%. Ou seja, nesse período, as pessoas realmente começam a se decidir, principalmente nos últimos quinze dias. Portanto, chamam a atenção o crescimento de Grass. Celina ainda cresce e Arruda perde um pouco.
Em um cenário sem Arruda, a eleição pode se resolver no primeiro turno?
Arruda é a peça central nesse processo. Na rodada passada, tínhamos Celina longe dos 50%. Agora, com 49% sem Arruda, ela está muito parecida com o percentual de votação do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) no primeiro turno das eleições de 2022. Ele recebeu 50,3% dos votos. O campo político está muito parecido. É como se Celina tivesse ocupado esse lugar. Grass está, sem Arruda, com 25,8% dos votos válidos. Ele teve, no primeiro turno das eleições de 2022, 26% dos votos. Ou seja, o cenário sem Arruda é exatamente o reflexo da última eleição. Agora, com Arruda, todo mundo perde votos para ele.
Em uma possível saída de Arruda, quem ganha os votos?
Grass conseguiria buscar mais votos de Arruda em relação aos outros candidatos.
A rejeição de Celina pode atrapalhar uma reeleição?
Certamente. A questão da rejeição está muito conectada com a campanha dos adversários da atual governadora. É uma campanha, de modo geral, que tenta mostrar falhas, erros e problemas na gestão do governo. A consequência disso é que a rejeição dela subiu aproximadamente 6% da última rodada para essa. Isso é reflexo dessa comunicação agressiva e dos debates, em que todos ficam contra ela. Isso também reflete na simulação do segundo turno. A vantagem da governadora em relação a Arruda praticamente caiu pela metade. Quem mais ganha com isso é Grass, que foi quem mais cresceu na projeção de cenários de segundo turno.
No cenário atual, não dá para cravar quem iria disputar o segundo turno com Celina, se Arruda ou Grass?
Agora não podemos dizer. Está na margem de erro. Na espontânea, Grass cresce e Arruda cai. Na estimulada, Arruda permanece à frente, mas empatado tecnicamente. Ou seja, Grass está em uma ascendência clara e Arruda está caindo. Isso se reflete na espontânea.
Para ter segundo turno, é preciso Arruda estar na disputa?
As chances de Celina ganhar no primeiro turno aumentam bastante se Arruda não for candidato.
Como avalia o cenário para a Câmara dos Deputados?
O desenho amostral da nossa pesquisa é ideal para avaliar cargos majoritários. Para deputado federal e distrital, há muitos candidatos. Então, a dispersão é muito grande. O que podemos perceber é que, pelos nossos cálculos, PL deve ter três vagas; Republicanos duas; MDB uma; PSol e Rede uma e PT, PV e PCdoB uma.
Assista à entrevista
A quarta rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, que abrange 31 regiões administrativas, foi a campo entre 17 e 19 de setembro, de forma presencial, e fez 1.132 entrevistas. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem o número DF-03622/2026. Margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
*Estagiária sob supervisão de Malcia Afonso
Cidades DF
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