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Saída de Arruda altera disputa e beneficia Celina no DF, aponta especialista

Em entrevista ao CB Poder, Carlos André Machado, da Opinião Inteligência Política, analisa a migração de votos e os impactos da decisão do TSE nas campanhas ao Buriti e ao Senado

CB.Poder entrevista Carlos André Machado, ditetor de negócios da Opinião -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
CB.Poder entrevista Carlos André Machado, ditetor de negócios da Opinião - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Com a saída de José Roberto Arruda (PSD), que teve a candidatura ao Buriti barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quinta-feira (24/9), o cenário para a eleição ao Governo do Distrito Federal sofreu uma reviravolta decisiva a poucos dias do pleito. Sem Arruda na disputa, a tendência de migração dos votos aponta para o fortalecimento da candidatura de Celina Leão, inclusive com a possibilidade de uma vitória ainda no primeiro turno. A análise foi feita pelo diretor de negócios do instituto Opinião Inteligência Política, Carlos André Machado, durante entrevista ao programa CB Poder — parceria entre o Correio Brasiliense e a TV Brasília — desta sexta-feira (25/9).

Na bancada, comandada pelas jornalistas Mariana Niederauer e Sibele Negromonte, Machado repercutiu o novo panorama desenhado pela pesquisa Correio/Opinião. No levantamento estimulado sem o nome de Arruda, Celina lidera com 37,2% das intenções de voto, seguida por Leandro Grass (19,6%), Paula Belmonte (9,8%), Ricardo Capelli (3,3%) e Kiko Caputo (3,2%). Brancos e nulos somam 13,3%, enquanto 10,7% não souberam responder.

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Enquanto o ex-governador anunciou publicamente o fim de sua jornada no pleito — pedindo aos eleitores que não votem nele, mesmo que sua foto siga na urna —, seus adversários iniciaram uma corrida para atrair a fatia do eleitorado que o acompanhava.

Distribuição dos votos

Segundo a análise de Carlos André Machado, a saída de Arruda favorece diretamente a candidata do PP. "Quando a gente olha os votos válidos, a Celina, que estava liderando desde o início, atinge cerca de 40% dos votos válidos com o Arruda na disputa", comentou. Naquela ocasião, o postulante do PSD tinha 25%, e a vantagem da atual governadora em um eventual segundo turno contra ele era de apenas quatro pontos. "Sem o Arruda, essa circunstância muda completamente. Quem ganha mesmo é a Celina", reforçou.

Ao avaliar a atitude de Arruda, que em suas declarações pós-julgamento cumprimentou apenas os concorrentes Paula Belmonte, Kiko Caputo, Ricardo Capelli e Leandro Grass, omitindo Celina, o especialista considerou o gesto uma movimentação tática, mas sem impacto de transferência formal. "Ele não definiu voto para ninguém. E, ao deixar em aberto, ajuda mais a candidata Celina, porque o eleitor de direita alinhado a ele não vai migrar para a esquerda", ponderou.

Dados da pesquisa detalham que cerca de um terço (31%) dos votos de Arruda migram diretamente para Celina Leão. A segunda maior captação é de Paula Belmonte (15,5%), seguida por Leandro Grass (11%). Outros 23% desse contingente declaram voto branco ou nulo.

Com esse reposicionamento, a disputa pelo Palácio do Buriti ganha contornos de definição antecipada. "Em termos de votos válidos, a candidata Celina, hoje, olhando o cenário que testamos, tem 49%. Está muito próximo de resolver no primeiro turno. Caso ocorra um segundo turno, será certamente com o candidato Leandro Grass, mas a diferença a favor dela continua muito ampla", projetou Machado.

Repercussão no Senado

A reconfiguração do tabuleiro político no DF também gera desdobramentos diretos na disputa por vagas no Senado Federal. Para Carlos André Machado, o grupo mais beneficiado pela exclusão de Arruda na chapa majoritária é o alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado, no DF, pelas candidaturas de Bia Kicis e Michelle Bolsonaro.

"O campo político do Arruda congrega eleitores de direita. Como um terço desses votos migra para a Celina, que tem uma conexão fortíssima com a campanha da Bia e da Michelle, a tendência de crescimento se consolida para esse grupo", observou. Em contrapartida, nomes ligados à centro-esquerda e à esquerda, como Leila do Vôlei e Erika Kokay, disputam o eleitorado mais alinhado à base governista federal.

Machado ressaltou que uma nova rodada da pesquisa Correio/Opinião irá a campo nos próximos dias para captar a consolidação desse novo arranjo eleitoral, na reta final das campanhas.

Assista à íntegra do programa: 

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postado em 25/09/2026 16:23
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