O candidato do Novo ao Governo do Distrito Federal, Kiko Caputo, afirmou nesta quinta-feira (3/9), durante sabatina promovida pela Fecomércio-DF, que pretende fazer uma mudança na matriz econômica do Distrito Federal, com maior participação do setor produtivo, atração de investimentos e estímulo aos pequenos negócios. Ao longo de perguntas feitas por representantes de entidades empresariais, o candidato apresentou propostas para economia criativa, crédito, empreendedorismo, agronegócio, indústria e mobilidade urbana.
Em diferentes momentos, Kiko associou o desenvolvimento econômico à capacidade de geração de empregos e criticou a dependência do DF em relação ao setor público e aos recursos do Fundo Constitucional. Segundo ele, o governo precisa deixar de atuar apenas na manutenção da máquina pública e assumir uma posição mais ativa na atração de empresas e investimentos.
“Não há programa social mais efetivo do que o trabalho. E isso dignifica a pessoa humana. Nada mais digno do que você ganhar e poder levar o pão para dentro de casa. E vocês são os grandes responsáveis por isso”, afirmou, em referência ao setor produtivo.
Economia criativa
A primeira pergunta da sabatina tratou da economia criativa, segmento que, segundo dados apresentados pela Fecomércio, movimentou mais de R$ 9 bilhões no Distrito Federal em 2022 e reunia aproximadamente 130 mil agentes criativos. Kiko afirmou que pretende utilizar o estudo apresentado pela entidade como instrumento para orientar políticas públicas de acordo com as características de cada região administrativa.
O candidato defendeu uma política permanente de valorização da economia criativa e afirmou que o diagnóstico produzido pela Universidade Católica de Brasília pode ajudar o governo a identificar as vocações econômicas de cada território. “Este estudo é precioso e mostra como o terceiro setor junto com a academia podem auxiliar muito o governo”, disse.
Kiko afirmou que pretende ampliar o conceito de economia criativa para incluir também cultura e esporte. A principal proposta apresentada foi a criação de um escritório de projetos ligado ao gabinete do governador. “Esse escritório de projetos vai ser espalhado por todas as regiões administrativas e ele vai apoiar os empreendedores”, afirmou.
A proposta, segundo o candidato, começaria ainda no ensino médio, com formação voltada ao empreendedorismo e à educação financeira. Kiko disse que pretende utilizar a estrutura do Sistema S como parceira do governo para ampliar a formação profissional dos jovens.
O candidato aproveitou o tema para criticar o desempenho do DF na educação. “De novo não vou me conformar com o último lugar no Ideb”, declarou. Para ele, instituições como Sesc e Senac podem ajudar a melhorar a formação profissional enquanto o poder público não conseguir oferecer sozinho uma estrutura considerada suficiente.
A aposta na economia criativa também foi relacionada ao turismo. Kiko defendeu que Brasília explore melhor sua posição como sede de organizações internacionais e amplie a capacidade de atrair visitantes.
Crédito e pequenos negócios
O acesso ao crédito para micro e pequenas empresas foi o segundo tema da sabatina. Kiko criticou a situação atual do Banco de Brasília (BRB) e afirmou que a instituição deveria exercer papel estratégico no financiamento dos empreendedores locais. “É lamentável que a pergunta hoje esteja dissociada da nossa realidade. A gente praticamente já perdeu o BRB. Fizeram tão mal a ele que ninguém nem sabe como é que ele ainda está sobrevivendo”, afirmou.
O candidato disse que pretende criar uma espécie de jornada de acompanhamento das empresas, da mesma maneira que seu plano de governo prevê políticas públicas para diferentes fases da vida das pessoas. Entre as medidas citadas estão microcrédito orientado, assistência técnica e educação financeira.
Kiko estabeleceu duas metas específicas para os pequenos negócios: reduzir pela metade o tempo de abertura, regularização e licenciamento de micro e pequenas empresas de baixo impacto e diminuir em 80% a mortalidade dessas empresas até o quinto ano de existência. “Nós vamos trabalhar para diminuir 50% o tempo de abertura, regularização e licenciamento de uma empresa de baixo impacto e microempresa de baixo impacto e vamos diminuir em 80% a mortalidade das micro e pequenas empresas até o quinto ano de sua existência”, afirmou.
O candidato também defendeu a desburocratização e a formalização de negócios como instrumentos de desenvolvimento econômico. A ideia do escritório de projetos nas regiões administrativas voltaria a aparecer como mecanismo para oferecer suporte aos empreendedores.
Mudança da matriz econômica
A sexta pergunta tratou da proposta da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) de criação de uma agência de investimentos. Kiko afirmou que a ideia está alinhada ao seu plano de governo e defendeu a criação de um escritório de investimentos diretamente ligado ao gabinete do governador.
O objetivo seria atrair novas empresas e indústrias para o DF e reduzir a dependência do setor público. “O Fundo Constitucional é uma bênção para o Distrito Federal. Se a gente perder um dia, pode pegar a chave do Buriti e entregar no Palácio do Planalto e deixar de administrar”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Kiko criticou a dependência do DF dos recursos federais. Segundo ele, a existência do Fundo Constitucional teria levado governos a se acomodarem e deixarem de buscar novas fontes de arrecadação e investimentos.
“Ele se tornou uma maldição, porque ele acomodou esses últimos governantes. Todos ficaram acomodados dentro do Palácio do Buriti. Nenhum deles suou a camisa para atrair novos investimentos para o Distrito Federal”, disse.
Para o candidato, a atração de empresas precisa ser acompanhada da oferta de infraestrutura adequada. Ele citou como exemplo o Polo JK, onde, segundo sua avaliação, o governo demorou décadas para solucionar problemas relacionados ao fornecimento de energia. “Você vai atrair um investidor, uma indústria que é alto consumidora de energia, se o próprio governo não cumpre o que prometeu há 20 anos?”, questionou.
Kiko afirmou que, se eleito, pretende percorrer o país em busca de novos investimentos. “A gente tem que sair rodando o Brasil inteiro para atrair novas empresas para cá, novas indústrias para gerarem emprego, para gerar impostos e para promover desenvolvimento econômico e social”, declarou.
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