Após entregarem ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) uma representação para pedir a investigação de supostos repasses de uma empresa contratada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) à companhia ligada ao marido e à filha da governadora Celina Leão (PP), nesta terça-feira (8/9), candidatos ao Palácio do Buriti reagiram à declaração da chefe do Executivo de que o grupo faria parte de um “bonde do Arruda”. Os postulantes negaram vínculo com o ex-governador e afirmaram que a iniciativa é suprapartidária.
José Roberto Arruda (PSD) disse que os sete candidatos que participaram do encontro foram ao MPDFT para pedir a apuração do que chamou de “mensalão da Celina”. Segundo ele, o procurador-geral de Justiça informou que a investigação seria instaurada ainda hoje. “Quem vai falar na legalidade ou ilegalidade é o Ministério Público e a Justiça”, declarou.
Arruda rebateu a associação feita por Celina com sua candidatura. “Eu fico muito honrado, mas não é isso. A leoa tem medo do gatinho aqui, por isso ela me visa sempre”, afirmou. O ex-governador disse que cada candidato tem sua própria posição política e que a união ocorreu diante da avaliação de que “era preciso fazer alguma coisa, que não pode ficar do jeito que está”.
Paula Belmonte (PSDB) também rejeitou o rótulo de “bonde”. “Eu não sou bonde de ninguém. Eu sou Paula Belmonte candidata ao governo, mãe de seis filhos e defendo sim a moralidade e a transparência da nossa cidade”, afirmou. A deputada distrital classificou como “inaceitável” o que considera falta de transparência, e cobrou que Celina apresente informações sobre os repasses à empresa ligada à família. “O bonde é da população do Distrito Federal”, disse.
Ricardo Cappelli (PSB) adotou tom semelhante e afirmou que a união representa, segundo ele, um “bonde da população do Distrito Federal” contra o que chamou de “bonde da corrupção”. “Nós nos unimos para defender a população do Distrito Federal”, declarou.
Leandro Grass (PT) cobrou que Celina apresente explicações sobre os pagamentos e disse que a governadora deveria demonstrar que os recursos recebidos por familiares foram referentes a serviços efetivamente prestados. “Se ela explicar e dizer que não tem nada a ver, ok. Agora, ela não explicou e resolveu nos atacar”, afirmou.
Elisson Ferreira (Agir) destacou que o ato reuniu candidatos de diferentes partidos e afirmou que a iniciativa busca ampliar o debate eleitoral sobre transparência. “É, de fato, um ato suprapartidário”, disse. Segundo ele, a presença de diferentes candidaturas demonstra à população as diferenças entre os projetos para o Distrito Federal.
O candidato Rico Pinheiro (PRTB) afirmou que assinou a representação por considerar necessário investigar denúncias envolvendo o governo. Em discurso marcado por críticas à governadora, ele acusou Celina de negligenciar problemas da cidade e afirmou que o grupo pretende “resgatar o respeito e a honra do Distrito Federal”.
