Eleições 2026

Candidatos ao GDF apresentam propostas para atrair pequenos empresários

Com 420 mil MPEs e 405 mil empregos no DF, microempreendedores entram no radar dos candidatos ao Palácio do Buriti, que disputam esse eleitorado estratégico com propostas de crédito, corte de impostos e desburocratização

Mais de 420 mil micro e pequenas empresas estão em atividade no Distrito Federal, segundo levantamento do Sebrae-DF, e o segmento emprega cerca de 405 mil pessoas. Com esse peso na economia, os pequenos negócios entraram no radar dos candidatos ao Governo do DF, que apresentam propostas envolvendo crédito, capacitação e incentivos fiscais para tentar estimular o empreendedorismo e a geração de empregos.

Dos 479.954 empreendimentos ativos no DF, 421.935 são micro e pequenas empresas (MPEs). O grupo é formado por 207.100 microempreendedores individuais (MEIs), 175.356 microempresas e 39.479 empresas de pequeno porte. Em 2025, a taxa de novos negócios chegou a 52% no Distrito Federal, enquanto as MPEs registraram 148.626 admissões até 2026, sobretudo no setor de serviços. 

As propostas, entretanto, vão além da promessa de facilitar a vida de quem empreende. Segundo o gerente de políticas públicas e ecossistemas de negócios do Sebrae/DF, Jorge Adriano Soares da Silva, o peso dos pequenos empreendimentos é mais relevante diante da dependência da economia local do setor público. "Esses tipos de negócios são fundamentais para a diversificação e o desenvolvimento da economia do Distrito Federal", afirma.

Apesar dos avanços na abertura de empresas, o Sebrae aponta gargalos que dificultam o crescimento dos empreendedores. Entre eles, estão o acesso ao crédito, a integração dos processos de licenciamento, a carga tributária e regulatória e a capacitação em gestão.

Na visão da entidade, a oferta de financiamento precisa vir acompanhada de planejamento e orientação para evitar que o recurso se transforme em endividamento. A instituição sugere mecanismos de garantia, como o Fundo de Aval à Micro e Pequena Empresa (Fampe), além de alternativas de financiamento adequadas ao perfil e ao fluxo de caixa de cada negócio. "No crédito, o Sebrae defende que o financiamento seja acompanhado de planejamento, orientação e educação financeira, com mecanismos de garantia, como o Fampe", explica Jorge Adriano.

O Sebrae considera necessário avançar na simplificação dos processos para quem pretende abrir ou regularizar uma empresa. Embora a abertura de empreendimentos de baixo risco tenha sido digitalizada e hoje leve cerca de 12 horas em Brasília, o Sebrae avalia que há espaço para integrar procedimentos de licenciamento e reduzir a carga tributária e regulatória.

Principais obstáculos

Não só a dependência do consumo interno pesa, burocracia, custos elevados de operação, como aluguel de imóveis comerciais, frete e dificuldades de armazenamento e escoamento também entram em jogo. "A burocracia para abertura, licenciamento e regularização de empresas — apesar dos avanços na Junta Comercial — ainda impõe barreiras de entrada e custos operacionais significativos para empresas de menor porte na fase pré-operacional", avalia Renan Silva, economista e professor do Ibmec.

A ampliação do crédito, na avaliação do professor, pode estimular investimentos e ajudar na manutenção do capital de giro, mas não deve ser tratada como solução isolada para os problemas dos pequenos negócios. "Se a injeção de crédito ocorrer em um ambiente de demanda deprimida ou sem a devida análise de capacidade de pagamento, o resultado é a insolvência do empreendedor", afirma.

Nesse sentido, a redução de impostos pode preservar o capital de giro das empresas e contribuir para a manutenção de empregos, principalmente em setores que dependem intensamente de mão de obra. Ele ressalta, porém, que "o benefício fiscal é mais eficiente quando o ganho de margem é reinvestido na expansão da capacidade produtiva ou em inovação, e não apropriado apenas como margem de lucro sem reflexo na atividade real".

Voto do empreendedor

Para além do impacto na economia, os pequenos empreendedores podem representar um grupo relevante na disputa pelo Governo do Distrito Federal por serem diretamente afetados por decisões relacionadas à tributação, crédito, burocracia e contratação. De acordo com Guilherme Augusto Mota, especialista em direito eleitoral, "esse eleitor tende a olhar menos para uma promessa abstrata de desenvolvimento e mais para aquilo que efetivamente melhora o ambiente para trabalhar, investir e contratar".

O especialista cita a redução de juros, os incentivos tributários e a capacitação como pontos estratégicos nas propostas, mas também destaca que o eleitor pode avaliar a consistência das propostas a partir de quatro pontos principais: execução, origem dos recursos, responsáveis pela implementação e prazo para que as medidas produzam efeitos. 

"Quanto mais concreta for a proposta, mais fácil será responder perguntas simples. Quem recebe, quanto custa, de onde vem o dinheiro, quando começa e qual resultado se pretende alcançar", afirma Mota. E resume: "Prometer apoio ao empreendedor é fácil. A diferença aparece quando o candidato consegue explicar como transformar essa promessa em política pública."

Projetos

Entre os candidatos ouvidos pelo Correio, o Banco de Brasília (BRB) aparece como um dos principais instrumentos propostos para apoiar pequenos e médios empreendedores do DF. Celina Leão (PP) propõe ampliar o acesso a crédito para empreendedores do Distrito Federal. Segundo a governadora e candidata à reeleição, "a ideia é juntar crédito com orientação, assistência técnica e educação financeira, para que o pequeno empreendedor tenha condições de fazer o negócio prosperar". Na área de incentivos fiscais e capacitação, Celina afirmou que pretende modernizar e ampliar os incentivos fiscais, imobiliários e de crédito. 

Entre as propostas apresentadas por José Roberto Arruda (PSD) está a criação do Programa Distrital de Competitividade Empresarial, que, segundo ele, teria como objetivo melhorar as condições para que empresas locais disputem mercados fora do DF. O candidato coloca o Banco de Brasília como um dos instrumentos para estimular o empreendedorismo local. 

Candidato do PT, Leandro Grass afirma que, se eleito, vai estruturar uma política pública de crédito para pequenos negócios. Um dos instrumentos para a concessão de financiamentos será o programa Fomenta-DF, que priorizaria "mulheres, jovens e negócios de periferia, que são os que mais penam para conseguir uma linha", explica. O candidato pretende transformar o BRB e os instrumentos de fomento existentes em agências com "captação de recursos federais (BNDES, Finep) e de fundos garantidores, para baixar o custo e ampliar o volume". 

O Banco de Brasília também é centro das medidas de Paula Belmonte (PSDB). Segundo ela, a solução passa por recuperar o papel do BRB como instituição de fomento aos empreendedores locais. "Vamos ampliar o acesso ao crédito e ao microcrédito, inclusive para capital de giro e investimentos, com atenção especial aos pequenos negócios e aos empreendedores das regiões administrativas", afirma.

Visando ampliar e facilitar o acesso ao crédito para pequenos e médios empreendedores, Kiko Caputo (Novo) afirma que o plano de governo prevê alinhar o BRB e os fundos públicos à estratégia de desenvolvimento econômico do DF. "Preservando a governança e a responsabilidade financeira, para que o crédito esteja associado à geração de empregos, produtividade, inovação e desenvolvimento regional", ressalta. 

Ricardo Cappelli (PSB) pretende mudar o papel do BRB para ampliar o apoio financeiro aos pequenos e médios empreendedores do DF. Segundo o candidato, a mudança retomaria a função que considera original da instituição e colocaria o BRB como um dos principais instrumentos de incentivo ao empreendedorismo no DF. "Essa é a missão original do BRB. E é isso que nós vamos fazer", ressalta.

Mais Lidas

De olho no empreendimentos do DF

Total de empreendimentos ativos no DF

479.954 


Total de micro e pequenas empresas (MPEs)

421.935 (87,9% do total) 


Microempreendedores individuais (MEIs)

207.100

Microempresas (ME)

175.356

Empresas de pequeno porte (EPP)

39.479

Pessoas empregadas pelas MPEs

405.000

Taxa de novos negócios que surgiram no DF (2025)

52%


Admissões geradas por MPEs (até 2026)

148.626 (destaque para serviços)