
O Correio Braziliense tem realizado, nas últimas semanas, sabatinas com candidatos ao Governo do Distrito Federal. A iniciativa promove espaço qualificado para o diálogo sobre os principais desafios, avanços e perspectivas da gestão pública na capital do país. Em um ambiente de debate transparente e informativo, o projeto busca aproximar a sociedade das decisões que impactam diretamente a vida da população.
Durante os encontros, são abordados temas estratégicos como infraestrutura, mobilidade, saúde, educação, segurança pública, desenvolvimento econômico, sustentabilidade e planejamento urbano, permitindo que os gestores apresentem resultados, projetos e prioridades para o Distrito Federal.
Em 11 de agosto, todos os candidatos ao GDF registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estiveram presentes na sabatina do Correio. O evento contou com mediação dos jornalistas Carlos Alexandre, Carmem Souza, Denise Rothenburg e Ana Maria Campos. Os candidatos Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappeli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo) também participaram de sabatinas no programa CB.Poder, programa do Correio em parceria com a TV Brasília.
Assista a sabatina completa:
A seguir, veja os principais destaques de cada candidato:
Celina Leão (PP)
A atual governadora do DF e candidata à reeleição ao Buriti, Celina Leão, do Partido Progressistas (PP), reconheceu avanços da gestão do ex-governador Ibaneis Rocha, mas criticou o governo anterior e afirmou ter herdado problemas relacionados ao Banco Master e ao orçamento. Celina também destacou medidas adotadas para reduzir gastos e reequilibrar as contas públicas. Ao falar sobre a internação involuntária humanizada de pessoas em situação de rua que representam perigo para si ou para os outros, a governadora disse que "a população me aplaudiu".
Arruda (PSD)
O ex-governador José Roberto Arruda, do Partido Social Democrático (PSD), justificou o retorno à disputa eleitoral com críticas à atual situação dos serviços públicos do DF, especialmente nas áreas de saúde e segurança. Durante a sabatina, também relembrou ações de seu antigo governo e citou obras e resultados na educação e na infraestrutura como exemplos do que pretende recuperar. "O que me faz voltar à vida pública é um momento difícil. Eu ando pela cidade ouvindo as pessoas e o que percebo é que as pessoas estão sofrendo. Os 67% da população que não têm um plano de saúde estão morrendo à míngua na fila dos hospitais", diz.
Leandro Grass (PT)
Leandro Grass, do Partido dos Trabalhadores (PT), defendeu a modernização da gestão pública e a transformação de Brasília em um polo de tecnologia e serviços. Grass também apresentou a cultura como um eixo de desenvolvimento econômico, com investimentos no patrimônio histórico e no setor cultural. Ao falar sobre o BRB, defendeu transparência e auditoria das contas do banco. Além disso, ao analisar a conjuntura partidária no DF e o desgaste enfrentado pelas legendas tradicionais, Grass afirmou que o PT sofre um impacto direto das disputas ideológicas justamente por manter um posicionamento claro no cenário político.
Ricardo Cappelli (PSB)
Ricardo Cappelli, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), criticou os resultados do DF na Educação e prometeu elevar a remuneração dos professores da rede pública, além de realizar novos concursos para reduzir a dependência de temporários. Na saúde, classificou a situação como "calamitosa" e prometeu um programa para zerar as filas. Para a segurança, apresentou o programa "Tolerância Zero", com recomposição do efetivo da Polícia Militar e ações contra crimes como grilagem, feminicídio e crimes cibernéticos. Sobre o BRB, afirmou que a população não deverá arcar com os prejuízos relacionados ao banco e defendeu a divulgação das demonstrações financeiras antes de qualquer decisão. "É preciso salvar o BRB. Mas como é que salva o BRB? A primeira medida é recuperar o que foi desviado. E é preciso punir os responsáveis", declarou.
Paula Belmonte (PSDB)
Paula Belmonte, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), apontou transparência, educação e saúde como pilares de um eventual governo e defendeu investimentos na estrutura das escolas, incluindo unidades preparadas para receber crianças atípicas. Na área de gestão, propôs a digitalização do governo e a criação, já no primeiro dia de mandato, de um gabinete voltado ao combate à corrupção. "Vamos ter pessoas capacitadas para digitalizar", afirmou.
Kiko Caputo (Novo)
Kiko Caputo, do Partido Novo, defendeu um "choque de gestão" na administração pública, com valorização dos servidores de carreira e redução das indicações políticas para cargos de comando. Caputo também afirmou que a privatização de empresas públicas não deve ser tratada como tabu, desde que a iniciativa privada possa oferecer um serviço mais eficiente e barato. "Eu não tenho dificuldade em privatizar. Ainda mais se eu souber que a iniciativa privada pode oferecer um serviço melhor, mais eficiente, com uma tarifa mais barata. Se o ente privado for mais eficiente do que o poder público, o melhor para a população é entregar para o agente privado", declarou.
Samara Mineiro (UP)
Samara Mineiro, da Unidade Popular (UP), defendeu uma política para as mulheres que envolva, além da segurança, áreas como moradia, emprego, saúde e transporte. Entre as propostas, citou a ampliação de casas de referência e abrigos para mulheres vítimas de violência, com atendimento psicológico, jurídico e social. Ela também propôs rever a distribuição dos recursos do Fundo Constitucional do Distrito Federal para ampliar os repasses destinados à saúde e à educação. “O dinheiro que vai para o Iges já existe, só que ele precisa voltar para a parte pública, para a gente fortalecer o SUS público e com transparência nas contas”, afirmou.
Professor Robson (PSTU)
Robson Raymundo, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), colocou a saúde pública como prioridade e defendeu o fim do Iges-DF, além da criação de conselhos populares para acompanhar a gestão da saúde. Raymundo também propôs a reestatização da CEB/Neoenergia e da Rodoviária do Plano Piloto e o fim dos cargos comissionados. Na educação, criticou o Ideb e defendeu uma avaliação que considere também estrutura das escolas, alimentação e condições de trabalho. Raymundo também apontou o que chamou de "pressão crescente" para aprovação automática de estudantes, o que, segundo ele, distorce ainda mais os índices oficiais. "Não podemos nos basear em um único indicador", disse.
Elisson Ferreira (Agir)
Elisson Ferreira, do Partido Agir, defendeu um governo com transparência total sobre investimentos e gastos públicos. Ferreira também propôs um planejamento de Brasília para além de um mandato de quatro anos, com a criação de uma secretaria voltada ao desenvolvimento da cidade até 2060. “Eu quero que essa secretaria planeje além dos quatro anos de mandato. Ela vai ser responsável por realizar estudos para que a cidade melhore a cada ano que passe”, disse.
Rico Pinheiro (PRTB)
Rico Pinheiro, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), defendeu medidas para ampliar o suporte à saúde mental e a integração da população idosa por meio de atividades de esporte e lazer. Na saúde, atribuiu os problemas da rede pública a falhas da atual gestão e defendeu a realização de mais concursos e uma reorganização administrativa. Também apresentou alternativas para a situação financeira do BRB. “Precisamos encontrar a melhor saída para que não usemos o fundo garantidor. O BRB já estava em uma escalada para ser um banco nacional. Hoje, a melhor opção seria o empréstimo”, completou.
Expedito Mendonça (PCO)
Expedito Mendonça, do Partido da Causa Operária (PCO), defendeu a estatização de setores considerados estratégicos e maior participação popular nas decisões sobre orçamento e administração pública. Entre as propostas apresentadas, está o fim da indicação política dos administradores regionais e a escolha dos gestores por voto popular. Em relação à crise do BRB Mendonça classificou como um “crime de enorme gravidade” a possibilidade de o GDF utilizar terras públicas para cobrir os rombos da instituição.

Cidades DF
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