CasaCor 2026

CB Talks debate presença e identidade do artesanato na casa contemporânea

Correio Braziliense reúne três arquitetos da CasaCor 2026, Rick Hudson, Hélio Albuquerque e Palloma Meneghello, em conversa sobre a importância do artesanato

Em um mundo marcado pela padronização e pela velocidade da era digital, o morar moderno busca, cada vez mais, resgatar a afetividade e a singularidade. O Correio Braziliense realizou, nesta quarta-feira (30/9), mais uma edição do CB Talks, abordando a importância do artesanato na casa contemporânea. O encontro reuniu os profissionais Rick Hudson, Hélio Albuquerque e Palloma Meneghello.

Mediando a conversa, a subeditora da Revista do Correio, Sibele Negromonte, debateu com os convidados como os objetos artesanais deixaram de ser apenas utilitários ou itens de lembrança para se tornarem protagonistas da arquitetura de interiores, conferindo identidade e alma aos espaços.

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A necessidade desse resgate surge justamente como um contraponto à frieza da produção em massa. Segundo Palloma, a busca por peças autorais responde ao desejo de criar lares com personalidade real. "O artesanato está aí desde sempre. Aquilo que toca e que faça sentido para o cliente precisa ser um cantinho em que ele se identifica. O objeto não precisa ser só bonito, precisa fazer sentido", afirmou a arquiteta.

Essa busca por autenticidade reflete uma tendência global de equilíbrio entre o moderno e o ancestral. Para Rick Hudson, autor do espaço Sebrae Feito à Mão, a ascensão do feito manual caminha lado a lado com as transformações tecnológicas. "O artesanato está nesse up porque hoje vivemos esse momento do tecnológico, que é importante para facilitar a vida, mas não para responder à nossa identidade”, pontuou.

No campo da arquitetura, o artesanato expande as fronteiras da criação. Hélio Albuquerque ressaltou como as técnicas manuais inspiram novas soluções estéticas e estruturais. "Puxando para o nosso segmento da arquitetura, o artesanato nos dá ideias em vários processos criativos, principalmente nos revestimentos. A gente vê a criatividade e como conseguimos incluir isso para além do utilitário. Ele entra nesse universo, nessa possibilidade que é infinda", destacou o profissional que assina o espaço Casa Caju.

O olhar atento

Para alimentar os projetos com peças únicas, os debatedores concordam que o trabalho de pesquisa e o garimpo são indispensáveis. A inspiração, segundo eles, surge da curiosidade e do contato direto com a cidade e com os produtores.

Hélio frisou a importância de manter a atenção voltada para as oportunidades do cotidiano. "É importante participar das feiras que a cidade fornece. O arquiteto tem o olhar curioso; tem de estar atento à cidade, observando tudo. Transportar isso para uma outra possibilidade é necessário para descobrir novos artistas", disse.

Esse olhar treinado transforma o cotidiano em repertório criativo. Palloma observou que o garimpo é um processo ininterrupto na rotina dos profissionais. "O nosso olhar não para. Às vezes, a gente vai num ambiente de um amigo ou em outro local; é como se a gente tivesse o olhar que captura tudo. A gente vai tendo essa bagagem do que existe de possibilidade", comentou.

A relação direta com quem produz também enriquece a jornada do projeto. Rick enfatizou o valor da troca com os mestres artesãos e o papel dos profissionais em abrir portas para a produção local. "Gosto muito de colaborar com o artesão porque é um artista que tem muito conhecimento. Aprender na fonte com quem faz isso é necessário. A ideia é ter um espaço onde as pessoas possam colocar suas produções autorais. Essa pesquisa constante, olhar nas feiras”, completou.

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