Entrevista

"A direita precisa ocupar espaço", afirma Estefane Sampaio

Mulher mais votada e a parlamentar mais jovem da história da Câmara Legislativa (CLDF), Estefane detalha as estratégias que a levaram ao resultado nas urnas

"As pessoas estavam esperando um posicionamento firme dos candidatos, e eu vi que quem tinha esse posicionamento, quem não ficou em cima do muro, foi quem teve as melhores votações", destacou a parlamentar -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
"As pessoas estavam esperando um posicionamento firme dos candidatos, e eu vi que quem tinha esse posicionamento, quem não ficou em cima do muro, foi quem teve as melhores votações", destacou a parlamentar - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Com mais de 45 mil votos, Estefane Sampaio se consagrou como a mulher mais votada e a parlamentar mais jovem da história da Câmara Legislativa (CLDF). Em entrevista ao CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília —, a deputada distrital eleita detalhou aos jornalistas Ana Maria Campos e Carlos Alexandre de Souza as estratégias que a levaram ao resultado nas urnas. Na conversa, Estefane abordou, entre outros assuntos, as expectativas para seu mandato, a atuação nas redes sociais e a proximidade com lideranças como Nikolas Ferreira (PL-MG) e a família Bolsonaro.

A que atribui sua votação recorde no DF?

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Eu atribuo muito ao corpo a corpo que a gente teve. A gente saía de casa de manhã cedo e passava o dia inteiro na rua, em todas as regiões administrativas, encontrando e conversando com as pessoas. Nada se compara ao contato pessoal. Ao mesmo tempo, a rede social foi fundamental, não teria acontecido sem isso. Tenho 517 mil seguidores, com um trabalho muito bem-feito de tráfego pago pelo Maurício, meu noivo e coordenador de campanha. As pessoas viam o vídeo na internet e nos encontravam na rua. Além disso, as pessoas estavam esperando um posicionamento firme; quem não ficou em cima do muro foi quem fez as melhores votações. Tivemos apoio de crianças que levaram os pais, jovens, até idosos; foi uma questão ideológica e de indignação com o Brasil.

Qual foi a mensagem central da sua campanha e por que focar na pauta anti-PT?

O nosso principal posicionamento foi que o Brasil não aguenta mais o PT no poder. O país está quebrado e quer virar uma próxima Cuba, uma próxima Venezuela; a gente precisa resgatar a nossa nação. E a gente esquece que o local também importa. A gente precisa fazer uma renovação em todos os setores e não dar brecha para eles ocuparem espaço. Eu cobrava do meu eleitor: se posicione! Eu sou conservadora, sou cristã acima de qualquer outra coisa e isso define todas as minhas pautas. O próprio Lula frequentemente atacou pastores. Temos que eleger um presidente de direita — sou do grupo do Bolsonaro, apoiei e vou apoiar —, porque não podemos ceder espaço para eles fazerem no DF o que fizeram no Nordeste.

Como foi sua trajetória pessoal até a candidatura e como nasceu a aliança com o Nikolas?

Sou de Fortaleza, morei em Belém e estudei em escola missionária americana. Conheço a realidade do Ceará e sei os malefícios que o PT traz. Vim para Brasília, me formei em Direito na Mackenzie, passei na OAB e estagiei na CLDF e na Câmara dos Deputados. Quando fui pedir uma vaga de assessora no Senado, a senadora Damares Alves falou: "Você tem que vir candidata". Na mesma época, postei vídeos criticando o Lula que viralizaram e deram essa virada. Já o Nikolas eu conheço há anos, desde antes de ele ser vereador; a gente fazia lives na pandemia. Ele é um cara muito coerente: o que ele prega no plenário, ele vive na igreja e na família. Perto da eleição, ele apostou em mim e no meu trabalho, pois temos os mesmos princípios e valores inegociáveis.

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Quais são suas prioridades de mandato e como pretende atuar em relação ao governo local?

O principal problema aqui no DF é a saúde, além da falta de saneamento em comunidades como o Mestre D'Armas. É absurdo a capital do país não ter o básico. A minha pauta principal é ideológica, mas abrange o local, porque existe uma inversão moral no Brasil: o certo virou errado e o errado virou certo, o que gera corrupção. Vamos implementar o gabinete itinerante para rodar as cidades ouvindo denúncias e propostas. Vou apoiar a Celina Leão no segundo turno porque ela está enfrentando o PT, mas vou fiscalizar e cobrar o trabalho dela de perto.

Há uma corrente de pensamento que afirma que o feminicídio não existe. Qual a sua posição sobre esse tema?

Eu sou a favor de defender o ser humano e punir rigorosamente qualquer tipo de crime e homicídio. Sobre o feminicídio, é um assunto delicado. Eu particularmente não vejo situações onde alguém mata exclusivamente porque é mulher. Na maioria das vezes, são outros fatores, como violência doméstica na briga de marido e mulher. Nada justifica, mas o feminicídio em tese diz que morreu pelo fato de ser mulher, o que muitas vezes não é o caso. O ponto é: cometeu homicídio, tem que ser penalizado com rigor.

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postado em 07/10/2026 05:10
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