
Deputado distrital reeleito para o segundo mandato com cerca de 42 mil votos, Gabriel Magno (PT) afirmou que a prioridade, neste momento, é a campanha para o segundo turno das Eleições 2026. O parlamentar participou, nessa terça-feira (13/10), do programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Em entrevista às jornalistas Ana Maria Campos e Sibele Negromonte, ele comentou a disputa eleitoral no DF, criticou a gestão do governo local e cobrou explicações sobre a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
Quais serão as prioridades neste novo mandato?
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Temos 12 dias para o segundo turno das Eleições 2026 e nossa prioridade hoje tem sido essa. Desde 4 de outubro, não paramos ainda, porque continuamos na campanha. Afinal, é muito importante o que vai sair das urnas em 25 de outubro. Será um Brasil completamente diferente com o Lula ou com o Bolsonaro, e o próprio Distrito Federal com a Celina ou com o Leandro. Estou muito confiante de que é possível virar, porque estamos vendo também algo que eu nunca tinha visto, que é o potencial de mobilização espontânea nessas últimas semanas. Comemoramos o resultado, porque tivemos o segundo maior crescimento da Câmara Legislativa de votos. Eu saí de 18 mil para 42 mil. Creio que isso é um reconhecimento da cidade do mandato que fizemos de enfrentamento. Fizemos um mandato coerente e que não mudou de lado. Não topamos o jogo da conciliação e não abrimos mão de posição em troca de cargo no governo, de liberação ou de emenda parlamentar.
A atenção para a disputa presidencial pode atrapalhar a campanha local?
Na verdade, elas são conectadas. Há um tema que paira na eleição, que é fundamental nesse processo da disputa do Estado brasileiro que é o Banco Master do Daniel Vorcaro. E o DF está no meio desse processo. O banco não foi enganado, porque a Celina passou muito tempo dizendo que isso aconteceu, mas foi vítima de uma gestão criminosa que tem o ex-presidente preso e que pelos relatos das investigações da Polícia Federal, o Ibaneis também foi parte do processo. Esse debate é muito importante para a eleição aqui no DF, porque a crise do Banco Master é responsável pela crise que nós estamos vivendo na cidade. A população está sofrendo muito com o caos que virou a saúde pública e a educação.
Qual será o futuro do BRB na CLDF?
Apresentei uma proposta para revogar o projeto da Celina, que é do empréstimo de R$ 6,5 bilhões, que condena a cidade. Primeiro que não salva o banco, porque pelo relatório da Polícia Federal, o rombo é de mais de R$ 20 bilhões. Essa medida condena a cidade a 15 anos sem reajuste salarial para professor, enfermeiro, assistente social, sem concurso público, sem investimentos sociais e sem capacidade de o DF ampliar investimentos, ou seja, atender às demandas da população. Essa solução que a Celina está apresentando não salva o BRB, mas condena a cidade e protege aqueles que roubaram.
Como você avalia a migração das eleições e campanhas para as redes sociais?
Precisamos fazer um debate profundo sobre democratização e acesso à transparência. As redes sociais são o monopólio de grandes empresas. Temos a constatação de como as redes sociais foram utilizadas para operacionalizar e interferir em resultados eleitorais em vários países do mundo, não só no Brasil. Essa semana mesmo, a Meta reconhece que teve o problema no algoritmo, na contagem de visualizações e de entrega dos vídeos da campanha do presidente Lula. Não é possível e não é tolerável que poucas pessoas que detêm tanto poder tenham essa capacidade de influenciar a soberania de um país no resultado de uma eleição. Onde há liberdade? É liberdade de quem tem muito dinheiro, liberdade dos trilionários que controlam o que cada um vai assistir na sua rede social.
Por que os partidos de esquerda perderam espaço nos últimos anos?
Há crescimento da extrema-direita no mundo todo, e não podemos ser negacionistas. Parte também não só por conta das redes, mas porque a esquerda também tem problemas. Sou um dos maiores defensores dos governos do PT que fizeram profundas transformações nesse país, mas não conseguiram também resolver o conjunto de demandas. O PT aumentou de tamanho. Houve um crescimento muito grande da extrema-direita, mas o PT também cresceu nas eleições.
Qual sua avaliação sobre a medida das bets do presidente Lula?
A eleição é para o movimento social uma oportunidade de avançar na pauta. Nas eleições, qualquer governo de esquerda ou de direita fica mais suscetível à pressão popular. Isso faz parte da democracia. Isso não é ilegal, não é imoral e faz parte de uma agenda de lutas da sociedade brasileira. A esquerda tem caminhos importantes para voltar a se conectar com as agendas do dia a dia do povo.
Cidades DF
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