SabatIna Celina Leão, candidata ao GDF (PP)

"A população deu o recado nas urnas. Está de saco cheio", diz Celina

Ao Correio, a governadora e candidata Celina Leão (PP) disse que, se eleita, quer entregar a expansão da linha 2 do metrô, além de cinco novos hospitais. Destacou que pretende reintegrar coronéis da PM envolvidos no 8 de Janeiro

Durante a sabatina, Celina anunciou que o Centro Pop, local voltado ao atendimento à população em situação de rua, foi fechado definitivamente na Asa Sul e agora funciona em uma nova área -  (crédito: Foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Durante a sabatina, Celina anunciou que o Centro Pop, local voltado ao atendimento à população em situação de rua, foi fechado definitivamente na Asa Sul e agora funciona em uma nova área - (crédito: Foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), participou, nesta quarta-feira (14/10), de sabatina no Correio Braziliense. O evento teve o apoio da Federação das Indústrias do DF (Fibra). Às jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, ela falou sobre projetos, se eleita, que pretende deixar de legado ao final de seu governo, entre eles, a expansão da linha 2 do metrô, uma reurbanização na cidade, além de cinco novos hospitais. Entre outros temas, Celina destacou a luta em favor da proteção do Fundo Constitucional do DF (FCDF), defendeu a diminuição da maioridade penal de 18 para 16 anos e ressaltou o reforço no acolhimento à população em situação de rua. 

"Preciso deixar de legado alguns projetos estruturantes. Serão 78km de linha 2 do metrô. Estamos fazendo um novo centro comercial no Setor Comercial Sul. Além dos cinco hospitais, vou deixar sete novas UPAs. Vou mudar a estrutura de saúde do DF e trazer um governo muito próximo da população", afirmou Celina, ao ser perguntada sobre o que quer deixar de legado, caso eleita. "Quero ampliar a economia e fortalecer setores, como tecnologia, serviços e turismo. Para termos, também, um grande centro de logística, uma cidade da beleza e um novo Ceasa para mudar a economia da cidade", complementou. 

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FCDF

Sobre o BRB, a governadora garantiu que, após a eleição, a situação do banco estará resolvida. "Depois das eleições, tenho certeza de que vão parar todos os ataques contra o banco", afirmou Celina. A governadora anunciou que fará um grande ato em defesa do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), amanhã. "Vamos fazer o ato para que isso fique marcado como pauta nossa. Queremos fazer um compromisso com o Flávio Bolsonaro, ele precisa se comprometer a não mexer no nosso recurso. Temos aliança, mas minha cidade está acima de qualquer aliança", afirmou.

Celina lembrou que o Fundo Constitucional foi alvo de tentativas de alteração e atribuiu a culpa ao PT. "Por duas vezes, o PT mexeu no fundo e, agora na terceira vez, conseguiram deixar essa insegurança jurídica, essa falta de certeza no repasse", disse ela, referindo-se ao projeto de lei complementar aprovado no Congresso que diz respeito à mitigação dos impactos da alta do petróleo nos combustíveis, mas que interfere no modo de cálculo do FCDF, impactando negativamente o DF.

Acolhimento

Durante a sabatina, Celina anunciou que o Centro Pop, local voltado ao atendimento à população em situação de rua, foi fechado definitivamente na Asa Sul e agora funciona em uma nova área, próximo ao Palácio do Buriti. "Fica ali, em frente à Polícia Civil, um lugar com muita segurança pública, do lado das forças de segurança. E é um lugar também muito organizado. Nós fizemos uma grande reforma, tanto para que o servidor público possa prestar um serviço de melhor qualidade quanto para que aquelas pessoas que estejam ali tenham um acolhimento melhor", relatou.

A candidata disse que o governo vai fortalecer a oferta de cursos para ajudar a população em situação de rua a ingressar no mercado de trabalho. "A gente acredita numa segunda chance mesmo, de verdade, em cursos de capacitação profissional. O espaço terá cursos, e salas para isso. Um atendimento individualizado, para que essas pessoas possam ser acolhidas e saírem das ruas de forma definitiva. E é nisso que nós acreditamos", complementou.

Celina afirmou que alguns pontos do decreto que trata da internação involuntária de pessoas em situação de rua estão em ajustes. A norma institui a ampliação da rede de acolhimento e da atuação integrada entre áreas como saúde, assistência social, habitação, segurança pública, educação e desenvolvimento social. No entanto, não define os locais exatos de destinação a essas pessoas, mas citou o Hospital São Vicente de Paulo.

"O principal ajuste é levar para o lugar certo e não para a UPA, pois ela não é adequada a esse tipo de atendimento. Tudo o que é novo gera dificuldade no primeiro momento", frisou. Segundo Celina, as equipes de saúde estão sendo adaptadas a esse serviço. "Esse é um problema de saúde mental. Não só de segurança. Estamos falando de um dependente químico, que precisa ser tratado na saúde."

Ainda sobre saúde mental, prometeu empenhar esforços aos profissionais da segurança pública. Citou a construção do primeiro CAPS da Polícia Militar e a expansão da estrutura na Polícia Civil e no Corpo de Bombeiros. "O policial e o bombeiro só mexem com problema. É necessário ter acolhimento. Será o nosso maior desafio", detalhou, citando que os profissionais da carreira de educação receberão os mesmos cuidados.

Escolas

Na área da educação, a governadora prometeu ampliar o número de monitores nas escolas para que o professor possa melhor conduzir as aulas. Prometeu manter as 42 escolas no modelo de gestão compartilhada cívico-militar e demonstrou interesse na expansão, mas defendeu que a decisão seja acordada pela instituição e sociedade. "Custa dinheiro, é preciso recurso. Não é uma imposição. Mas o investimento que tiver de fazer, eu farei", acrescentou.

A meta, afirmou Celina, é de que 100% das escolas operem em modelo integral. O planejamento, no entanto, começará de região em região. As menores terão preferência. "Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Riacho Fundo, por exemplo. Tem que ser de forma regional, porque não conseguimos fazer de qualquer jeito", ressaltou.

Durante a sabatina, Celina Leão afirmou que quer encontrar formas de "sobrevivência" para a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap). Segundo a política, uma das propostas governamentais é a criação de uma diretoria a ser alocada na própria Terracap destinada ao aluguel de imóveis do próprio GDF. "São prédios públicos. Vamos criar essa diretoria de aluguéis para que isso se reverta em recursos para nós mesmos e será, consequentemente, uma forma de sobrevivência para a Terracap", disse.

Saúde como prioridade

A governadora projetou os primeiros passos que pretende tomar caso seja reeleita. Segundo ela, a saúde pública será a área de atenção prioritária. O orçamento do DF para o ano que vem tem previsão de R$ 8 bilhões, segundo a governadora. "A área prioritária continuará sendo a saúde do DF. Estamos (trabalhando) na construção de hospitais, como o de São Sebastião. O oncológico será licitado novamente, entregamos cinco UPAs este ano", detalhou. No entanto, Celina enfatizou a necessidade da contratação de mais profissionais. "Não adianta ter estrutura se faltam profissionais. Contratamos 500 médicos, mas não foi suficiente. Vamos contratar mais médicos, enfermeiros e técnicos", acrescentou.

Ao ser questionada sobre a composição da Mesa Diretora da Câmara Legislativa do DF, afirmou que a prioridade é vencer as eleições para, depois, conversar com os distritais. "Fiz apelo para que isso fosse decidido após eleições. Quero ouvir os deputados, saber o sentimento deles, de quem seria o melhor", adiantou.

Sobre a presença feminina na Câmara dos Deputados, a governadora destacou o desempenho da empresária Mariana Naime. "A esposa do coronel Naime teve muito voto e tem chance de assumir o mandato, se algum desses deputados quiserem vir para uma secretaria, tenho muito gosto em trazer, porque não fizemos deputadas mulheres. É a oportunidade de termos uma mulher na bancada. Mas isso é coisa mais para o futuro", afirmou.

Judiciário

Celina criticou a interferência do Judiciário no âmbito político e classificou a prisão de policiais no 8 de Janeiro como "excessiva". Os atos de 8 de janeiro resultaram na prisão de cinco ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Na avaliação de Celina, nenhum dos militares teve a intenção de vandalismo. "Serei defensora da anistia e, se a decisão atingir os coronéis, os reintegrarei. O que ocorreu ali foi excesso. É muito triste", afirmou.

A candidata afirmou que a população se cansou da interferência da Justiça em assuntos políticos. "Ficou insuportável. Ninguém quer o Judiciário dando palpite na criação dos filhos. A população deu o recado nas urnas. Estão de saco cheio", enfatizou.

Segurança pública

A governadora defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. "Há um sequestro das crianças para o crime organizado. Eu acredito na redução da maioridade penal para 16 anos", reforçou. "Não tem nada mais importante do que definir o seu futuro. Se você pode definir o futuro com esta idade, também pode ser responsabilizado pelos crimes que comete", completou.  

Celina propôs uma reformulação das audiências de custódia. "O sentimento sobre isso é de que a polícia prende e o Judiciário solta. Isso tem que mudar. É preciso um sistema com mais justiça. Virou um instrumento de impunidade, principalmente em crimes contra as mulheres. Precisamos repensar esse instrumento, isso tem que ser discutido na Câmara Federal", disse. 

Assista à sabatina na íntegra:

 

 


  • Sabatina Celina Leão
    Sabatina Celina Leão Foto: Ed Alves/CB
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postado em 15/10/2026 05:00
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