
Eleito deputado federal pelo PT, Agnelo Queiroz avaliou os cenários da política nacional e local. Nesta quinta-feira (15/10), em entrevista ao CB.Poder — parceira do Correio com a TV Brasília —, abordou a mobilização eleitoral no DF e detalhou as prioridades de seu mandato. Aos jornalistas Ana Maria Campos e Carlos Alexandre de Souza, o parlamentar eleito destacou que o momento exige maturidade política para enfrentar problemas estruturais da capital e resgatar parcerias vitais com o governo federal.
Foi uma luta essa eleição, e o senhor está na linha de frente da campanha de Lula e de Leandro Grass. Dá para virar?
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Foi uma disputa muito intensa, em um momento crucial da vida política do DF e do Brasil. Estou envolvido integralmente, trabalhando muito mais do que durante a minha própria candidatura. A eleição do presidente Lula é absolutamente estratégica para o desenvolvimento do Brasil, para a defesa da democracia, da soberania nacional e para devolver a nossa respeitabilidade internacional, sem admitir interferências ou manipulações externas. Tenho muita confiança na virada do Leandro Grass aqui no DF para tirar a capital dessa crise instalada, retomar a credibilidade administrativa e o relacionamento republicano com o governo federal.
Quais serão as suas principais prioridades no mandato na Câmara dos Deputados?
A minha prioridade é a saúde pública, buscando recursos no orçamento e atuando politicamente junto ao Ministério da Saúde. A situação em Brasília é tão grave que não resolvemos com nossas próprias pernas, mas o governo local rejeita sistematicamente programas federais fundamentais como a telemedicina para o atendimento rápido com especialistas. Além disso, lutarei com muita força pela primeira infância por meio da criação de creches e pela mobilidade urbana, buscando resgatar os recursos de R$ 1,2 bilhão do BRT Norte e Oeste que ficaram depositados na Caixa Econômica.
Na Câmara Federal, como o senhor pode ajudar o BRB?
O primeiro passo é político mesmo: juntar com a nossa bancada e fazer uma negociação em outros termos, com um grau de credibilidade resgatado para negociar com o Banco Central, com o governo federal, com o Ministério da Fazenda — espero que o meu candidato ganhe, que tem credibilidade para negociar, que seria o Leandro Grass. Nós (bancada) temos que sentar para tratar da questão do BRB. Concomitantemente com a busca do acesso às informações sobre o banco. Nós precisamos saber — estamos no escuro há meses, sem publicar um balanço do banco — qual é a realidade. Isso é pré-requisito. Então, nós podemos ajudar, estou muito disposto a fazer, sei da viabilidade desse banco, sei da importância desse banco. Quando eu fui governador, esse banco deu lucro, nós investimos no banco, tem um quadro qualificado de seis mil profissionais dedicados. Nós não podemos, numa cidade como a nossa, ter uma demissão em massa nesse nível sem ter uma repercussão muito forte na nossa economia, além da vida pessoal de cada um.
O esporte sempre foi uma área muito presente na sua trajetória. O que planeja para o setor?
O financiamento do esporte hoje se apoia diretamente nas leis que criei quando fui deputado e ministro, como o Bolsa Atleta e a Lei Agnelo/Piva. Precisamos retomar as políticas de desenvolvimento humano, a exemplo do Segundo Tempo — o maior programa socioesportivo do mundo, que chegou a atender um milhão de crianças no contraturno escolar com três modalidades, reforço e alimentação. Esse projeto foi sendo descontinuado e o desmonte do Ministério do Esporte na gestão passada acabou de vez com esses programas. Com a volta do presidente Lula e a reconstrução da pasta, precisamos resgatar em definitivo o esporte educacional e de inclusão.
Qual é a sua opinião sobre a decisão do presidente Lula de acabar com as bets?
Essa atitude do presidente foi de extrema coragem, em defesa da família brasileira. As bets e esses cassinos virtuais dentro de casa são um câncer que destrói lares, gera desagregação familiar profunda e drena recursos financeiros essenciais do comércio e da economia local para enriquecer meia dúzia de donos de plataformas.
O que o senhor enxerga sobre a aprovação do fim da jornada 6x1?
É uma conquista histórica dos trabalhadores: a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, mantendo o mesmo salário. Com a economia em crescimento, a tendência é aumentar o emprego para substituir as horas. Com dois dias de descanso, a pessoa cuida da família, melhora a saúde mental e produz mais no trabalho, o que é comprovado cientificamente.
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